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Terça-Feira 17.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

Na fotografia de hoje, Jair Bolsonaro aparece derrotado e abandonado

Militares flertam com Sérgio Moro. Centrão usufrui o poder enquanto planeja o desembarque: Bolsonaro radicaliza para mobilizar a tropa

Postado em 10 de Janeiro de 2022 - Rafael Paredes

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Este ano é derradeiro. Quem não governou, não governa mais; quem plantou vento, vai colher tempestade; quem só angariou rejeição, não reverte mais; quem joga parado, vem liderando. Não é que o ex-presidente Lula lidere as pesquisas nem que ele lidere isolado. As primeiras pesquisas deste ano apontam para uma vitória no primeiro turno.

Todos os espectros políticos demonstram com muita clareza que sentiram o golpe. A carta em tom pessoal do presidente da ANVISA, Antônio Barra Torres, desancando o presidente Jair Bolsonaro, foi uma humilhação calculada. Barra Torres é contra-almirante da Marinha e humilhou o presidente nos aspectos moral, ético, religioso e também no que tange à medíocre carreira militar do capitão.

Barra Torres se sentiu autorizado dentro da carreira militar para, além de nas entrelinhas questionar o presidente em todos esses aspectos, pedir uma retratação pública. O presidente da Agência emitiu essa nota em defesa da instituição, que foi alvo de ilações de Bolsonaro.

Os militares viram a fotografia eleitoral  e já estão pulando para o barco do ex-ministro Sérgio Moro. Este foi descrito pela jornalista Mariliz Pereira Jorge como o candidato coach. Igual aquele coach espiritual, que levou um grupo de incautos a subir 2.400 metros no Pico dos Marins, em São Paulo, pagando um valor alto, para serem resgatados pelos bombeiros ao final da aventura.

Outra definição interessante da candidatura de Moro, que saiu na imprensa, é a “candidatura Rafa Kalimann”: só a Globo vê graça. Na fotografia, Moro cumpre a previsão, patina nas pesquisas e foge do debate com o ex-governador Ciro Gomes como o diabo foge da cruz.

E o Centrão sempre Centrão. O Centrão está fazendo a maior festa da história. No governo de um presidente que não quer governar, só quer fazer lives, arrumar encrenca no Twitter, andar de motocicleta e colaborar com a pandemia, os partidos mais fisiológicos do país já comandam a Casa Civil e conseguiram que o presidente desautorizasse o ministro da Economia, Paulo Guedes.

O Centrão já desembarcou desse governo no Nordeste e no resto do país não será diferente. Diante de todo esse cenário, o presidente da República pode desistir de concorrer à reeleição alegando alguma tolice para esconder a covardia. Mas, antes disso, radicaliza ao novamente mentir que teria vencido no primeiro turno de 2018, volta a atacar ministros do Supremo Tribunal Federal, mente sobre vacinas para crianças e tece sua cortina de fumaça com o intuito de eclipsar o Brasil real.


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