Semana On

Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Brasil

81% dos brasileiros apoiam passaporte vacinal

Atacado por Bolsonaro, passe sanitário poupa 4 mil vidas e € 6 bi na França

Postado em 20 de Janeiro de 2022 - DW, Jamil Chade (UOL) – Edição Semana On

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Em vigor há alguns meses em muitos países da Europa, o chamado "passaporte vacinal" é aprovado por ao menos 81% dos brasileiros para ingresso em lugares fechados, como bares, restaurantes e repartições públicas. O dado é de uma pesquisa divulgada no último dia 17 pelo Instituto Datafolha, que também aponta que 18% são contrários à exigência, enquanto 1% não tem opinião formada sobre o tema.

O passaporte vacinal é um documento que comprova que a pessoa foi completamente vacinada contra o coronavírus. No Brasil, ele é emitido por sites e aplicativos das secretarias estaduais da Saúde ou pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A pesquisa foi feita entre os dias 12 e 13 de janeiro, por telefone, com pessoas acima de 16 anos, de todos os estados, e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Com 87% a favor, as mulheres e os idosos acima de 60 anos são os dois grupos que mais apoiam a obrigatoriedade de apresentação do comprovante. Eles são seguidos pelas pessoas que têm ensino fundamental completo (86%) e pelas que ganham até dois salários mínimos mensais (85%).

Em contrapartida, os grupos que mais rejeitam a medida são homens, com 24%, seguidos pelas pessoas de 25 a 34 anos (22%) e pelas que recebem mais de 10 salários mínimos por mês (28%).

Dentre as diferentes regiões do país, o Sudeste é a que apresenta a maior aprovação ao passaporte vacinal, com 84%. Já o Sul tem o menor índice de aceitação, com 75%.

Em termos religiosos, os espíritas (87%) e os católicos (85%) são os que mais apoiam a iniciativa, enquanto os evangélicos (76%) são os menos favoráveis.

Os empresários são a categoria profissional que menos aprova a ideia (60%). Já as donas de casa são as mais favoráveis (90%). Junto com os aposentados (47%), as donas de casa também formam o grupo que mais tem medo de contrair covid-19 (50%). Os empresários são os que menos temem (28%).

Apenas 4% dos entrevistados acreditam que a pandemia esteja totalmente controlada. Para 48%, ela está controlada em parte. Há um mês, esse percentual era de 68%, ou seja, cresceu o número de pessoas que acreditam que a pandemia está menos controlada: de 20%, em dezembro, para 45% em janeiro.

Maioria acredita que presidente dificulta vacinação de crianças

Enquanto a maioria (81%) respondeu que usa máscara fora de casa - apenas 3% usam raramente e 2% não usam -, o levantamento também indicou que 25% acreditam que o presidente Jair Bolsonaro censura o uso de máscaras e questiona a eficácia de vacinas.

Para 58% dos brasileiros, Bolsonaro "age mais para atrapalhar do que para ajudar" na campanha de imunização contra a covid-19 em crianças de 5 a 11 anos.

Ao menos 79% dos entrevistados são favoráveis à vacinação de crianças contra o coronavírus, enquanto 17% se opõem e 4% não responderam.

Atacado por Bolsonaro, passe sanitário poupa 4 mil vidas e € 6 bi na França

Alvo de intenso debate, atacado pelo presidente Jair Bolsonaro e até gerando protestos pela extrema-direita, o passaporte sanitário salvou vidas e permitiu uma economia bilionária onde foi usado. Essa é a conclusão de um estudo realizado por um orgão oficial do governo francês de Emmanuel Macron, que instaurou a exigência do passaporte ainda em meados de 2021.

De acordo com o levantamento realizado pelo Conselho de Análise Econômica, 4 mil mortes puderam ser evitadas, com a exigência de que uma pessoa prove que está vacinada ou sem covid para entrar em restaurantes, bares, museus, cinemas e órgãos públicos. O que se constatou é que, diante das restrições, milhões de pessoas optaram por se vacinar, reduzindo os riscos individuais e para a transmissão.

O estudo encomendado pelo governo francês também concluiu que, em menos de 6 meses, o país economizou 6 bilhões de euros ao evitar internações e complicações relativas a covid-19.

No último fim de semana, o governo passou uma nova lei transformando o passe sanitário em passaporte vacinal. Na prática, o acesso a estabelecimentos comerciais apenas ocorrerá se uma pessoa tiver as 3 doses da vacina completadas. Testes de PCR ou antígenos já não serão suficientes.

Philippe Martin, chefe do Conselho, explicou que as conclusões foram feitas depois de comparar os dados franceses com a curva de vacinação e de casos na Alemanha e Itália, onde o passe sanitário não foi estabelecido naquele momento.

Para ele, a vacinação teria aumentado de todas as formas neste período. Mas, segundo o estudo, a velocidade foi maior, diante da obrigação. De acordo com o estudo, sem o passaporte sanitário, a taxa de vacinação na França teria terminado 2021 com 65,2%. Com a exigência, o patamar atingiu 78%.

Crescimento da economia

O estudo também concluiu que o passaporte conseguiu evitar perdas equivalentes a 6 bilhões de euros.

"Há dois mecanismos pelos quais o passe sanitário pode ter um impacto sobre a atividade econômica: diretamente porque se você for vacinado, ficará mais tranquilo, portanto terá mais interação social e mais atividade econômica. E indiretamente, porque sabemos que quando há muitas internações em hospitais e unidades de terapia intensiva, é quando o governo é obrigado a impor restrições muito mais rígidas que têm um impacto muito negativo sobre a economia. Isto é o que temos evitado", diz Philippe Martin.

Sem a medida, o número acumulado de internações teria aumentado em 31% e o número de pacientes na UTI seria 45% maior.

Em sua avaliação, a vacina foi em parte responsável pelo crescimento na economia francesa, na segunda metade de 2021.


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