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Segunda-Feira 16.mai.2022

Ano X - Nº 487

Poder

Eleição presidencial de 2022 passa mais pela economia do que pela religião

Bolsonaro e Lula travam uma guerra ‘santa’ pelo voto evangélico

Postado em 15 de Março de 2022 - Josias de Souza - UOL

Carolina Antunes - PR Carolina Antunes - PR

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Bolsonaro e Lula travam uma guerra "santa" pelo voto evangélico. Segundo o Datafolha, os evangélicos somam 31% do eleitorado. Coisa de 45 milhões de pessoas. Bolsonaro tenta manter seu vínculo com esses brasileiros valendo-se da intermediação de pastores. Lula tem a pretensão de abrir canais diretos de diálogo com a base das igrejas. Acha que é um erro tratar o rebanho de fieis "como se fosse gado".

Olhar para os evangélicos como um bloco uniforme e monolítico não é o único erro a que estão sujeitos os candidatos. O principal equívoco é imaginar que os cultos religiosos blindam esses eleitores da crise econômica. Arrisca-se a falar sozinho o presidenciável que não perceber que a sucessão de 2022 passa mais pela geladeira do que pela igreja.

No Datafolha mais recente, de dezembro, verificou-se um quadro de empate técnico. Num hipotético segundo turno polarizado, Lula obteria 46% dos votos evangélicos, contra 44% atribuídos a Bolsonaro.

Na reunião com a fina flor dos pastores, Bolsonaro disse que dirige o país para o lado que eles quiserem. Os líderes religiosos que farfalham na órbita do poder querem manter a isenção tributária de suas igrejas e anular débitos lançados pela Receita Federal. Seus rebanhos querem coisa diferente.

Na hora do voto, o desemprego, a anestesia econômica e a inflação que arde na gôndola do supermercado tendem a pesar mais do que o fantasma socialista, o ministro "tremendamente evangélico" do Supremo, o pastor no MEC ou a crítica à liberação do aborto num país estrangeiro. Bolsonaro oferece moralismo e ideologia a quem precisa de salário e comida.

Lula coleciona indicadores do seu período de governo. Imagina que, ao lembrar da política social do seu governo, os evangélicos passarão uma borracha na memória da ruína produzida sob Dilma Rousseff.

Há de tudo nessa guerra santa, exceto santidade.


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