Semana On

Segunda-Feira 16.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

Ato pela Terra Indígena

Nesta ano será decidida uma rodada decisiva para o futuro do Planeta

Postado em 10 de Março de 2022 - Ricardo Moebus

Foto: Mídia Ninja Foto: Mídia Ninja

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O Ato Pela Terra – contra o pacote da destruição, convocado e orquestrado neste último dia 9 de março por Caetano Veloso foi certamente um marco histórico. 

Acompanhado por inúmeras lideranças indígenas, como Sônia Guajajara, Caetano Veloso protagonizou um momento épico, em uma temporalidade mítica, na qual, ao mesmo tempo em que reinaugurou as grandes manifestações populares no Brasil, na saída da pandemia Covid19, também recolocou a Música Popular Brasileira em seu devido lugar de trincheira fundamental na luta por um mundo melhor, por um país mais justo e diverso e receptivo a si mesmo em sua multiplicidade e sociobiodiversidade cultural.  

Caetano, no ano em que completará 80 anos de idade, demonstrou uma vitalidade exuberante, convocando uma estrondosa trupe de artistas, músicos e celebridades, para juntos refundarem a função diretamente política e engajada, em defesa da vida, da melhor Música Popular Brasileira.

Ao longo de horas em um palco na Esplanada dos Ministérios, Caetano recebeu seus tantos formidáveis convidados, que um a um, apresentaram suas músicas e canções mais engajadas e representativas de uma música que tem o que dizer às mentes e corações de uma multidão efervescente que acompanhava toda a maniFESTAção que se desenrolava tanto no palco quanto na plateia.

Antes desta maniFESTAção popular, Caetano já havia cumprido toda uma agenda estritamente política no Congresso Nacional, ao longo do dia inteiro, com seu estilo performático, cantando sua inesquecível canção “Terra”, em uma cerimônia formal junto aos senhores da casa grande.

Infelizmente Caetano não logrou, com seu canto mágico, que os senhores do Congresso o acompanhassem para fora dos muros que os protegem, não repetindo assim a façanha do Flautista de Hamelin, que no medievo liberta com sua música a cidade da praga que a consumia.

Ainda assim, horas mais tarde, já depois das nove horas da noite, no encerramento do Ato pela Terra, rodeado e abraçado pelas lideranças indígenas, Caetano canta sua profética canção “Um Índio”, compartilha a fala com lideranças indígenas, e encerra novamente com “Terra”, enchendo o ar de Brasília de uma esperança raríssima de se ver por ali, deixando bem claro que o Ato Pela Terra foi sobretudo o Ato pela Terra Territórios Indígenas, que mais uma vez estão na mira dos saqueadores que se apressam em aprovar o conjunto de PLs e PECs que compõem o chamado pacote da destruição.

O Ato Pela Terra foi a abertura deste ano em que no Brasil será decidida uma rodada decisiva para o futuro do Planeta, tendo ficado bem claro que a Terra será Indígena ou não será.


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