Semana On

Domingo 22.mai.2022

Ano X - Nº 488

Entrevista

‘Vamos colocar MS entre os mais desenvolvidos e modernos estados do país’, afirma Riedel

Pré-candidato ao Governo, ele ressalta ações para trazer investimentos, empregos e desenvolvimento ao estado

Postado em 01 de Abril de 2022 - Victor Barone

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Eduardo Riedel anunciou na quinta-feira (31) sua descompatibilização da secretaria estadual de Infraestrutura para a disputar o Governo do Estado.

Riedel é um empreendedor e administrador bem sucedido. Graduado em Biologia na UFRJ, tem mestrado em Zootecnia na UNESP, cursou MBA em Gestão Empresarial pela FGV e participou da formação Gestão Estratégica para Dirigentes Empresariais, realizado pelo INSEAD, em Fontainebleau, França.

Desde 1994 é diretor da Sapé Agropastoril Ltda., empresa que atua na produção de carne bovina, cana-de-açúcar e grãos, em Maracaju. Implementou um modelo de gestão inovador, com enfoque na gestão de pessoas, avaliação de desempenho organizacional e participação nos resultados.

Foi presidente do Sindicato Rural de Maracaju, vice-presidente e presidente interino da Famasul. Eleito por unanimidade, assumiu a presidência da Famasul, cargo do qual se licenciou em janeiro de 2015 quando se tornou secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica.

Neste período também foi presidente do Movimento MS Competitivo e do Conselho Deliberativo do Sebrae/MS. Atuou ainda como vice-presidente diretor da CNA.

Riedel pretende usar este background, aliado aos muitos anos de forte presença nos municípios do Estado por meio de suas atividades públicas, para dar continuidade a um plano de ação que tem por objetivo continuar levando o Mato Grosso do Sul a conquista dos melhores indicadores de governança de desenvolvimento do país. “Saio do Governo para encarar um desafio ainda maior: ser pré-candidato a governador. Saio com a sensação de dever cumprido e com a vontade de continuar lutando pela transformação de MS”, afirmou.

O pré-candidato disse também que muitas das reformas que o Brasil discute hoje já foram efetuados pelo MS, e a consequência é uma transformação nas mais diversas áreas. “É isso o que me motiva a aceitar este desafio. Manter o estado nos trilhos do desenvolvimento e da modernização. Vamos deixar de ser um estado mediano para caminhar rumo a ponta, entre os estados mais desenvolvidos do país”, reforçou Riedel.

 

O senhor é pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul. O que te levou à essa decisão?

Se olharmos a trajetória desse grupo político liderado pelo governador Reinaldo Azambuja nesses quase oito anos, percebemos uma mudança bastante expressiva em todos os indicadores do estado. Deixamos de ser aquele estado menor, marginalizado, ganhamos uma dimensão em âmbito nacional. Muitas das reformas que o Brasil discute hoje já foram efetuados pelo Mato Grosso do Sul, e a consequência é uma transformação nas mais diversas áreas, como a saúde, a infraestrutura, a geração de empregos e de investimento privado, a transparência, a responsabilidade fiscal, a educação, o saneamento básico, a habitação, a segurança pública e o meio ambiente. A marca deste grupo político são as ações transversais, pensando o estado a longo prazo. Os resultados que estão sendo obtidos são frutos de todas estas ações. E foi este grupo que decidiu me escolher para personificar esse projeto no ano que vem. Não é uma decisão pessoal, é um projeto. A decisão pessoal foi a de aceitar representar um grupo que teve e tem um projeto de desenvolvimento para Mato Grosso do Sul. É isso o que me motiva

Há alguns anos, em uma entrevista com o professor Leandro Sauer, da UFMS, concordamos com a ideia de que Mato Grosso do Sul era o “estado do meio”. Do meio, no sentido de que a gente não está nem atrás de todo mundo e nem na frente de todo mundo, mas você traça um panorama diferente...

Sim. Nós estamos saindo desta posição intermediária e indo para a ponta, no que se refere a diversos indicadores. Pergunto: que estado, em meio a esta crise sanitária e econômica, manteve-se equilibrado e, ao mesmo tempo, adotou um conjunto de medidas colocando um bilhão de reais para reaquecer a economia? Nós fizemos isso. Agora, queremos dar continuidade a estas ações, levando Mato Grosso do Sul para seu lugar, que é entre os melhores estados do pais, para se viver e investir.

Outra questão referente ao conceito de “estado do meio” é o nosso posicionamento geográfico. Como aproveitar este fato para o desenvolvimento?

A rota bioceânica e os portos criam um novo eixo de logística, de integração, de pessoas, de cultura, de turismo. Nós não somos mais aquele finzinho do Brasil, longe do Sudeste e do Sul, virado de costas para a América do Sul, sem contato com o litoral. Nós somos um estado posicionado e de mãos dadas com o Atlântico-Pacífico. Isso será um impulsionador para nossa economia.  Mas, nosso desenvolvimento não está atrelado apenas a isso. Adotamos, e continuaremos adotando um conjunto de ações que leve confiança ao empresariado.

Você está falando de interlocução entre o Governo e o setor público...

Sim. Não é só a infraestrutura, é a velocidade de resposta. Por exemplo, a lei que fizemos no 3º ano de governo, facilitando o ambiente de negócios e os incentivos fiscais, a desburocratização das licenças ambientais sem perder qualidade na proteção do meio ambiente? Esse foi um ponto chave. Nós desmistificamos a ideia de que desenvolvimento e meio ambiente eram antagônicos e inimigos. Isso foi estratégico e continuaremos nesta pegada nos próximos anos.

A agenda ambiental do estado é uma das mais modernas do Brasil.

Sim, até 2030 estaremos com carbono zero. Meta clara, com programas muito bem definidos. Vou te dar um exemplo: a Gol trouxe um voo para Bonito. Foram R$ 100 milhões de investimentos no Aeroporto de Bonito para mudar de classificação. Organizamos um pacote de incentivos tributários para isso. E aí escuto do presidente da Gol: “Vacinação, vocês fizeram o dever de casa. Isso foi determinante para a nossa tomada de decisão”. Na questão ambiental, sugerimos a Gol que seu voo para Bonito estivesse linkado a ideia de redução da emissão de carbono, como eles fizeram na Fernando de Noronha. Ou seja. Trata-se de um conjunto de ações para atrair investimentos.

Dentro da questão ambiental, a compra do parque estadual do Rio Negro foi uma bola dentro.

Estava há décadas em briga judicial. Resolvemos adquirir um ativo importante pro estado.

Faz parte da ideia de desenvolvimento ter a capacidade de identificar ativos que, para muitos, não passam de problemas...

Exatamente. Nossa população indígena, por exemplo. Muitas pessoas identificam como problema. Não, não é um problema, é um baita ativo. Temos que deixar o que nos separa de lado e incentivar o desenvolvimento dessas comunidades, dentro da visão de mundo deles, da cultura deles. Estamos, por exemplo, com um convênio com a Universidade do Canadá para desenvolver uma cooperativa das mulheres indígenas artesãs, para vender seu trabalho, gerar renda para elas, dar dignidade. A gente empreende em uma série de áreas que colocam o estado em uma outra dimensão. Vamos continuar fazendo isso.

Quais são os gargalos que precisam ser resolvidos para que uma futura gestão possa, realmente, alavancar o estado?

Ninguém melhor do que os próprios sul-mato-grossenses para nos apontar estes pontos de estrangulamento. Por isso, desde o início, adotamos uma política municipalista. O que é isso? É dar a mão ao município, ouvir suas prioridades. E, ao ouvir os municípios, percebemos muitos problemas, especialmente na infraestrutura: pavimentação de rua, esgotamento sanitário, etc. São problemas seríssimos e de base. Enfrentamos estes desafios e vamos continuar trabalhando para superá-los nos próximos anos. Ouvir os municípios e dar resposta direcionada, dentro daquilo que é mais importante para aquela comunidade, acho que isso fez e continuará uma diferença muito grande.

E a saúde, educação?

São pontos urgentes. A agenda da educação não pode ser deixado em segundo plano. A saúde e a segurança pública são consequências diretas da educação. Tenho monitorado muito o crescimento do IDEB, que é o último indicador do ponto de vista do resultado da política pública. Investimos nas reformas das escolas, reformas de fato, não se trata de uma pintura de parede. Também apostamos na descentralização da saúde. São pontos de trabalho, mas há muito a ser feito e estaremos focados nestes temas.

Você falou sobre dois pontos fundamentais, o meio ambiente e os povos originários. São duas alavancas para a indústria do turismo. Como você pensa essa questão da indústria do turismo no Mato Grosso do Sul

Acho que a incorporação responsável destes dois ativos são importantes. E a eles deve ser equacionada a questão da infraestrutura, que é fundamental. Investimos em pavimentação para ligar com mais qualidade nossas duas grandes estrelas do turismo, Bonito e o Pantanal. O que está sendo feito de infraestrutura para esses dois grandes destinos é inédito. Mais de R$ 300 milhões colocados em acesso no Pantanal. É investimento não só para só turismo, mas o social e para a pecuária.

Investimos na estrada de Anastácio até Bonito, em saneamento básico e água, em Bonito, para preparar o município para os feriados. Outro projeto grande, tão importante quanto as rodovias, são as infovias. Começamos a preparar os nossos municípios para acesso à dados, trânsito de dados. Comunicação é muito importante na captura de novos voos, na promoção dos nossos destinos, atração de turistas, investimentos, etc.

O que é que o sul-mato-grossense pode esperar de um governo Eduardo Riedel?

Muito comprometimento, uma agenda de desenvolvimento para estado. É isso que gera oportunidade para as pessoas. Desenvolvimento gera emprego, renda, avanço da infraestrutura, respeito aos municípios, respeito a cada região, a cada localidade. E esse respeito vem na forma de diálogo, de procurar compreender a demanda de cada um. Continuar participando ativamente do desenvolvimento dos municípios em todas as esferas. E que a gente siga nesse caminho firme do Mato Grosso Sul, caminhando rumo à ponta na lista dos melhores estados. A gente tem feito isso de maneira muito firme e isso se traduz em qualidade de vida, em bem-estar, em perspectiva positiva para as pessoas. Vamos crescer ainda mais nos próximos anos.


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