Semana On

Segunda-Feira 16.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

Requintes de Sarcasmo

Medalhas reluzem no peito da tropa

Postado em 15 de Março de 2022 - Ricardo Moebus

Foto: Isaac Amorim/MJSP Foto: Isaac Amorim/MJSP

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Todos sabem que este atual desgoverno da república vem praticando intensivamente e sistematicamente uma perseguição aos povos originários, aos povos indígenas.

Vem cumprindo promessas de campanha, de que no seu governo os povos indígenas não teriam um centímetro de terra.

Em 2017 o então deputado federal disse publicamente que “acabaria com todas as reservas indígenas e comunidades quilombolas se fosse eleito em 2018”.

Em 2018, o deputado federal pré-candidato afirmou em Dourados, região de intenso conflito territorial entre indígenas e o agronegócio, afirmou que se assumisse como presidente não haveria um centímetro a mais de demarcação.

Desde 2019 o desmanche, a desconstrução do aparato estatal de proteção aos povos indígenas, às áreas de preservação ambiental, às comunidades tradicionais de modo geral, tem sido sistemática, contínua, intencional, articulada.

Para coroar a coerência necropolítica, esta semana, o distinto presidente e um largo séquito de seus comparsas no primeiro escalão receberam a Medalha do Mérito Indigenista.

A medalha é concedida como reconhecimento por serviços relevantes relacionados ao bem-estar, a proteção e a defesa das comunidades indígenas.

Sarcasmo? Cinismo? Descaramento?

O fato é que a tal medalha trouxe consigo nova onda de polêmicas, e mais uma vez o falastrão surfou em milhares de comentários, ainda que em sua maioria indignados e negativos sobre a desfaçatez da portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O detalhe do fato é que a tal medalha foi instituída por decreto de 13 de outubro de 1972, pelo então presidente da república Emílio Garrastazu Médici, possivelmente o mais necropolítico de todos os generais que se arvoraram a presidentes ao longo das ditaduras que sangraram esse país, com um governo marcado pela escalada da repressão política e da censura violenta, Médici se tornou presidente em 1969 depois de ocupar a chefia do SNI, Serviço Nacional de Informações, o centro da repressão e da censura, desde 1967.

Foi no governo Médici que houve o Programa de Integração Nacional – PIN, com objetivo de “ocupar“ a Amazônia, trazendo obras como a Transamazônica e a Cuiabá-Santarém, que atropelaram povos e territórios indígenas, um desastre étnico cultural, uma tragédia humanitária.

Nesse sentido, a medalha fake news de Médici cabe bem no peito do atual falastrão que ocupa a cadeira.

Frente a tudo isto a APIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, teve mais uma genial intervenção, instituiu e concedeu a “Medalha do Genocídio Indígena” ao falastrão que ocupa a cadeira presidencial.

Seguem assim os povos indígenas nesta guerra híbrida que enfrentam em defesa das vidas em abundância, disputando territórios e mentes.

O Brasil será indígena ou não será nada.


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