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Segunda-Feira 06.dez.2021

Ano X - Nº 470

Coluna

A Revolta e o Tempo

Uma analogia sobre reivindicações morais e a ordem dos fatos.

Postado em 20 de Março de 2015 - Rodrigo Amém

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O ano é 2010. Steve Jobs, o supremo sacerdote da Apple, promete vingança contra supostos violadores de seus direitos autorais. “Eu vou destruir Android porque é um produto roubado. Eu estou disposto a ir termonuclear nessa briga”, vociferava.

Como mente criadora do mundo da tecnologia, Steve Jobs tinha toda razão do mundo de lutar pelas suas patentes e combater a moralmente condenável prática de plágio.

O ano é 1996. O mesmo Jobs, preste a lançar o revolucionário iPhone, citava Picasso: “ Bons artistas copiam, grandes artistas roubam. Nós nunca tivemos vergonha de roubar grandes ideias”, admitia o mago da Apple.

Longe de mim dizer que o Jobs de 2010 estava errado em reivindicar seus direitos. Se há o crime, ele deve ser denunciado, apurado, julgado e condenado. O interessante é que essa não era a bandeira de Jobs em 1996. O problema só despontou quando a Apple se viu no outro lado da bancada.

Até mesmo para os rompantes morais e cívicos mais justificáveis, timing é tudo.


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