Semana On

Quinta-Feira 19.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

Da vergonha à morte

Como o governo Bolsonaro é percebido pelas diferentes classes sociais brasileiras

Postado em 09 de Dezembro de 2021 - Rafael Paredes

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É muito comum em encontros e clubes sociais em Brasília a formação de rodinhas de conversa onde a classe média, os funcionários públicos concursados falam da vergonha que sentem toda vez que o presidente da República abre a boca. Chegam a chamá-lo de mal educado. Um ou outro, mais revoltado, esbraveja sobre o preço da carne, dos combustíveis e os salários congelados.

O mal estar referente ao governo não reside apenas a uma bolha do espectro político-ideológico de esquerda, a avaliação negativa ao presidente, em Brasília, é um vapor também sentido nos altos escalões até dos ministérios. Funcionários de carreira, técnicos que tem cargos comissionados reconhecem que esse é um governo muito ruim e indefensável.

Com esse bafo quente de um governo tão ruim, passa a ser incompreensível ainda apoiar o presidente Jair Bolsonaro estando no Centro do Poder. Como pessoa jurídica, empresário, dentre outros, a neutralidade ou o respeito ao cargo é compreensível. Como indivíduo que paga as contas, não dá mais.

No interior do país, onde a informação só chega pelos meios de comunicação de massa ou por uma turbinada rede de fakenews é compreensível que ainda residam os fanáticos pelo presidente. Por não estarem imersos no clima de Brasília, caem facilmente em lorotas como do voto impresso, dos banheiro unissex, da linguagem neutra, do fantasma do comunismo e outras bobagens.

Os arrependidos, os remediados, a classe média, os indígenas e os mais pobres sentem de forma diferente na pele as consequências do governo Bolsonaro.

Porém, a forma com que o Brasil profundo percebe a omissão do Governo Federal é fatal. Com a forte diminuição dos casos de morte por covid, emergem os números de outras mortes. Na mesma semana em que o presidente Jair Bolsonaro afirmou em um encontro com ricassos que o Brasil deve a empresários e que é muito difícil ser patrão no país, a emissora de rádio Band News estreou uma série de reportagens sobre a fome.

Na reportagem de estreia, a Band News exibiu a entrevista de um professor de escola pública do Rio de Janeiro. Se os funcionários públicos de Brasília percebem este governo com vergonha, as crianças da periferia carioca compreendem o momento atual com gosto de ratazana na boca. “O que parece impossível de acontecer no nosso meio, é muito comum no cotidiano dos meus alunos, como o relato de se alimentarem de ratazanas”, disse o professor.

Para mais de 19 milhões de brasileiros, este governo não tem sabor porque passam fome. Para mais de 100 milhões de pessoas no Brasil, a percepção da realidade também doe no estômago, pois não conseguem se alimentar três vezes ao dia. Mais de 13 milhões de trabalhadores sentem a humilhação do desemprego e 15 milhões já aceitaram a derrota na desistência de encontrar uma ocupação.

Para aldeias indígenas no norte de Mato Grosso e Amazonas, a percepção da atualidade é de morte. Morte nos conflitos com garimpeiros ilegais, morte por falta de assistência médica, morte por desnutrição. O Governo Federal quando age, causa vergonha na classe média. Quando mão age pode matar.


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