Semana On

Domingo 23.jan.2022

Ano X - Nº 475

Brasil

Cai por terra outra mentira de Bolsonaro sobre o preço do combustível

‘Se pudesse, ficava livre da Petrobras’, diz o presidente, que deveria administrar o país e não se omitir

Postado em 12 de Janeiro de 2022 - Ricardo Noblat (Metrópoles), UOL - Edição Semana On

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Quantas vezes você não ouviu o presidente Jair Bolsonaro dizer que os governadores são culpados pelo aumento frequente do preço dos combustíveis?

Então, os governadores congelaram por 90 dias o valor do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), tributo que incide sobre produtos de diferentes tipos.

Desde o último dia 12, vigora o novo aumento de 8% nos preços do diesel nas refinarias, e de 4,85% na gasolina vendida às distribuidoras.

Para o Coordenador do Fórum de Governadores, Wellington Dias (PT-PI), o novo aumento deixa claro que a responsabilidade pela alta de preços é da Petrobras: “Sempre sustentamos que o valor do combustível tem a ver com a dolarização do petróleo e a vinculação feita no Brasil. O próprio presidente da Petrobras reconhece isso”.

Preparem o bolso! O diesel passará de R$ 3,34 para R$ 3,61 por litro, enquanto a gasolina subirá de R$ 3,09 para R$ 3,24 por litro.

Se pudesse, ficava livre da Petrobras, diz Bolsonaro após alta da gasolina

Enquanto isso, o presidente faz o que faz de melhor: transfere responsabilidades. Bolsonaro negou ter responsabilidade sobre o preço dos combustíveis e disse que, se pudesse, ficaria livre da Petrobras.

"Alguém acha que eu sou o malvadão, que foi aumentado o preço da gasolina e do diesel ontem porque sou o malvadão? Primeiro que não tenho controle sobre isso. Se pudesse, ficaria livre da Petrobras", disse ele em entrevista ao site Gazeta Brasil transmitida ao vivo nas redes sociais.

De acordo com a Petrobras, o reajuste é para evitar o risco de desabastecimento.

A alta no preço dos combustíveis foi um dos principais fatores para a inflação de 10,06% em 2021, de acordo com o gerente do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), Pedro Kislanov. Durante o ano, a gasolina acumulou alta de 47,49% em 2021, e o etanol, de 62,23%.

Na mesma entrevista, Bolsonaro também afirmou que a crise hídrica influenciou os valores. "Enfrentamos, além da covid, uma crise de água enorme, que influenciou no preço do combustível. Daí, aparecem as bandeiras, amarela, vermelha. Quem decide as bandeiras não sou eu, é a Agência Nacional de Energia Elétrica, agência independente criada em 1999".

Durante seu governo, Bolsonaro coleciona uma série de atritos com a Petrobras. Em dezembro de 2021, a empresa precisou informar que não antecipa decisões de reajuste após o presidente dizer que a estatal anunciaria uma redução nos preços dos combustíveis ainda naquele mês.

Em novembro do ano passado, a Petrobras também se pronunciou após Bolsonaro afirmar que havia entrado em contato com a equipe econômica para privatizar a estatal. Em nota, a empresa informou que havia consultado o Ministério da Economia sobre a existência de estudos sobre sua privatização, mas que a resposta foi negativa.

No começo de 2021, Bolsonaro demitiu o então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que foi substituído pelo general Joaquim Silva e Luna.

Inflação

O presidente também tentou justificar a inflação de 2021, que fechou o ano em 10,06%, bem acima do teto da meta, de 5,25%.

Bolsonaro ressaltou que em 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também ficou acima de 10%.

O chefe do Executivo também voltou a dizer que a inflação é resultado da pandemia de covid-19 e da "política do fique em casa", em referência às medidas de isolamento social para tentar controlar a disseminação do coronavírus.


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