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Terça-Feira 17.mai.2022

Ano X - Nº 487

Mato Grosso do Sul

Conservação da fauna aliada à economia é possível no Pantanal, diz estudo

Pesquisa internacional liderada por brasileiro associa proteção da onça-pintada à expansão do ecoturismo, que pode coexistir com a pecuária tradicional na região

Postado em 25 de Novembro de 2021 - Galileu

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Um estudo publicado no último dia 23 na revista Scientific Reports afirma que é possível aliar a conservação da vida selvagem ao uso de terras economicamente viáveis na região do Pantanal. Liderada por um cientista brasileiro, a pesquisa teve como foco a onça-pintada, que tem nesse bioma um de seus habitats.

Os pesquisadores mapearam o uso econômico do Pantanal — historicamente ocupado por atividades da pecuária — e declararam que as áreas de maior densidade de gado não são as mais adequadas para o maior felino das Américas. Mas uma outra atividade pode inclusive contribuir para criar um ambiente de maior proteção: o ecoturismo. "Este estudo mostra um cenário otimista para a conservação de onças em um dos maiores pântanos do mundo”, diz o autor principal, Fernando Tortato, da organização Panthera, em comunicado.

É graças ao regime hidrológico do Pantanal que a alta densidade bovina e o habitat de onça-pintada se fazem compatíveis no mesmo bioma. Após as inundações, que impedem quaisquer atividades econômicas, a pecuária se aproveita da água para criar os rebanhos. As mudanças climáticas, porém, colocam a região em risco devido aos severos incêndios e secas.

As queimadas têm avançado nas áreas de conservação das onças e, conforme as secas se intensificam, as inundações sazonais podem deixar de ser um fator limitante e abrir espaço para a pecuária intensiva em todo o bioma. Os autores, portanto, defendem a viabilidade econômica da pecuária tradicional que convive com a fauna silvestre no Pantanal, além da promoção do ecoturismo, que tem se mostrado benéfico para a sobrevivência das onças.

Para o coautor Carlos Peres, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, a pesquisa aborda a questão delicada do enfrentamento da intensificação agrícola e de incêndios florestais e mostra um caminho possível. “O artigo indica como a conservação da vida selvagem pode ser conciliada com atividades econômicas viáveis em terras privadas, o que pode garantir o futuro do Pantanal brasileiro como o conhecemos", comenta.


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