Semana On

Terça-Feira 17.mai.2022

Ano X - Nº 487

Brasil

Corrupção vai aumentar para 53% dos brasileiros, diz Datafolha

Pesquisa foi realizada após denúncias de cobranças de propina em barras de ouro que provocaram a demissão do pastor Milton Ribeiro do comando do Ministério da Educação

Postado em 31 de Março de 2022 - Fórum, Josias de Souza (UOL) - Edição Semana On

 Antônio Cruz/Agência Brasil Antônio Cruz/Agência Brasil

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Em meio às denúncias de propinas em barra de ouro que causaram a demissão do pastor Milton Ribeiro do comando do Ministério da Educação, a percepção sobre o aumento da corrupção no Brasil teve um salto, segundo dados divulgados no último dia 29 pelo Datafolha.

Para 53% dos brasileiros entrevistados na pesquisa a corrupção vai aumentar - frente a 36% que tinham a mesma opinião no estudo anterior, realizado em dezembro.

Outros 26% acreditam que continuará como está, 17% acham que vai diminuir e 4% não sabem. O tema é visto como o principal problema do país para apenas 5% dos entrevistados.

A perspectiva de aumento na corrupção é ainda maior entre mulheres (58%), pessoas com ensino fundamental (59%) e quem ganha até dois salários mínimos (59%).

Ao revelar que a maioria absoluta dos brasileiros acredita que haverá mais corrupção no país daqui para a frente, o Datafolha sinaliza que nem todos brasileiros parecem dispostos a fazer o papel de bobo que os principais atores da sucessão presidencial lhes reservaram no enredo de 2022.

A percepção da sociedade não orna com a lorota bolsonarista segundo a qual o Brasil vive há três anos e três meses sem corrupção no governo federal.

Restaurou-se a imoralidade no Brasil. O Datafolha sinaliza que o eleitor sente o fedor. Mas convive com outras emergências que o forçam a tapar o nariz e seguir em frente. No auge da Lava Jato, entre 2015 e 2017, a corrupção foi apontada em certo momento como o principal problema do país por 35% dos brasileiros. Hoje, apenas 5% pensam da mesma forma.

A pandemia levou a Saúde para o topo do ranking das preocupações (22%). A inflação colocou a economia na segunda posição (15%). Numa sucessão presidencial polarizada entre Lula e Bolsonaro, tendo o centrão como pano de fundo, o combate à roubalheira tende a se consolidar como uma causa órfã no debate eleitoral.

Sergio Moro acha que tem legitimidade para levantar a bandeira anticorrupção. Mas sua transferência da 13ª Vara de Curitiba para a equipe de Bolsonaro e o convívio amistoso com a família da rachadinha por mais de um ano fizeram do ex-juiz um personagem desconexo. Consolida-se na campanha de 2022 como um antifenômeno eleitoral.

Auxílio Brasil é insuficiente

Outro dado divulgado pelo Datafolha é relativo ao pagamento do Auxílio Brasil, que fez com que Bolsonaro tivesse uma leve oscilação positiva nas pesquisas de intenção de voto.

No total, 23% das casas no país abrigam ao menos um beneficiário do programa. 

Criado para atender pessoas que vivam na extrema-pobreza, 3% dos que disseram receber o auxílio têm ganhos de 5 a 10 salários mínimos, o que pode indicar que há falhas no pagamento.

Na extrema-pobreza, 35% disseram receber o benefício. Entre os que declaram renda de 2 a 5 salários mínimos, 10% dizem receber o auxílio, segundo a pesquisa.

Para 68%, no entanto, o valor é insuficiente - apenas 29% acham suficiente. 

A pesquisa ouviu 2.556 pessoas em 181 municípios nos dias 22 e 23 de março. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos.


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