Semana On

Quinta-Feira 11.ago.2022

Ano X - Nº 499

Coluna

Um café frio para Bolsonaro

Quando não se tem mais poder, nem café quente é mais oferecido

Postado em 20 de Janeiro de 2022 - Rafael Paredes

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O presidente Jair Bolsonaro já começa a amargar no primeiro mandato o que seus antecessores vivenciaram apenas no segundo: a iminente total perda de poder político. Ao escolher motocicletas, redes sociais, jetskis ao invés de governar, o mandatário acumula rejeições e desidrata nas pesquisas eleitorais.

Órgãos do Governo Federal já encontram dificuldades para contratar bolsonaristas como prestadores de serviços. Os poucos que ainda restam apresentam pouca qualificação. Quando encontram profissionais aparentemente neutros ou discretos na contrariedade com esse governo, já está valendo. Em 2019, ser bolsonarista era classificatório e eliminatório.

Outro sinal de alerta é o desânimo dos líderes da Igreja Universal do Reino de Deus com o Poder Executivo Federal. Como se pode pregar prosperidade sem tê-la? Com 20 milhões de pessoas passando fome e 14 milhões de desempregados, as igrejas que dependem do dízimo dos fiéis para suas atividades ficam igualmente à míngua. Esses líderes afirmaram em off que Bolsonaro prefere proteger os filhos a trabalhar pelo povo.

Os militares, ao cobrarem e incentivarem a vacinação da tropa, passaram um claro recado a sociedade: respeito a ordem democrática, às instituições e a eleição. A caserna também não seguiu a ordem do presidente de emitir nota sobre a exigência da vacina e não proibiu o presidente da ANVISA, contra-almirante da Marinha Antônio Barra Torres, de desancar Bolsonaro com sua carta pública. O alto escalão das Forças Armadas admite que acena com discrição ao líder nas pesquisas: o ex-presidente Lula.

Para encerrar mais uma amarga semana de Bolsonaro “O Breve”, um ex-assessor do presidente, e amigo da família há mais de 30 anos, deu uma entrevista à revista Veja. Waldir Ferraz, conhecido como Jacaré, ao responder as perguntas, confirmou a existência de um esquema de rachadinhas nos gabinetes do então deputado federal e hoje presidente e de seus filhos políticos.

Para amenizar a verborragia, Jacaré afirmou que o amigo presidente não sabia de nada e que quem comandava o esquema era sua ex-mulher, Ana Cristina Valle. Mas agora o estrago já está feito. Triste vida de fim de mandato, ainda mais um tão trágico. Nem um café quente é servido.


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