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Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Poder

Alto índice de rejeição é ducha de água fria para Moro

Rejeição do ex-juiz só é menor do que a de Bolsonaro, diz pesquisa

Postado em 10 de Dezembro de 2021 - Getulio Xavier (Carta Capital), UOL – Edição Semana On

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A rejeição à candidatura do ex-juiz Sergio Moro (Podemos) só é levemente menor do que a do presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo a nova pesquisa Quaest, divulgada no último dia 8.

Enquanto 63% disseram que conhecem, mas não votariam no ex-capitão em 2022, 61% marcaram a mesma opção para o ex-juiz.

Bolsonaro e Moro foram aliados em 2018 e, desde que o ex-ministro deixou o governo, tem sido atacado por boa parte dos bolsonaristas, que o veem como ‘traidor’. Na ala mais à esquerda, o ex-juiz nunca agradou, já que foi o responsável pela prisão do ex-presidente Lula, minando as chances do petista voltar ao poder nas últimas eleições.

O levantamento também mediu a rejeição aos nomes de Lula (PT), apontado como favorito nas eleições do ano que vem pela mesma pesquisa, Ciro Gomes (PDT), João Doria (PSDB), Rodrigo Pacheco (PSD) e Felipe D’avila (Novo).

Entre eles, o mais rejeitado é Doria, com 59%. Ciro vem logo em seguida, com 55% e Lula aparece um pouco mais distante, com 43%.

Pacheco e D’avila têm a menor rejeição, mas também são os menos conhecidos. Ao todo, 57% disseram que não sabem quem é Pacheco e 74% disseram não conhecer o pré-candidato do Novo; 36% indicaram que conhecem o senador do PSD, mas não votariam nele e 21% marcaram a mesma opção para D’avila.

A pesquisa Quaest foi realizada com base em 2.037 entrevistas presenciais entre os dias 2 e 5 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o índice de confiança é de 95%.

Ducha de água fria

A pesquisa da Quaest traz boas notícias para Lula, alívio para Jair Bolsonaro e uma ducha de água fria para Sergio Moro.

Lula é, entre os candidatos, o que mais tem motivos para comemorar. Segundo a Quaest, se a eleição fosse hoje, o petista ganharia no segundo turno em todos os cenários propostos. Bolsonaro ficou mais ou menos na mesma na pesquisa, mas a estabilidade, para o presidente, a essa altura já é grande coisa. Sua aprovação oscilou para cima e a desaprovação diminuiu fora da margem de erro.

Já Sergio Moro não devia esperar por essa.

Um mês depois de anunciar sua entrada na disputa pelo Planalto, o ex-juiz, segundo a Quaest, está praticamente onde estava antes de se declarar candidato. No melhor cenário da pesquisa, ele tem 11% das intenções de votos — apenas três pontos percentuais a mais do que tinha no último levantamento da consultoria e ainda a 13 pontos percentuais de distância de Bolsonaro, o segundo colocado.

Pior: de acordo com a a Quaest, o ex-juiz da Lava Jato tem astronômicos 61% de rejeição. O índice coloca Moro tecnicamente empatado com Bolsonaro no ranking dos candidatos em quem os eleitores dizem que "conhecem e não votariam".

Pesquisas que vêm sendo conduzidas por outros institutos e equipes de candidatos estão em linha com o levantamento da Quaest. Uma delas, em que a popularidade do ex-juiz também não se move (apenas oscila para cima em relação a novembro), embute um dado importante: o índice de rejeição de Moro, embora não tão alto quanto o da Quaest, está concentrado na região Sudeste, o maior colégio eleitoral do país, sem o qual candidato nenhum tem chances.


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