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Domingo 22.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

A guerra na Ucrânia, a vida de Lula/Bolsonaro e a vida da dona Maria

A invasão russa atropela a classe política brasileira, cria uma discussão ideológica e constrói um novo herói na ausência dos anteriores

Postado em 10 de Março de 2022 - Rafael Paredes

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A Rússia invadiu a Ucrânia há mais de uma semana, vem chocando a opinião pública e no Brasil não é diferente. Pesquisas mostram que mais de 80% da população brasileira sabe o que está acontecendo no Leste Europeu. Certamente, não são todos os brasileiros que sabem que ali não tem mocinho nem bandido, mas sim questões antropológicas e geopolíticas muito complexas.

Muitos russos nunca compreenderam a existência da Ucrânia, tendo em vista que a cultura eslava surgiu naquele território. A classe política e militar russa não aceita a expansão da OTAN para próximo de suas fronteiras. A Organização do Tratado do Atlântico Norte surgiu para proteger os países capitalistas da União Soviética. O caso é que a URSS acabou na década de 1990 e a OTAN continua se expandindo e cercou a Rússia.

A Ucrânia estava pacificada até 2014, quando o presidente pró-Russia Viktor Yanukovych foi deposto por meio de manifestações populares com forte e comprovado apoio norte-americano para sua queda. Depois disso, a Ucrânia virou um celeiro de células neonazistas e a Rússia, em um arroubo autoritário, anexou a importante península da Crimeia contra tudo e contra todos.

No atual momento do conflito, a opinião pública já elegeu seu novo herói, o presidente e comediante ucraniano Volodimir Zelensky. O ser humano e ninguém mais que os brasileiros sempre precisam de heróis e não cansam de se decepcionarem. Como os heróis brasileiros fracassaram (o ex-Juiz Sérgio Moro é o mais evidente exemplo), os incautos passaram a admirar o ucraniano.

O presidente da Rússia, Vladmir Putin, é um autocrata violento e a invasão da Ucrânia é um crime em todos os sentidos, mas a guerra da comunicação quem vem vencendo é o presidente Zelensky, apesar de sua responsabilidade ou irresponsabilidade na geopolítica local.

No Brasil, ou melhor, no México, o ex-presidente Lula reinicia sua agenda de estadista sendo recebido pelo presidente mexicano, López Obrador. Porém, o périplo de Lula está totalmente ofuscado pelo conflito internacional. Essa agenda seria importante para destravar a estagnação nas pesquisas que o petista enfrenta na atualidade.

Agora sim, no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se anima com seu crescimento nos levantamentos eleitorais, que apontam para sua presença no segundo turno das eleições e para a necessidade dele. Contudo, a melhora econômica necessária para alavancar o desempenho eleitoral do presidente também pode ser atrapalhada pela guerra no Leste Europeu.

E no Brasil? No Brasil mesmo? No Brasil profundo? Neste, dona Maria começa a ver o seu Auxílio Brasil ser corroído pela inflação dos alimentos que sofre a pressão dos preços dos fertilizantes importados. Importados de onde? Da Rússia. A vida e o humor de dona Maria devem piorar nos próximos meses.


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