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Segunda-Feira 06.dez.2021

Ano X - Nº 470

Coluna

Publicidade nas instituições públicas

É preciso desonerar o estado dos excessivos gastos com publicidade.

Postado em 20 de Março de 2015 - Gerson Martins

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Pode-se começar este artigo por uma pergunta. É necessário promover propaganda, publicidade de atividades públicas, das ações do Estado? Exceção das campanha públicas que objetivam difundir e promover ações de saúde, educação ou mobilidade urbana, será necessário que os governos federais, estaduais ou municipais, ou ainda empresas ou órgãos públicos gastem milhões de reais em publicidade?

Mesmo em caso de empresas privadas, mas de interesse público como os planos de saúde por exemplo, que gastam milhões de reais em publicidade, dinheiro que poderia ser utilizado para melhoria do atendimento aos seus associados e são gastos, muitas vezes, na compra de espaço publicitário de inúmeros clubes de futebol. Ver enormes anúncios publicitários estampados nas camisas dos clubes de futebol como, entre outros, da Caixa Econômica Federal, da Unimed leva a pensar que, primeiro, esse custo é de milhares de reais, segundo, que esse dinheiro poderia ser usado, no caso da Caixa, para ampliar os financiamentos de interesse social, subsidiar taxas de juros para empréstimos habitacionais, ou mesmo ampliar o leque de projetos sociais que a empresa realiza. No caso a Unimed, melhorar o salários dos médicos associados, construir e equipar hospitais, ampliar o quadro de médicos! Quando se trata de empresas públicas é, no mínimo, complicado verificar o tamanho, e consequentemente o custo, do patrocínio e publicidade do Banco do Brasil para a equipe de Fórmula 1, Sauber! A Caixa, Unimed, Banco do Brasil será que necessitam de publicidade para aumentar seus negócios, ampliar a venda do seus produtos?!

Em jornais, emissoras de televisão, internet e emissoras de rádio na Espanha, para fazer uma pequena comparação, mesmo que, no caso das emissoras de TV, uma parte seja de propriedade do governo - esse quadro mudou muito nos últimos anos, hoje há um grande número de emissoras de TV privadas -  por exemplo, e é muito raro haver publicidade oficial ou publicidade de instituições públicas. A publicidade de empresas privadas é que garante a receita da mídia.

A publicidade, a propaganda existe para vender um produto, promover um bem e qualificar a imagem ou conceito de uma empresa, de uma instituição.

Pode-se fazer um cálculo. Quantos anúncios publicitários das instituições públicas, governo federal ou mesmo estadual ou municipal podem ser visualizadas nos jornais, TVs e internet se comparado com anúncios de empresas privadas? Os números da receita publicitaria do TV Globo, para citar um caso, mostram que o maior anunciante é o governo federal, ou seja, a poderosa TV Globo depende do governo para garantir sua receita e seus lucros. Especificamente em Campo Grande, entre as empresas de comunicação ocorre a mesma situação. Os jornais impressos semanários é a ponta do contrassenso, ou seja, dependem totalmente das verbas dos governos estadual e municipal, além da Câmara de Vereadores e da Assembleia Legislativa. Se o jornal recebe as verbas do governo, estampa na primeira página elogios a esse governo.

A publicidade, a propaganda existe para vender um produto, promover um bem e qualificar a imagem ou conceito de uma empresa, de uma instituição. A chamada publicidade de varejo se realiza para vender produtos, mercadorias. É o tipo de publicidade mais comum no interior do país. Os publicitários poderão afirmar que as empresas e instituições públicas necessitam qualificar sua imagem e seu conceito para a população, associar sua identidade às questões sociais e assim promover sua atividade. Contudo se se pensar que as empresas ou instituições públicas tem como objetivo principal o atendimento ao público, é o serviço ou bem que ela produz a sua principal propaganda. Uma educação de qualidade e acessível a todos é a principal forma de propaganda do Ministério da Educação ou da secretarias de educação de estados e municípios. A mesma coisa se pode afirmar dos serviços de saúde. Hospitais, postos de saúde, médicos que ofereçam serviço amplo e de qualidade é a melhor propaganda.

É preciso desonerar o estado dos excessivos gastos com publicidade. Que a propaganda ou seja as empresas, profissionais concentrem e recebam investimentos da instituições e empresas privadas. Estas sim dependem, em boa medida, da publicidade para promover seus conceitos institucionais e promover suas vendas.


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