Semana On

Segunda-Feira 16.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

Reinventando nossa capacidade de sonhar em 2022

‘Frustrar a catástrofe é realizar uma ação coletiva de liberdade’

Postado em 09 de Fevereiro de 2022 - Ricardo Moebus

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Uma tarefa inadiável para todos nós este ano de 2022 é reinventar nossa capacidade de sonhar e produzir outras realidades possíveis aqui no Brasil. É por isso que “As Verdades Nômades” é um dos livros que precisam ser lidos ou relidos neste ano decisivo. Cito abaixo dez trechos, excertos que comprovam esta pertinência de Toni Negri e Félix Guattari para este ano em que precisamos reconstruir sonhos e vidas em um país que foi sequestrado nos últimos anos.

“Todas as revoluções foram traídas e nosso futuro parece carregado de uma inércia histórica insuperável.”

“Os economistas de cabeça oca ditam a lei em todos os continentes. O planeta é inexoravelmente devastado. Antes de tudo, devemos reafirmar não ser verdade que existe apenas uma via, a do imperium das formas capitalistas e socialistas de trabalho.”

“Frustrar a catástrofe é realizar uma ação coletiva de liberdade. A vida cotidiana se tornou fremente de medo.”

“Trata-se agora de um medo transcendental, que infiltra a morte nas consciências individuais e polariza toda a humanidade em um ponto de catástrofe. Promovida à interdição fundamental, a esperança é banida desse universo lúgubre.”

“A palavra coletiva – palabre, festa do logos ou cúmplice concertamento – foi expropriada pelo discurso dos meios de comunicação de massa. As relações entre os homens são marcadas pela indiferença”

“O que está fundamentalmente em causa é a capacidade das comunidades, das raças, dos grupos sociais, das minorias de qualquer tipo de conquistar uma expressão autônoma.”

“Trata-se igualmente de apoiar os processos de emergência e de ampliação dos projetos de liberação, ou seja, de uma reconquista do controle sobre o tempo de produção, que é o essencial do tempo da vida.”

“Singularidade, autonomia e liberdade são as três linhas de aliança que vão se entrelaçar no novo punho erguido contra a ordem capitalista e/ou socialista.”

“A família, a vida pessoal, o tempo livre e talvez mesmo a fantasia e o sonho, tudo apareceu doravante assujeitado às semióticas do capital, conforme regimes de funcionamento mais ou menos democráticos, mais ou menos fascistas, mais ou menos socialistas.”

“Generalizando a exploração para todos os níveis da sociedade e da vida humana, essa redefinição do produzir gerou cargas adicionais de sofrimento e pôs à luz novos tipos de conflito político e micropolítico.”


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