Semana On

Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Brasil

Cientistas se mobilizam para evitar perdas no orçamento federal de 2022

Organizados pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), atos visam garantir, no mínimo, valor semelhante ao que foi destinado à ciência e ao ensino superior em 2019

Postado em 25 de Novembro de 2021 - Galileu

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No último dia 23, a comunidade científica brasileira realizou a 3ª Jornada de Mobilização em Defesa da Ciência. Pela manhã ocorreu um tuitaço com a hashtag #SOSCIÊNCIA, em seguida manifestantes se reuniram diante do Ministério da Economia, e, a tarde, em Brasília, aconteceu o ato virtual “Quanto vale a Ciência?”, no canal do Youtube da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).

A organização da jornada foi feita pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em parceria com outras entidades científicas e acadêmicas nacionais, e tem como objetivo garantir que o financiamento público destinado aos campos da educação superior, ciência e tecnologia supra as necessidades do setor.

De acordo com ele, o básico corresponderia a R$ 16,25 bilhões — pelo menos R$ 4,25 bilhões a mais do que o governo propôs. Vale lembrar que a tendência na administração Bolsonaro tem sido de queda. O orçamento executado pelo MCTI em 2019 foi de R$ 7,6 bilhões. Já em 2020 foram R$ 6,9 bilhões, o equivalente a 2006. Hoje, a menos de 40 dias do fim de 2021, o MCTI pagou R$ 4,2 bilhões.

Pansera chama atenção ainda para o reajuste de 63,47% necessário no caso das bolsas de estudos da Capes e do CNPq. “É urgente. Os valores estão congelados desde 2013”, afirma. Em 2020, a Capes gastou R$ 3 bilhões, mesma quantia do orçamento de 2011. Também no ano passado, o CNPq desembolsou somente R$ 1,2 bilhão, metade do orçamento executado em 2000.

O ex-ministro constata que o governo federal tem promovido o desmonte de um sistema de produção científica que está em posição de destaque no mundo. “Na comparação com os países emergentes de maior peso econômico e os do chamado primeiro mundo, de 1996 a 2020 o crescimento da produção científica brasileira fica atrás somente da China", diz Pansera.

Nesse intervalo de tempo, o trabalho de pesquisadores no Brasil cresceu 10,9 vezes, segundo dados da plataforma Scimago. Esse índice foi menor em países como Índia (10,1), Coreia do Sul (9,5), África do Sul (6,9), México (6,8), Austrália (5), Rússia (4) e Canadá (3). “Avançamos da 21ª para a 14ª posição no ranking global da produção científica”, comenta o secretário executivo da ICTP. “Não podemos admitir que um governo faça a ciência brasileira andar para trás.”


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