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Ano X - Nº 487

Auau Miau

Em raras infecções por Sars-CoV-2, maioria dos pets permanece assintomática

Resultados preliminares de estudo brasileiro indicam que a taxa de replicação do vírus em animais domésticos é baixa e que eles não contribuem para transmissão do microrganismo

Postado em 15 de Dezembro de 2021 - Redação Semana On

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Em busca de entender melhor como o coronavírus Sars-CoV-2 se comporta em animais domésticos, pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) avaliaram amostras de cães e gatos e concluíram que a maioria dos pets, quando raramente infectados, não apresenta sintomas de Covid-19.

Organizado por Bruna Duarte Pacheco, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PPGCA) da universidade paranaense, o estudo coletou amostras de 55 animais, sendo 45 cães e 10 gatos. Os bichos foram divididos em dois grupos: aqueles que tiveram contato com pessoas diagnosticadas com Covid-19 e os que não tiveram.

Exames moleculares mostraram que 85,5% dos animais testaram negativo mesmo estando em contato com pessoas infectadas pelo vírus. Já 10,6% dos pets que estiveram com tutores adoentados apresentaram resultados positivos para o Sars-CoV-2 — porém, permaneceram sem sintomas de Covid-19. Vale lembrar que os bichos não transmitem o novo coronavírus aos humanos.

Para Marconi Rodrigues de Farias, professor da Escola de Ciências da Vida da PUCPR que participou do estudo, é possível que os cães e gatos, assim como crianças, tenham receptores para o capsídeo viral, uma cápsula de proteínas que envolve o vírus. Isso impede que grande carga do agente infeccioso entre nas células.

“Pelo fato de o vírus ter baixa taxa de replicação no organismo de cães e gatos, os animais não contribuem para a perpetuação e disseminação do Sars-CoV-2. Até o momento, pode-se afirmar que eles têm baixo potencial no ciclo epidemiológico da doença”, afirma o médico veterinário.

Segundo Farias, a pesquisa é relevante pois pode ajudar a explicar como o coronavírus age no organismo dos animais domésticos, também permitindo avaliar quais são os fatores epidemiológicos de risco para a Covid-19 e as possíveis mutações para infecções em cães e gatos.


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