Semana On

Segunda-Feira 06.dez.2021

Ano X - Nº 470

Coluna

Administração x gestão

Um enfoque da diferença existente.

Postado em 13 de Março de 2015 - Josceli Pereira

 Pesquisas apontam que o jovem brasileiro já indica um percentual de 15% dos negócios estabelecidos no país. Pesquisas apontam que o jovem brasileiro já indica um percentual de 15% dos negócios estabelecidos no país.

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Cada vez mais chama a atenção do grande número de jovens empreendedores que estão formando o contingente de empresários dentro da economia do Brasil. Pesquisas apontam que o jovem brasileiro já indica um percentual de 15% dos negócios estabelecidos no país. Esta estatística contraria algumas opiniões que o jovem vem buscando cada vez mais o abrigo do emprego no setor público, tendo em vista a “pseudo estabilidade” no emprego.

O jovem da atualidade, mesmo não tendo um conhecimento mais aprofundado das técnicas administrativas, não deixa de arriscar nos empreendimentos tendo em vista a sua disposição para enfrentar o dia a dia das empresas e o incerto mercado econômico do Brasil, o sobre e desce da economia e as mudanças de regras em relação aos tributos através da sua elevada carga tributária.

É de se admirar que muitos destes novos empreendedores pautem suas decisões pelo improviso, emoção e amadorismo, mesmo com a crescente evolução tecnológica e as diversas descobertas científicas modernas, no que tange à Administração de Empresas.

Surge a incógnita de entender o sucesso de uns e o fracasso de outros empreendimentos. Talvez caiba aí um ponto importante para diferenciarmos dois conceitos na área econômica: a administração X gestão, como bem definiu o administrador Stephen Kanitz em um artigo na Revista Veja que reproduzimos abaixo:

“Muitos administradores usam a palavra gestão como sinônimo de administração. Mas existe um grupo de brasileiros que recusa a usar o termo administração, e usam invariavelmente o termo Gestão. Gestão vem de Gesto, Gesticulação. Gestores eram aqueles que gesticulavam, que apontavam com o dedo indicador onde o carregamento de alimentos deveria ser deixado ou estocado. Ou apontam quem deveria fazer uma tarefa. "Coloque este fardo aqui." "Você, venha aqui." Gestores ainda usam termos como "indicadores" de produção, "apontar" uma solução, "apontamentos" de uma reunião, remanescentes da época em que administrar era basicamente apontar com o indicador a direção a seguir. Isto não é Administração no Século XXI, isto é gestão do Século XVI. Quem usa o termo Gestão está 500 anos atrasado.

A atualidade não tem mais espaço para improviso. O empreendimento precisa ser orientado nas suas formalidades e estar adequado às normas regulamentares.

Administrar não é mais mandar, dirigir os estoques para serem colocados aqui e ali, não dirigimos, não somos mais dirigentes nem diretores. Somos criadores de sistemas, adoramos empresas que andam sozinhas, delegamos, treinamos, damos poder a nossos colegas contratados. Gestores querem gesticular sobre tudo. Dão ordens, dão murros na mesa, gritam para subordinados que não cumprem as ordens, é o estilo Comand and Control da direita e das organizações militares.

Se você usa ainda o termo Gestão, cuidado. Você está mostrando para todo mundo que acredita que administrar é dar ordens para subordinado”

Assim, é comum encontrarmos muitos empreendedores que são excelentes comerciantes, contadores, advogados e tantas outras profissões liberais, mas que são péssimos administradores. Misturam as finanças pessoais com as empresariais; não sabem precificar seus produtos ou serviços; não sabem lidar com subordinados; não administram o tempo; são avessos às novas tecnologias; etc. A incapacidade de administrar suas empresas leva-os à antiga falácia, que é demasiadamente difícil ser empreendedor em nossa nação, em virtude da alta carga tributária. Esta afirmação perde o sentido, uma vez que em nosso país, quem paga o imposto, de fato, é o consumidor final. Sendo assim, os empreendedores que pagam impostos, são àqueles incapazes de administrar compras, despesas e principalmente, de precificar os seus produtos ou serviços.

Na nova realidade econômica para o excelente administrador, o pagamento de tributos nada mais é que o repasse ao fisco, do imposto pago pelo consumidor final. Pode parecer estranho esta definição, mas precisamos cada vez mais conscientizar nossos empresários que os tributos são suportados pelos consumidores, ficando apenas na responsabilidade do empresário o seu repasse aos cofres públicos, conforme a regra estabelecida na legislação.

Sem esta consciência e sem saber como precificar seus produtos e serviços pode resultar no empreendimento um caos, pois no momento do pagamento do tributo, o empresário poderá estar retirando do seu lucro no negócio a parte devida ao fisco e desta forma inviabilizando seu comércio ou serviço.

A atualidade não tem mais espaço para improviso. O empreendimento precisa ser orientado nas suas formalidades e estar adequado às normas regulamentares.

Seu empreendimento está dentro das normas legais? Pense nisto!


Voltar


Comente sobre essa publicação...