Semana On

Segunda-Feira 23.mai.2022

Ano X - Nº 488

Poder

Bolsonaro viola lei e usa estrutura da Presidência em agenda de candidato

Reprovação do presidente no Nordeste vai de 56% a 61% em 1 mês

Postado em 11 de Fevereiro de 2022 - Josias de Souza e Leonardo Sakamoto (UOL) - Edição Semana On

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Pela lei, a realização de comícios e a propaganda eleitoral na internet só serão permitidas daqui a seis meses, em 16 de agosto. Mas Bolsonaro intensificou sua campanha. Viola a legislação em três frentes. Numa, converte hipotéticas inaugurações em eventos eleitorais. Noutra, utiliza a estrutura da Presidência para cumprir sua agenda de candidato. De resto, espalha propaganda nas redes sociais. A difusão ocorre nos perfis do próprio Bolsonaro, dos seus filhos, de ministros e de aliados.

A viagem de Bolsonaro ao Nordeste escancarou a atmosfera de campanha extemporânea. A pretexto de "inaugurar" trechos da transposição das águas do Rio São Francisco, uma obra que permanece inacabada há quatro governos, Bolsonaro xingou adversários em comícios, desfilou suas pretensões eleitorais em cima da carroceria de caminhonetes, posou para fotos e liderou uma "jeguiata".

Membro da comitiva de Bolsonaro, o ministro Fábio Faria (Comunicações) levou às redes sociais um videoclipe estrelado por Bolsonaro. Nele, ouve-se um jingle que apresenta o capitão como salvador do Nordeste. "Obrigado, meu querido presidente, pela água que o senhor mandou pra gente", entoa o cantor, em ritmo de forró. "Pra brotar água, leite, pão e mel precisava um Messias pra fazer..." O primogênito Flávio Bolsonaro repostou o clipe. Foi imitado por outros parlamentares bolsonaristas.

Chamado de "pau de arara" e "cabeça chata" por Bolsonaro, o nordestino ainda não enxergou o salvador que se esconde atrás do candidato. No Nordeste, segundo o Datafolha, a taxa de reprovação do governo é de 58%. E a aversão eleitoral a Bolsonaro bate em 67%. Quase sete em cada dez "cabras da peste" rejeitam a ideia votar no capitão.

No último dia 9, num dos comícios travestidos de atos oficiais de governo, o ex-senador Magno Malta (PL-ES) dirigiu à plateia um pedido explícito de voto. Algo expressamente vedado pela legislação eleitoral. "Precisamos reconduzir esse homem ao poder, à reeleição", declarou Malta, tendo Bolsonaro do seu lado. "Depois dele, outro conservador e depois outro conservador."

Em dois dias, Bolsonaro percorreu quatro estados do Nordeste, reduto de Lula. Antes de viajar, disse no cercadinho do Alvorada que só a despesa a ser lançada nos cartões corporativos da Presidência durante a viagem ficaria em algo como R$ 300 mil.

Reprovação no Nordeste

A avaliação negativa do governo Jair Bolsonaro (PL) na região Nordeste subiu de 56% para 61%, entre janeiro e fevereiro, de acordo com a pesquisa Genial/Quaest, divulgada no último dia 9. O presidente, que havia usado a expressão preconceituosa "pau de arara" para se referir a nordestinos na última quinta (3), voltou à carga hoje chamando o seu sogro cearense de "cabeça chata".

A avaliação positiva caiu de 19% para 16% do mês passado para cá, segundo as entrevistas que foram realizadas entre os dias 3 e 6 de fevereiro. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais.

Na média dos quatro cenários nacionais analisados para a disputa da Presidência da República, Lula aparece com 46%, Bolsonaro, 24%, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), 8%, e o ex-governador Ciro Gomes (PDT), 7%. O petista ganha em todos os cenários de segundo turno.

Quando se trata apenas do Nordeste, ele vai a 61% e Bolsonaro tem apenas 13%.

A pesquisa Quaest também perguntou aos entrevistados como ficou sua capacidade de pagar as próprias contas nos últimos três meses.

Em janeiro, 57% dos nordestinos apontavam que ela havia piorado. Agora, são 64% dos moradores dessa região que afirmam que a situação está mais difícil. Os que respondem que a situação melhorou foram de 19% em janeiro para 17% em fevereiro. Na média nacional, a sensação de piora foi de 51% para 53%.

Bolsonaro havia reduzido sua reprovação no Nordeste de 61% para 56%, entre dezembro de 2021 e janeiro deste ano, quando levantou-se a hipótese de que o pagamento do Auxílio Brasil poderia estar causando impacto. Agora, ele volta à pior avaliação desde o início da série informada pela Quaest.

Mesmo com o pagamento dos R$ 400 a famílias pobres, a situação não indica melhora. Entre os que ganham até dois salários mínimos no país, a sensação de piora na capacidade de pagar as próprias contas foi de 60% para 65%.

Bolsonaro está realizando, neste momento, novo périplo por estados do Nordeste em atividades que lembram uma pré-campanha eleitoral para tentar reduzir um pouco a diferença com Lula. Mas vem sendo criticado por pedir votos aos nordestinos enquanto os ofende semanalmente.


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