Semana On

Terça-Feira 17.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

O pulo de Kassab

A classe política começa a se acomodar mediante a falta de novidades das pesquisas eleitorais

Postado em 09 de Fevereiro de 2022 - Rafael Paredes

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Há uma máxima no Senado que é a seguinte: “Se o senador Renan Calheiros pular do vigésimo andar de um prédio em chamas, pode pular atrás, que lá em baixo tem água”. Desde os primeiros movimentos do ex-presidente Lula como pré-candidato ao Palácio do Planalto, Renan foi um dos primeiros a declarar apoio e entusiasmo.

Outra máxima, agora no jornalismo, é: “Eu não tenho certeza de quem ganhará às eleições. A certeza que tenho é que o Kassab será ministro”. O ex-prefeito Gilberto Kassab é uma das mais certeiras bússolas políticas do Brasil. Depois de ser deputado federal e prefeito de São Paulo, identificou o momento político e criou um partido puramente parlamentar, o PSD, em 2011. Kassab desidratou partidos de direita com cargos no governo Dilma Rousseff e desde então só se consolidou.

O PSD hoje é uma relevante força política de centro, administra capitais importantes como Rio de Janeiro e Belo Horizonte e, no Congresso Nacional, tem o segundo maior número de senadores (11) e a quarta maior bancada de deputados federais (35). Gilberto Kassab era próximo do governo Bolsonaro até identificar que o desastre provocado pelo presidente resultaria em expressiva rejeição.

Até duas semanas atrás, Kassab trabalhava para lançar uma candidatura à presidência da República pelo seu partido, mas o nome escolhido, o senador Rodrigo Pacheco, não demonstrou a energia necessária para a pré-campanha. O ex-prefeito então passou a cortejar o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Este nada mais é que um mau perdedor das prévias do PSDB.

Porém, Gilberto Kassab parece estar vivendo um conflito interno e o pragmatismo vem vencendo essa batalha espiritual. Dois pontos alicerçam a vitória do pragmatismo sobre o sonho: as pesquisas eleitorais e a jogadaça de Lula ter escolhido o ex-governador paulista Geraldo Alckmin para ser seu vice.

As pesquisas eleitorais vêm repetindo os mesmos números do ano passado e não apresentam novidade alguma: Lula lidera de forma isolada e com possibilidade de vitória no primeiro turno. Kassab olha esse cenário e pensa que pode ser o fiel da balança para a vitória de Lula já no primeiro tempo.

Com a definição de Alckmin, que está sem partido, como vice de Lula, o PSD tem uma porta aberta para a aliança com o PT. Por outro lado, o PT consegue assim passar o seu recado: Lula é a primeira e a terceira via do processo eleitoral ao mesmo tempo. Para grandes empresários do agronegócio, Lula afirmou que Geraldo Alckmin vai se filiar ao PSD de Kassab no mês que vem.

Renan pulou, Kassab está na janela.


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