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Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Comportamento

Pessoas com depressão são mais suscetíveis a desinformação sobre vacina de Covid

Pessimismo característico dos sintomas depressivos faz com que esses indivíduos acreditem mais em notícias falsas envolvendo o imunizante – e resistam à vacinação

Postado em 15 de Fevereiro de 2022 - Galileu

Foto: Alex Green/Pexels Foto: Alex Green/Pexels

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Pessoas deprimidas tendem a enxergar o mundo de um ponto de vista mais pessimista –  muitas vezes como um lugar sombrio e perigoso. Por isso, elas pessoas também são mais suscetíveis a notícias falsas envolvendo a vacina contra a Covid-19, segundo pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts General (MGH), nos Estados Unidos. O estudo apontando a correlação foi publicado no último dia 21 na revista JAMA Network Open.

A depressão, apontam os cientistas, contribui para uma tendência de se concentrar em informações negativas. “Nós nos perguntamos se as pessoas que veem o mundo dessa maneira também podem ser mais suscetíveis a acreditar em informações erradas sobre vacinas. Se você já acha que o mundo é um lugar perigoso, pode estar mais inclinado a acreditar que as vacinas são perigosas – mesmo que não sejam”, afirma o autor principal do artigo, Roy H. Perlis, chefe associado de pesquisa do Departamento de Psiquiatria do MGH.

Portanto, quando uma pessoa deprimida se depara com uma notícia falsa falando sobre efeitos adversos letais da vacina tenderá a acreditar que o imunizante é perigoso ao invés de seguro. Para examinar essa tendência, os autores ouviram 15.464 adultos de todos os 50 estados dos EUA e de Washington, D.C. Essas pessoas responderam a dois questionários na internet entre maio e julho de 2021: o primeiro era relativo a sintomas depressivos e o segundo, às vacinas contra a Covid-19.

Com as respostas em mãos, o grupo de pesquisa investigou se havia uma correlação entre os sintomas depressivos e a tendência a acreditar em notícias falsas sobre a vacinação. Selecionaram, então, os questionários de pessoas com sinais moderados ou altos de depressão e perceberam que elas foram mais propensas a endossar pelo menos uma das quatro afirmações falsas sobre a vacina no questionário posterior. 

A partir do experimento, o estudo aponta que pessoas deprimidas têm uma probabilidade 2,2 vezes maior de apoiar notícias falsas sobre a vacinação. Aqueles que endossam essas mentiras são 2,7 vezes mais propensos a não querer tomar o imunizante contra o Sars-CoV-2.

Dois meses depois de chegarem a esses números, os pesquisadores repetiram o questionário com 2.809 voluntários. O objetivo era checar se os sintomas depressivos eram anteriores à tendência de acreditar em notícias falsas e, assim, eliminar a hipótese de que eram as mentiras que estavam aumentando os índices de depressão. Notaram, novamente, a tendência de que pessoas que sofriam previamente de depressão tinham maior probabilidade de rejeitar a vacina.

“Embora não possamos concluir que a depressão causou essa suscetibilidade, olhar para uma segunda onda de dados pelo menos nos disse que a depressão veio antes da desinformação. Ou seja, não era a desinformação que estava deixando as pessoas mais deprimidas”, afirma Perlis.

As descobertas do estudo acendem o alerta sobre a importância do tratamento da depressão em meio à pandemia. Os cientistas reforçam, ainda, que as pessoas depressivas não são culpadas por serem suscetíveis a essa desinformação sobre a vacina. “Nosso resultado sugere que, ao abordar os níveis extremamente altos de depressão neste país durante a Covid-19, podemos diminuir a suscetibilidade das pessoas à desinformação”, conclui o pesquisador e psiquiatra.


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