Semana On

Quarta-Feira 10.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

Misógenos, Não Passarão!

O jornalista Victor Barone resume a semana política

Postado em 10 de Março de 2022 - Victor Barone

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O deputado Arthur do Val (Podemos-SP), vulgo Mamãe Falei, tornou-se um vírus mais letal do que a Covid-19. Todos fogem dele – de Sergio Moro, candidato do partido a presidente, ao pessoal do Movimento Brasil Livre (MBL) que o apoiava. Arthur do Val é a prova viva da força do acaso na política, e também fora dela.

No rastro de uma guerra inesperada, aspirante a candidato ao governo de São Paulo, do Val achou que ganharia pontos nas pesquisas eleitorais indo à Ucrânia socorrer os refugiados. Arrecadou 180 mil reais; viajou na companhia de um amigo, segundo ele, especialista em turismo sexual; encantou-se com a beleza das ucranianas; e, de lá, mandou mensagens pelo WhatsApp dizendo o que faria com uma delas se a levasse para a cama. As mensagens vazaram antes de sua volta ao Brasil; a namorada apressou-se a cortar relações com ele; o mundo, merecidamente, desabou sobre sua cabeça. Arthur do Val renunciou à sua candidatura ao governo; desligou-se do Podemos; e saiu enxotado MBL.

Não bastou. Não basta. A cassação do seu mandato foi pedida por 27 dos seus colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo e poderá ser aprovada. É possível que do Val já tenha pensado: por que viajei à Ucrânia? Por que não fiquei quietinho por aqui? Deveria pensar porque ele é o que se revelou – um machista empedernido, que enxerga as mulheres, principalmente as mais pobres, como objetos para seu gozo; incapaz de se comover diante do sofrimento alheio; um ser que quer tirar vantagens de tudo.

A filósofa alemã Hannah Arendt, uma das teóricas políticas mais influentes do século XX, ensinou que não se deve subestimar a força do acaso. É por isso que a História só pode ser escrita depois que ela termina. Moro não deve ter lido Arendt.

Com a desgraça de do Val, Moro perdeu o único palanque mais ou menos forte que teria no maior colégio eleitoral do país. É um sem-teto, ou melhor: um sem-palanque. De pouco adiantarão os 7 ou 8 pontos que o puseram em terceiro lugar nas pesquisas.

Por Ricardo Noblat

AI, MEU CANECO

O coordenador do MBL, Renan Santos, se revoltou durante live feita na noite de segunda-feira (7), quando falava sobre o risco do deputado estadual Arthur do Val ter seu mandato cassado pela Alesp. Em tom exacerbado, falou: “Os vagabundos estão se movimentando, e o Arthur vai perder o mandato”. Em setembro do ano passado Renan dos Santos protagonizou outro caso de sexismo. Em fala com amigos ele afirmou que se fosse proibido de entrar em um bar iria estuprar uma mulher. Renan se defendeu afirmando que a gravação era de 2018 e se tratava de uma “brincadeira entre amigos” e que estava alcoolizado. Renan esteve com Arthur do Val durante a viagem feita à Ucrânia, na semana passada, para acompanhar a invasão das tropas russas ao país. Ele também foi citado no áudio vazado em que o parlamentar diz que mulheres ucranianas “são fáceis porque são pobres”.

MISÓGENOS

Bolsonaro comemorou mais um Dia Internacional da Mulher com dois fatos que em nada o ajudarão a conquistar o voto feminino para se reeleger. Os investimentos para o combate à violência contra a mulher feitos pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos foram os mais baixos dos últimos três anos, quer dizer, desde que Bolsonaro tomou posse. O total previsto para 2022 é de 48 milhões, contra 61 milhões em 2021, 132 milhões em 2020 e 72 milhões em 2019. Segundo fato: no ano passado, aumentou em quase 4% o número de casos de estupros de mulheres, se comparado com o ano anterior. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 56 mil casos. O número de feminicídios recuou 3%, mesmo assim isso significa que a cada 7 horas uma mulher é assassinada no país.

Bolsonaro será lembrado também por seu desapreço às mulheres, o que ele já expressou em diversas ocasiões com frases que se tornaram inesquecíveis. Algumas:

“Ela não merece (ser estuprada) porque é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria. Eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar porque não merece”

“O Brasil não pode ser o país do turismo gay. Quem quiser vir aqui fazer sexo com uma mulher, fique à vontade. Agora, não pode ficar conhecido como paraíso do mundo gay aqui dentro”

“Eu tenho pena do empresário no Brasil, porque é uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas. Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? ‘Poxa, essa mulher está com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade’…”

“Todo mundo ia atrás de galinha no galinheiro na minha cidade. Alguns mais malandros iam atrás da bezerrinha, da jumentinha. Era comum. Não tinha mulher como tem hoje”

“No quinto filho eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”.

Por Ricardo Noblat

FORA!

Durante a transmissão da partida entre Fluminense e Olimpia, válida pela Copa Libertadores, na noite de quarta-feira (9), os telespectadores foram surpreendidos por uma torcedora do tricolor carioca gritando "Fora, Bolsonaro". O grito de protesto se deu já no final da partida e o SBT rapidamente cortou a cena. Não a tempo, no entanto, dos telespectadores entenderem o recado. Apesar da câmera não captar o som da torcida, a frase proferida pela torcedora é facilmente identificada através de uma leitura labial simples. Ela e um homem ao lado, durante a cena, ainda faziam um sinal de "L" com as mãos, provavelmente em referência ao ex-presidente Lula (PT).

DOIDA DA GASOLINA

Taís Helena Galon Borges, que ficou conhecida como “a doida do posto de gasolina”, voltou com força total, ao menos nas redes. O caso aconteceu em março de 2015, durante o governo da então presidenta Dilma Rouseff (PT), em um posto de gasolina de Caxias, no Rio Grande do Sul, Na ocasião, aproveitando a onda de protestos da direita contra o governo, ela reclamava da gasolina chegar a R$ 3,40 o litro. Após ter sido ignorada pelos outros motoristas, ela foi embora. Nas redes, no entanto, ela nunca foi esquecida e sempre que a gasolina dispara, ela é solicitada, mas nunca mais voltou a se manifestar.

LULA LÁ

Pesquisa Ipespe, contratada pela XP Investimentos e divulgada hoje (11), aponta que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém na liderança da corrida presidencial, com 43% das intenções de voto. O presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca a reeleição, aparece em segundo lugar, com 28%

FRASES DA SEMANA

“Sabe por que a gasolina está cara, e o diesel? O Brasil tinha uma grande distribuidora chamada BR; foi privatizada, e agora tem mais de 400 empresas importando gasolina dos Estados Unidos a preço de dólar, quando temos autossuficiência e produzimos petróleo em reais”. (Lula)

“Estamos atingindo a principal artéria da economia russa. O povo americano está dando um golpe poderoso na máquina de guerra de Putin”. (Joe Biden, presidente, ao proibir a importação de petróleo e gás natural da Rússia. Os EUA importam de lá 400 mil barris diários de petróleo)

“Essa crise entre Ucrânia e Rússia… Da crise, apareceu boa oportunidade para a gente. Temos um projeto que permite explorarmos terras indígenas de acordo com interesse dos índios. Espero que seja aprovado na Câmara já agora em março”. (Bolsonaro, que só liga para garimpeiros)

“Com todo o respeito pela análise política pura, talvez fosse interessante considerar a hipótese de que muitos seres humanos no topo do poder simplesmente enlouqueceram”. (Fernando Gabeira, jornalista)

“Não é isso o que eu penso. O que eu falei foi um erro num momento de empolgação”. (Arthur do Val, vulgo Mamei Falei, deputado do PODEMOS, que renunciou à candidatura ao governo de São Paulo depois da sordidez de suas declarações machistas sobre a beleza das mulheres ucranianas)

“Quando soube o que aconteceu, ele interferiu. Ele gosta de ajudar a polícia porque é quem o botou no poder”. (Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle Franco, sobre a ajuda de Bolsonaro para que recebesse uma perna mecânica depois de perder uma das suas na explosão de uma bomba)


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