Semana On

Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Poder

Avaliação negativa de Bolsonaro recuou 4 pontos, mas ainda é de 52%

As mulheres, os mais jovens, os moradores do Nordeste e os mais ricos são os que pior avaliaram o governo

Postado em 04 de Março de 2022 - Getulio Xavier (Carta Capital), Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

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A avaliação negativa do presidente Jair Bolsonaro (PL) recuou 4 pontos percentuais nos últimos 15 dias, mas governo ainda é considerado ruim ou péssimo por 52% dos brasileiros. Os dados são da pesquisa PoderData divulgada na quinta-feira 3.

Em meados de fevereiro, o ex-capitão contava com 56% de avaliações negativas, o que o colocava em seu pior patamar neste quesito, se considerada a margem de erro da pesquisa. Naquele momento, a avaliação positiva estava abaixo de 30%.

Na pesquisa de quinta, além de recuar na avaliação negativa, Bolsonaro oscilou 2 pontos para cima nas menções positivas ao seu governo. Ao todo, 30% dos brasileiros disseram considerar a atual gestão como boa ou ótima. Com o resultado, a diferença entre os extremos da avaliação, que era de 35 pontos em novembro do ano passado, atualmente é de 22 pontos percentuais.

Variações semelhantes foram registradas nas indicações de aprovação do governo. O grupo que dizia desaprovar o trabalho do presidente caiu de 57% para 53% em apenas 15 dias. Aqueles que aprovavam a gestão Bolsonaro saíram de 34% para 37% no mesmo período. O saldo entre aprovação e desaprovação, que chegou a ser de 36 pontos percentuais, hoje soma apenas 16.

Estratificação da pesquisa

As mulheres, os mais jovens, os moradores do Nordeste e os mais ricos são os que pior avaliaram o governo Bolsonaro na PoderData de quinta. Ao todo, Bolsonaro é considerado ruim ou péssimo por 56% do eleitorado feminino; 57% de quem tem entre 16 e 24 anos de idade; 62% dos nordestinos; e 61% de quem recebe mais de 5 salários mínimos. O índice também é mais alto entre quem tem ensino superior, chegando a 56% do grupo.

A avaliação negativa cai para 48% entre os homens, 50% nas faixas intermediárias de idade e 34% entre os moradores do Centro-Oeste brasileiro. O índice de marcações ‘ruim’ ou ‘péssimo’ também recua entre quem tem apenas o ensino fundamental (49%) e entre quem recebe entre 2 e 5 salários (47%).

A estratificação das avaliações negativas são semelhantes no quesito aprovação e desaprovação.

Para chegar aos resultados, a pesquisa contou com 3 mil entrevistas por telefone entre os dias 27 de fevereiro e 1º de março. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o índice de confiança de 95%.

Na quarta, o levantamento indicou uma redução da diferença entre as intenções de voto em Lula e Bolsonaro. O petista segue na frente com 40%, mas o ex-capitão agora tem 32%, reduzindo a diferença de 25 pontos em agosto de 2021 para atuais 8 pontos percentuais.

Apoiem Lula, golpistas e não golpistas, culpados e inocentes

Se quiser ser o candidato de uma frente ampla, amplíssima, para derrotar o presidente Jair Bolsonaro em outubro próximo, Lula deverá aceitar o apoio dos que tramaram e votaram a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Ninguém dentro do PT tem dúvida de que ele aceitará o apoio, embora muita gente dentro do PT faça cara feia para isso, a começar pela própria Dilma. Lula está convencido de que ou será assim ou não se elegerá presidente da República pela terceira vez.

E ele não saiu da cadeia em Curitiba e lançou-se candidato para perder. Esse não seria o melhor fecho para sua biografia. A perder, por que não desfrutar o resto da vida na companhia de uma nova mulher e a viajar pelo mundo na condição de injustiçado?

Lula diz que não é possível fazer política olhando a História pelo retrovisor. Ou seja: se Dilma foi vítima de um golpe como ele mesmo disse que foi e o PT repete, o momento exige que se deixe isso pra lá. Não que se esqueça, mas que por ora se deixe pra lá.

É pragmatismo na veia, ou “realpolitik”, um modo de agir na política e na diplomacia que privilegia considerações práticas, em detrimento de noções ideológicas. Dentro e fora do PT, vozes dissonantes atacarão Lula por causa disso? Fazer o quê?

O ex-presidente acha que tem meios e modos de calá-las, mesmo que não as convença com seus argumentos. Ou preferem mais quatro anos de Bolsonaro? O eleitor que apoiou a derrubada de Dilma parece disposto a apoiar a eleição do inventor de Dilma.

É o que importa. Reúnam-se, portanto, a Lula, os não golpistas e os golpistas, os inocentes e os culpados, e a sua fome de justiça, de paz, de redenção do país, de cargos públicos e de favores será saciada na medida do possível. Na urna, voto não tem cor.


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