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Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Entrevista

Estabilidade de Lula nas projeções de 2º turno é impressionante, diz diretor da Quaest

Na terceira via, Felipe Nunes destaca oscilação positiva de Ciro, mas reforça: ‘Não vai crescer mais se não roubar votos de Lula e Bolsonaro’

Postado em 14 de Fevereiro de 2022 - Leonardo Miazzo – Carta Capital

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A mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada no último dia 9, indica uma estabilidade nas intenções de voto, expõe as dificuldades de Sergio Moro (Podemos) e reforça o desempenho “impressionante” de Lula (PT) nas projeções para o segundo turno. As avaliações são do cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, responsável pelo levantamento, em entrevista a CartaCapital. Na terceira via, Nunes destaca também a oscilação positiva de dois pontos anotada por Ciro Gomes (PDT) e a incapacidade de João Doria (PSDB) de alavancar sua candidatura.

Veja o principal cenário considerado pela Genial/Quaest para o primeiro turno:

  • Lula (PT): 45%
  • Jair Bolsonaro (PL): 23%
  • Sergio Moro (Podemos): 7%
  • Ciro Gomes (PDT): 7%
  • João Doria (PSDB): 2%
  • André Janones (Avante): 2%
  • Simone Tebet (MDB): 1%
  • Rodrigo Pacheco (PSD): 0%
  • Luiz Felipe D’Ávila (Novo): 0%
  • Branco/nulo/não vai votar: 8%
  • Indecisos: 5%

Em um eventual segundo turno, Lula superaria qualquer adversário por uma diferença de pelo menos 20 pontos, de acordo com a pesquisa. Contra Bolsonaro, por 54% a 30%; contra Moro, por 52% a 28%; e contra Ciro, por 51% a 24%.

 

A pesquisa aponta a possibilidade de Lula vencer no primeiro turno. Mas é provável que isso aconteça?

A pesquisa reforça uma estabilidade nas intenções de voto e na avaliação do governo. Moro e Ciro aparecem empatados em terceiro lugar, o que é uma novidade, porque a euforia em torno do Moro era muito grande quando ele apareceu candidato no Podemos.

O que o dado sugere é uma polarização entre Lula e Bolsonaro no segundo turno. Digo ‘sugere’ porque as análises que fazemos mostram que os dois eleitores são muito consolidados. Os eleitores de Lula e Bolsonaro são fiéis, mobilizados, engajados e já estão mais decididos.

Agora, a tendência é de que esse eleitor da terceira via migre para esses candidatos, e isso favoreceria, em um voto útil, um crescimento do Bolsonaro. Continuo achando que uma eleição no primeiro turno é improvável.

Qual é o atual estágio da candidatura de Ciro Gomes?

Todos os candidatos da terceira via, e isso cabe para o Ciro, hoje sofrem de um problema que é: as pessoas não acreditam que eles vão ganhar a eleição. E quando falta expectativa de vitória, o eleitor fica desanimado a manter sua opção de voto ali.

Isso é particularmente importante no caso do Ciro porque ele precisaria adquirir pra si boa parte desse eleitor que é do Lula hoje – o que é difícil, porque o voto no Lula está muito consolidado.

O que dá para dizer sobre os candidatos da terceira via e sobre o Ciro em particular é que estão tentando encontrar um caminho de posicionamento estratégico que lhes dê a possibilidade de roubar votos dos dois primeiros nomes. Eles não vão crescer mais se não roubarem votos de Lula e Bolsonaro. Do contrário, tem pouco mercado político para ser disputado.

A notícia boa para o Ciro é que ele oscilou positivamente dois pontos. Ou seja, toda essa mobilização dos reacts em relação ao Moro parece que deu resultados positivos.

Ainda na terceira via, João Doria está mais perto de André Janones (Avante) que de Ciro e Moro. O que a pesquisa sugere sobre ele?

Primeiro, é bom ressaltar que o Janones faz sua estreia nesta pesquisa e já estreia bem, empatado com o governador de São Paulo, um desempenho impressionante. No Doria, chama a atenção a incapacidade que ele tem até aqui de alavancar seu nome, mesmo já tendo um grau de conhecimento no País muito elevado.

Se a gente pensar que não é o desconhecimento que explica essa baixa intenção de voto, mas de fato uma alta rejeição, o que dá para dizer é que o Doria dificilmente consegue melhorar seu desempenho trabalhando com as mesmas variáveis com as quais trabalha hoje, que são a defesa da vacina em São Paulo, a gestão de São Paulo e por aí vai.

Não é por aí que ele vai conseguir alavancar a candidatura.

E Bolsonaro? Há uma tendência de queda, estabilização ou crescimento?

Bolsonaro, hoje, está no mesmo patamar em que o Lula esteve em 1994 e em 1998. Ou seja, em fevereiro de 1994 e em fevereiro de 1998 o Lula tinha mais ou menos 20% de intenção de votos. Ao longo da campanha, o Lula cresceu – embora o FHC tenha vencido eleição no primeiro turno, o Lula não perdeu de 7 a 1.

A tendência natural de qualquer incumbente é melhorar o seu desempenho no último ano de governo. Se isso vai acontecer, não dá para dizer, mas a tendência é de que todo governo melhore no último ano.

Há meses Lula aparece com vantagem de pelo menos 20 pontos sobre os oponentes no segundo turno. Esse dado chama a atenção dos pesquisadores?

[Esse cenário] não muda mesmo. É uma estabilidade impressionante. A disputa entre Lula e Bolsonaro está no 50% a 30% há alguns meses. Isso só demonstra que as escolhas políticas que Bolsonaro fez ao longo do mandato repercutiram negativamente na sociedade, e isso, obviamente, tem consequências políticas e eleitorais.

O eleitor cristalizou a ideia de mudança e não de continuidade em relação a este governo especificamente. E aí, em um eventual segundo turno, o Lula consegue aglutinar muito mais forças políticas que o Bolsonaro.


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