Semana On

Quarta-Feira 18.mai.2022

Ano X - Nº 487

Saúde

Ômicron não é última variante e deixar cepa circular é risco, alerta OMS

Novas infecções no Brasil aumentaram em 193% em uma semana

Postado em 20 de Janeiro de 2022 - Jamil Chade (UOL) - Edição Semana On

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Novos dados publicados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) alertam que o mundo registrou, entre os dias 9 e 16, um total de quase 19 milhões de novos casos da covid-19. O novo recorde é duas vezes maior que o índice detectada na primeira semana de janeiro. Em apenas uma semana, o aumento foi de 20%.

Mas a agência insiste: a variante ômicron, que está causando essas infecções, não será a última e ninguém sabe quais são as consequências de deixar o vírus circular. Na avaliação da OMS, não há sequer ainda como saber quantas doses serão necessárias para que uma pessoa esteja protegida e de que forma doses de reforço fazem sentido, se uma parcela do planeta sequer recebeu a primeira vacina.

Para a entidade, o volume inédito de novos casos está gerando uma pressão sobre os serviços de saúde e mantendo a taxa de mortes em um patamar de 45 mil casos na semana. A OMS destaca que, ainda que a taxa de óbitos tenha se estabilizado, ela é "inaceitavelmente elevada".

Mike Ryan, diretor de operações da OMS, criticou a narrativa de certos governos de que a variante ômicron é suave. Já Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, também pede cautela. "O número de mortes está estável por enquanto. Mas estamos preocupados com o impacto que a variante pode ter nos sistemas de saúde", alertou.

Segundo ele, alguns países parecem ter atingido um pico na contaminação e existe a esperança de que "o pior passou". "Mas ninguém está fora de risco", disse.

Um dos temores da OMS é de que, nas populações não vacinadas, o impacto seja importante. "A variante pode ser menos severa. Mas a narrativa de que é suave é equivocada e causa mais morte", alertou. "Nesse momento, a vacina é fundamental", disse.

Enfático diante de sinais de que governos poderiam estar jogando a toalha, Tedros insistiu: "a ômicron está gerando mortes, hospitalizações e superlotando serviços".

Na avaliação da cúpula da OMS, as "próximas semanas serão críticas". A agência, portanto, pede que governos mantenham medidas para restringir a circulação do vírus. "Não é hora de desistir e levantar a bandeira branca", afirmou.

Tedros ainda atacou ideias que estão sendo disseminadas de que a crise está em seu final. "A pandemia não está nem perto de terminar e novas variantes podem aparecer", disse.

O mesmo tom foi usado por Maria van Kerkhove, diretora técnica da OMS. "Tem gente que diz que essa é a última variante. Esse não é o caso. Essa não será a última variante. O vírus está circulando", insistiu.

Ela ainda fez um apelo para que governos não desistam de medidas de contenção. "Não abandonem a ciência", disse. "Não podemos acreditar em falsas esperanças. Trata-se de um vírus perigoso", insistiu.

Já o representante da OMS para vacinas, Bruce Aylward, fez questão de alertar que, se governos abandonarem as medidas de controle, a transmissão será ainda maior. "Não sabemos quais são as consequências de deixar circular", completou.

Novas infecções no Brasil aumentaram em 193%

O número de pessoas infectadas pela covid-19 no Brasil aumentou em 193% em uma semana, com quase meio milhão de casos. Os dados usaram apenas os registros conhecidos de dados oficiais.

O país vive uma situação de subnotificação de casos após um apagão nos sistemas do Ministério da Saúde e em meio à escassez de testes -- a Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) orienta priorizar a testagem de pacientes com sintomas graves, por causa do risco de desabastecimento.

Mesmo assim, a taxa de expansão é uma das mais altas no período avaliado e bem acima da média mundial de 20%.

De acordo com a OMS, a variante ômicron é a responsável por esse "tsunami" de casos. Ainda que a taxa de mortos tenha se mantido estável em 45 mil óbitos na semana, a agência insiste que não há como declarar a variante como "suave".

Para fazer seu levantamento, a OMS conta com os dados nacionais, fornecidos por cada um dos governos. Com falta de testes e um apagão de dados, a situação brasileira é considerada por alguns técnicos dentro da agência como preocupante.

A liderança ainda da semana é dos EUA, com 4,6 milhões de novos casos. O volume foi equivalente às taxas dos sete dias que antecederam ao novo cálculo.

A segunda posição é da França, com 2 milhões de casos e um aumento de 26%.

Na Índia, com 1,5 milhão de novas infecções, a expansão na semana foi de 150%, contra um aumento de 25% na Itália onde 1,2 milhão de casos foram registrados.

Nas Américas, a alta foi de 17%. Mas locais como Martinica, El Salvador e Equador tiveram aumentos de 638%, 365% e 308%, respectivamente.

Em números absolutos, os americanos são seguidos pelos argentinos, com 767 mil casos e um aumento de 73%.

O Brasil aparece na terceira posição na região, com 476 mil novos casos e um aumento de 193% em comparação aos sete dias que antecederam o novo informe da OMS.

O número de mortes também subiu nas Américas, superando 15 mil óbitos na semana. O aumento foi de 7%. Nos EUA, foram 10,4 mil mortes, uma queda de 5%. O Brasil vem em segundo lugar, com um aumento de 27%.

Apesar da situação preocupante em relação aos registros de casos no Brasil, houve períodos, no ano passado, em que os números estavam mais altos. Segundo levantamento da OMS, na semana de 22 de março de 2021, foram mais de 533 mil notificações. Em 21 de junho, mais de 521 mil.


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