Semana On

Terça-Feira 24.mai.2022

Ano X - Nº 488

Brasil

Comida é insuficiente para 24% dos brasileiros, diz pesquisa

No Nordeste, 32% da população não têm comida suficiente. E pior: cresce o endividamento para fazer supermercado – e com ele, mais empobrecimento

Postado em 31 de Março de 2022 - DW, Outra Saúde – Edição Semana On

Divulgação / Milícia da Imaculada Divulgação / Milícia da Imaculada

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Uma pesquisa do Instituto Datafolha realizada na semana passada aponta que quase um em cada quatro brasileiros não teve o suficiente para comer nos últimos meses. Para 24% da população, a quantidade de comida disponível em casa para alimentar a família foi inferior à que seria necessária.

Dos entrevistados, 63% apontaram que a alimentação foi suficiente, e 13% declararam que a quantidade de comida ficou acima do necessário.

O Instituto Datafolha ouviu 2.556 pessoas em 181 municípios brasileiros entre os últimos dias 22 e 23, em levantamento que tem margem de erro de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

A chamada insegurança alimentar é mais evidente entre os mais pobres, ou seja, para quem tem até dois salários mínimos (R$ 2.424) de renda familiar mensal. Desses, 35% responderam que a quantia de comida é insuficiente.

No entanto, dos entrevistados com renda mensal de dois a cinco salários mínimos (R$ 6.060), 13% também disseram que faltou comida, a mesma constatação para 6% dos que recebem entre cinco e dez salários mínimos (R$ 12.120).

Entre as regiões, o Nordeste é a que mais sofre com a insegurança alimentar: 32% das famílias. A região é seguida por Sudeste, Centro-Oeste e Norte, que empatam com 23%, e pelo Sul, com 18%.

Estagnação econômica agravou o quadro

A crise econômica, a inflação, o desemprego e a pandemia podem ser considerados fatores que aumentaram ainda mais a insegurança alimentar no Brasil. Em 2020, por exemplo, um levantamento feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) apontou que a pandemia de coronavírus aumentou o problema da fome no país.

Em 2018, dois anos antes do início da situação pandêmica, assim conceituada em março de 2020, a pesquisa da Rede Penssan indicou que 37% dos domicílios brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar. Esse número subiu para 55% ao fim do primeiro ano da crise sanitária.

Entre os que perderam o emprego durante a pandemia, o número de quem considera a comida na mesa insuficiente chega a 38%. Os desocupados – que não estão em busca de trabalho – somam 28%. Entre os trabalhadores autônomos são 26%, e os assalariados sem registro formal, 20%.

Junto com a pandemia, o desemprego e a estagnação econômica, a inflação piorou ainda mais a situação de muitas famílias nos últimos meses.

Em números oficiais, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) concluiu que a inflação encerrou 2021 com uma variação acumulada de 10,06% em 12 meses no Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 11 de janeiro último.

O ano passado registrou, portanto, a maior inflação desde 2015, quando o índice fechou o ano a 10,67%, bem acima dos 4,52% que haviam sido registrados em 2020.

Endividamento

Há ainda um agravante, registrado pela Piauí em um levantamento recente, sobre o endividamento. A revista aponta um dado alarmante: um em cada sete brasileiros em dívida com o cartão de crédito o utilizaram principalmente para comprar comida. Ou seja, as pessoas estão passando o supermercado no crédito, e estão sem dinheiro para pagá-lo. E as dívidas com o cartão estão aumentando: de 2020 pra 2021, mais 2,6 milhões de brasileiros ficaram inadimplentes – ao todo, são 64 milhões, hoje. As dívidas então empobrecendo a população.

É o que registra ainda uma tocante reportagem da Piauí, que conversou com uma família de uma região pobre da cidade de Teresina. O casal – um auxiliar administrativo e uma trabalhadora da limpeza – relatou estar usando seu cartão de crédito, com limite de 800 reais, para conseguir comer. Em sua comunidade, quem não contrai dívida com bancos, o faz com agiotas – os juros não são tão diferentes assim, no fim das contas. A família entrevistada conta que precisa parcelar a conta todo mês, à espera de que a situação melhore. Mas não há indícios de que a crise deve arrefecer, nos próximos meses…


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