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Quarta-Feira 18.mai.2022

Ano X - Nº 487

Cultura e Entretenimento

Em segundo lugar nesta semana: ‘Os sete maridos de Evelyn Hugo’

Minha filha de cinco anos quase seis adora a capa desse livro. ‘Você vai ler o livro daquela mulher elegante, papai?’, pergunta Helena, ao me ver com a obra debaixo do braço

Postado em 11 de Março de 2022 - Rodrigo Pael

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A capa do livro da escritora americana Taylor Jenskins Reid é realmente muito bonita. Taylor é autora de outro grande sucesso, que figurou entre os dez mais vendidos no Brasil no ano passado: “Daisy Jones & The Six”. Este escrito de forma muito interessante. Em formato documental de entrevistas intercaladas, conta a história de uma banda fictícia que teria feito enorme sucesso na década de 1970 nos Estados Unidos. É como se a filha do vocalista  da banda entrevistasse os outros componentes para um documentário e publicasse um livro apenas com respostas. Diferente. Nunca tinha visto um estilo de escrita assim.

A autora parece gostar de construir personagens como grandes personalidades do show business norte-americano. Evelyn Hugo foi o nome artístico adotado por Evelyn Diaz, uma filha de migrantes cubanos, órfã de mãe, que muito cedo descobriu duas coisas: o poder de sua sensualidade e o desejo de mudar sua pobre realidade.

A história de Evelyn perpassa por seus sete maridos, uns mais relevantes que outros. O primeiro deles, Ernie Diaz, apenas serviu para a futura estrela do cinema se mudar do distrito de Hell’s Kitchen, em Nova York, para Hollywood. Quando já era uma atriz em ascensão, casou-se com um ator famoso, Don Adler e formou com ele o casal queridinho dos americanos. Foi nesse período que conheceu o grande amor da sua vida. Não vou revelar quem é para não atrapalhar quem ainda vai se divertir com a trama.

E é isso. Apesar de o livro tratar de temas importantes, como violência doméstica, bissexualidade e homossexualidade, em termos literários ele é divertido. O leitor não é instigado com jogos de palavras, filosofia nas entrelinhas, complexidade, poesia, reflexões profundas. O leitor encontrará uma leitura fluida, um diálogo, que as vezes é impactante como é impactante a forma como homossexuais eram tratados no meio do século passado.

O livro é fluido e dialogado porque é fruto da decisão de Evelyn Hugo de abrir seu coração aos 80 anos, em uma entrevista. Evelyn escolheu a repórter que iria entrevistá-la: Monique Grant. O motivo dessa escolha apenas é revelado nas páginas finais da obra.

Outro diferencial do livro é publicar o que seriam as manchetes jornalísticas da época a cada casamento, divórcio, prêmios cinematográficos e vestidos de Evelyn Hugo. Essa característica faz o leitor compreender as estratégias da atriz e também como a mídia invade a intimidade das pessoas de forma perigosa.

Evelyn Hugo apenas pode viver seu amor em paz quando se casou com o pacato Robert Jamison, seu sétimo marido, mas, talvez, não o último. Para entender essa história, tem que ler o livro.

Rodrigo Pael - Jornalista e professor universitário


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