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Segunda-Feira 16.mai.2022

Ano X - Nº 487

Saúde

Ivermectina não evita Covid grave e gera reações severas em estudo

Pesquisa feita na Malásia com 490 pessoas internadas mostra que remédio não previne evolução para casos graves e pode causar diarreia e outros efeitos colaterais

Postado em 23 de Fevereiro de 2022 - Galileu

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O tratamento com o antiparasitário ivermectina pode causar diarreia e não diminuiu o risco de doença grave quando dado a pacientes com Covid-19 leve a moderada. Essa é a conclusão de um estudo realizado por médicos de 20 hospitais do governo da Malásia e um centro de quarentena de Covid-19 no país, publicado no último dia 18 no periódico científico JAMA Internal Medicine.

Entre 31 de maio a 25 de outubro de 2021, o ensaio clínico avaliou 490 adultos de 50 anos ou mais hospitalizados com Covid-19 leve ou moderada e que tinham pelo menos uma comorbidade. Os pacientes foram dividios em dois grupos: 241 participantes receberam ivermectina por cinco dias além do tratamento padrão (exames laboratoriais, de imagem do tórax etc); e os outros 249 não tomaram a medicação e só passaram pelo acompanhamento de praxe.

Cada pessoa foi monitorada para uma variedade de sintomas, a fim de identificar sinais precoces de doença grave, definida no estudo como quadros de hipóxia (baixos níveis de oxigênio). Entre os que passaram apenas pelo tratamento padrão, 17,3% desenvolveram Covid-19 severa. No grupo que recebeu ivermectina, o índice foi de 21,6%.

Os autores consideram que os resultados apontam para uma ineficácia desse medicamento contra o problema. Quatro participantes que receberam a droga (1,7%) necessitaram de ventilação mecânica, ao passo que no grupo controle o número foi de 10 pessoas (4%). Seis pacientes medicados com o antiparasitário (2,4%) foram admitidos na UTI e, em 28 dias, houve três óbitos entre os que tomaram o remédio.

Além de não evitar complicações, a ivermectina foi ligada também a uma maior ocorrência de efeitos colaterais: 44 pacientes (9%) tiveram 55 eventos adversos, sendo 33 deles só entre os que tomaram o antiparasitário. A consequência mais comum foi diarreia, que atingiu 14 pessoas medicadas com a droga e quatro do grupo de tratamento padrão.

Efeitos colaterais graves foram registrados em cinco pessoas, sendo quatro delas da turma que tomou ivermectina: duas tiveram ataque cardíaco, uma desenvolveu anemia grave e outra sofreu um choque devido à perda de líquidos por diarreia. Um paciente do grupo controle teve sangramento arterial no abdômen.

Essas reações levaram seis voluntários a deixarem de tomar ivermectina e três a desistirem do estudo. "A incidência notavelmente mais alta de eventos adversos no grupo da ivermectina levanta preocupações sobre o uso desse medicamento fora dos ambientes de teste e sem supervisão médica", escrevem os autores na pesquisa.


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