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Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

Deu no Moro News

Idelber Avelar fala de eleições, devastação e lambanças

Postado em 24 de Novembro de 2021 - Idelber Avelar

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O Antagonista, também conhecido como Moro News, publicou uma manchete dizendo que sem Lula e sem Bolsonaro, Moro vence as eleições em todos os cenários, o que é mais ou menos como um corintiano dizer que sem o Galo, sem o Flamengo e sem o Palmeiras, o Timão é campeão brasileiro.

Moro se reuniu com o governador de Minas, Romeu "a Nova Zelândia se transformou em uma ilha" Zema, e tenta costurar o apoio dele. O União Brasil, partido ainda não oficial surgido da fusão do DEM com o PSL, desistiu de lançar Mandetta como candidato à Presidência da República e apoiará Moro.

O PSD, de Gilberto Kassab (realmente um dos articuladores políticos mais espertos da Nova República, o cabra consegue sair por cima com a esquerda, com a direita, com o centro, e com o Centrão), orientou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a botar as manguinhas de fora e dar declarações distanciando-se timidamente de Bolsonaro e falando como candidato. Como ninguém acredita que Pacheco seja candidato com chances, não é necessário ser muito inteligente para saber que Kassab está cacifando o PSD para negociar um apoio futuro, provavelmente a Moro.

Não custa lembrar: Moro ainda não disse nada sobre política externa, política de educação ou de saúde, política tributária, política econômica, ou qualquer outro tema que não seja "combate à corrupção".

É válido interrogar Bolsonaro sobre as rachadinhas e é válido interrogar Lula sobre a Nicarágua, mas seria interessante que o jornalismo brasileiro começasse a interrogar Moro um pouquinho sobre o que ele pensa acerca de todas essas coisas. O que se tem até agora é um vazio completo.

DEVASTAÇÃO

O estrago na Amazônia é coisa da ordem do incalculável mesmo.

LAMBANÇA

A lambança feita pela Agência Lupa foi a maior que já vi produzida por uma agência de checagem. Com aquela vontade de aplausos que a lacração produz, despejaram na internet uma série de etimologias fake, sem terem consultado um lexicógrafo, um etimologista, um dicionário sequer.

Errar, todo mundo erra. Mas, neste caso, o erro era muito mais grave, porque ele consistia em tentar PROIBIR as pessoas de usar expressões como “meia-tigela” ou “criado-mudo”.

Para piorar, 72 horas depois de terem sido corrigidos por dezenas de especialistas e por milhares de cidadãos que têm acesso a esse misterioso objeto chamado dicionário, eles não retrataram a postagem, e voltaram a publicar correções a algum zé-ninguém do Twitter que disse uma mentira sobre Lula ou Jean Wyllys.

Enquanto a própria postagem deles, com uma sequência de mentiras sobre a língua portuguesa, que estigmatiza milhões de falantes como racistas, continua lá, sem correção.

É a lógica que tem nos enfiado em um buraco cada vez mais fundo: se é do “nosso” lado, vale qualquer mentira.

ATUALIZAÇÃO: A Agência Lupa finalmente se pronunciou sobre o festival de etimologias falsas, e a verdade é que teria sido melhor não se pronunciar. Não admitiram erros e reiteraram a falsa etimologia de "criado-mudo" em um verbete confuso e cheio de frases na voz passiva, que concluía com uma loja de móveis sendo citada como fonte. Uma lambança ao quadrado.

PALESTRA

 


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