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Quinta-Feira 19.mai.2022

Ano X - Nº 487

Poder

PoderData: Lula chega a 42% das intenções de voto; adversários, somados, têm 45%

Lula cresce 10 pontos entre os evangélicos em um mês; Bolsonaro cai

Postado em 21 de Janeiro de 2022 - Carta Capital, Leonardo Sakamoto e Kennedy Alencar (UOL) – Edição Semana On

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Pesquisa PoderData divulgada no último dia 20 indica que o ex-presidente Lula (PT) mantém folgada liderança da corrida rumo à Presidência em outubro. Ele aparece com 42% das intenções de voto – todos os adversários, somados, chegam a 45%, o que indica possibilidade de vitória do petista no 1º turno.

Jair Bolsonaro (PL) é o 2º colocado, com 28%. A seguir, aparecem Sergio Moro (Podemos), com 8%; Ciro Gomes (PDT), com 3%; João Doria (PSDB) e André Janones (Avante), com 2% cada; Alessandro Vieira (Cidadania) e Simone Tebet (MDB), com 1% cada. Luiz Felipe D’Ávila (Novo) e Rodrigo Pacheco (PSD) não chegaram a 1%.

Na rodada anterior, entre 19 e 21 de dezembro, Lula tinha 40%, ante 30% de Bolsonaro. Moro marcava 7%, Ciro e Doria 4% cada.

As projeções de 2º turno indicam vitória de Lula em qualquer cenário:

- contra Bolsonaro, por 54% a 32%;

- contra Moro, por 49% a 26%;

- contra Ciro, por 47% a 19%;

- e contra Doria, por 48% a 16%.

Bolsonaro (38%), por sua vez, aparece tecnicamente empatado com Ciro (42%). O ex-capitão (34%) repete o cenário na disputa com Moro (33%).

A pesquisa PoderData foi realizada por meio de ligações para telefones celulares e fixos. Foram 3.000 entrevistas em 511 cidades nas 27 unidades da Federação de 16 a 18 de janeiro de 2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Lula cresce 10 pontos entre os evangélicos em um mês; Bolsonaro cai

A pesquisa mostra ainda que Lula cresceu 10 pontos percentuais entre os evangélicos desde dezembro e empata tecnicamente, nesse segmento, com Bolsonaro.

O ex-capitão tem 40% do eleitorado evangélico, enquanto Lula atinge 36%. No mês passado, Bolsonaro liderava por 43% a 26%.

Entre católicos, Lula lidera por 46% a 21% – em dezembro, Bolsonaro chegava a 29%.

Em uma projeção de 2º turno, Lula chegaria a 47% entre os evangélicos, mesmo percentual de Bolsonaro. Entre os católicos, o petista venceria com folga: 56% a 25%.

Voto 'fechado' em Lula superou numericamente rejeição pela 1ª vez

Desde a recuperação de seus direitos políticos, a trajetória do ex-presidente Lula vem apontando um aumento lento e gradual nas intenções de voto e na redução da rejeição a seu nome. Em nova etapa desse processo, o total de eleitores que votariam nele com certeza (44%) ultrapassou numericamente os que nunca votariam nele (43%), segundo pesquisa Ipespe divulgada no último dia 14.

Por mais que a margem de erro seja de 3,2 pontos percentuais, o que significa um empate técnico entre os dois índices, o aumento no apoio e a redução na rejeição do petista tem sido consistente desde abril do ano passado, quando 47% repudiavam o voto no ex-presidente enquanto 31% afirmavam que o escolheriam com certeza.

O ponto de inflexão foi a decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou as condenações contra Lula após diálogos entre procuradores da força tarefa da operação Lava Jato com o então juiz federal Sergio Moro virem a público mostrando que não foram isentos. Posteriormente, o STF considerou que Moro, hoje pré-candidato à Presidência pelo Podemos e adversário declarado de Lula, foi parcial e tendencioso no processo.

As informações sobre os diálogos se tornaram públicas através da Vaza Jato, série de reportagens coordenada pelo site The Intercept e publicadas também por outros veículos da imprensa.

Enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro vem enfrentando a situação oposta. Em abril de 2021, 56% não consideravam votar nele nem que a vaca tussa e 28% iriam com ele com certeza. Hoje, a diferença aumentou para 64% a 25%.

Também é de 25% a sua intenção de voto espontânea, ou seja, aquela em que os entrevistados respondem sem que opções de candidatos sejam apresentadas a eles, o que mostra uma posição mais consolidada.

Coincidentemente, na pesquisa estimulada, Jair também surge com 24% e 25%, dependendo do cenário. Isso reforça que o presidente conta uma base confiável, formada por seus apoiadores fiéis (o chamado "boslonarismo-raiz") somados a aliados de seu governo, como parte do agronegócio e do extrativismo, policiais e militares, determinados grupos religiosos, milicianos, entre outros.

Com base nos dados da pesquisa Ipespe, quem vota em Bolsonaro conhece bem o presidente e, provavelmente, vota nele por conta do que ele diz e representa. Em suma, Bolsonaro tem fãs e sócios, não tem simpatizantes.

A taxa de 25% é baixa para um presidente que busca a reeleição, mas alta o bastante para afastar uma terceira via do segundo turno.

Isso não é aleatório. Bolsonaro vem cultivando essa base desde o primeiro dia de governo, defendendo pautas e adotando medidas que a agrada e modulando seu discurso às suas opiniões. O combate à imunização de crianças entre 5 e 11 anos, que atrasou o início da proteção desse grupo, é um dos exemplos.

Ele conta que, num segundo turno, vai reunir uma frente antipetista contra Lula. A redução da rejeição ao ex-presidente pode melar os planos de Jair.

Lula tem 35% na pesquisa espontânea e 44% nos dois cenários da estimulada. Moro chega a 9% em um cenário com o ex-governador Ciro Gomes (PDT), que aparece com 7%. Sem Moro, Ciro surge com 9%.

Lula e Alckmin querem atrair PSD de Kassab para fechar chapa em 2022

Na articulação para a chapa Lula-Alckmin, o movimento mais recente é a tentativa de atrair o PSD de Gilberto Kassab para uma eventual aliança. Lula e Geraldo Alckmin têm atuado nesse sentido.

A eventual filiação de Alckmin ao PSB já está bem encaminhada. Mas Lula e o ex-governador paulista, pensando numa aliança que seja forte eleitoralmente e sirva de embrião para a governabilidade de futura administração, querem a participação do PSD.

Kassab, que lançou a pré-candidatura a presidente de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, está conversando nos bastidores sobre a hipótese de filiar Alckmin ao PSD e indicá-lo como vice de Lula.

Nesse caso, Alckmin agregaria um apoio político conservador às alianças tradicionais que o PT costuma fazer. O PSB, por exemplo, foi parceiro dos petistas em campanhas presidenciais.


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