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Domingo 28.nov.2021

Ano X - Nº 469

Coluna

A corrupção

Tão debatida e tão presente em nossas vidas.

Postado em 20 de Março de 2015 - Josceli Pereira

A corrupção está entranhada na sociedade. A corrupção está entranhada na sociedade.

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Parafraseando Barão de Montesquieu na sua citação: “A corrupção dos governantes quase sempre começa com a corrupção dos seus princípios”. Mesmo tendo vivido em uma época distante da nossa (1689 e 1755) este filósofo nos apresentou um pensamento que parece bem atual.

A corrupção por sua vez vai além da “traição” contra a população, pois antes de trair aqueles que os pagam e os elegem, esta “banda podre” da política, traí primeiramente a si próprio, jogando no lixo todos os princípios que lhes foram ensinados, ou os que deveriam ter sido instruídos.

Este ralo desenfreado nas finanças públicas vem consumindo muito mais que dinheiro dos recursos destinados à manutenção do sistema público, consome a dignidade de um povo. Joga na lama a esperança de um mundo melhor e destrói sonhos de uma sociedade inteira.

Convivemos em um martírio profundo de incertezas. Somos acordados de nossos sonos, como um pesadelo. Embora a corrupção esteja presente em vários setores públicos, não é apenas ela que traz efeitos negativos para a economia brasileira, mas também os altos impostos, uma carga pesada tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. A dependência do país para exportar commodities, as altas despesas do governo, as dívidas do Estado, a burocracia que dificulta a vida das empresas, o governo que exerce grande domínio sobre os bancos,  muitas restrições ao capital estrangeiro, e certas políticas administrativas afastam os investidores.

Uma sociedade que ajuda alimentar um sistema de barganha não pode ser considerado vítima, ele é cúmplice e como tal paga o preço cobrado por sua fraqueza.

Se observarmos com determinado cuidado encontraremos alguns motivos bem aparentes para estabelecer as causas da corrupção: instituições frágeis, burocracia excessiva, impunidade, o aumento de cargos de confiança fazendo com que estes indivíduos sejam mais fiéis aos seus partidos políticos do que aos princípios legais que tal nomeação requer.

E como poderemos sentir que as coisas não estão acontecendo como deveriam acontecer? Simplesmente observando que os quase 40% do PIB do país retidos em forma de tributos não estão retornando à população brasileira como deveriam. Simples assim!

Avaliando a qualidade e a disponibilidade dos serviços públicos essenciais à população teremos uma justa medida da influência da má administração dos recursos apropriados pelo governo. Escondidos na burocracia estatal, com infinidades de Leis que se esbarram nas suas aplicações, assistimos aos escândalos que pipocam a cada instante nos noticiários veiculados nos meios de comunicação.

O descompasso na busca de uma solução se situa em decidir de que lado da pirâmide escolheremos para começar a limpeza da corrupção no país: no ápice, exigindo mudanças de comportamentos dos nossos governantes? Ou pela base onde nos encontramos?

Lembrando sempre que o fruto da corrupção é a mola propulsora de um sistema único de engrenagem que movimenta um sistema de pensar. Os governantes são espelhos da sociedade e refletem o comportamento coletivo. Um governo corrupto é fruto de um povo enfraquecido nos seus direitos.

Uma sociedade que ajuda alimentar um sistema de barganha não pode ser considerado vítima, ele é cúmplice e como tal paga o preço cobrado por sua fraqueza.


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