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Sexta-Feira 03.dez.2021

Ano X - Nº 470

Poder

Para 57% da população Bolsonaro deve sofrer impeachment, diz PoderData

New York Times: Bolsonaro quer ‘melar’ eleição de 2022 com ajuda de Trump

Postado em 12 de Novembro de 2021 - Julinho Bittencourt e Henrique Rodrigues (Fórum) – Edição Semana On

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O presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) deve sofrer impeachment e ser afastado do cargo para 57% da população, de acordo com pesquisa PoderData. Para 36% dos entrevistados ele deve permanecer no cargo e 6% não souberam ou não quiseram responder.

Em julho, eram 50% que queriam a saída do presidente. O levantamento foi realizado entre os últimos dias 8 e 10, com 2.500 pessoas em 412 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

É necessário aval do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado de Bolsonaro, para que um processo de impeachment seja aberto.

Entre os que mais acham que o presidente deve sofrer impeachment estão os brasileiros com idade entre 16 a 24 anos (63%), os que cursaram até o ensino superior (63%) e os moradores das regiões Centro-Oeste (63%) e Nordeste (66%).

Já entre os que mais querem que Bolsonaro permaneça no cargo, os homens são 43% do grupo, os que têm de 45 a 59 anos (44%) e os moradores da região Norte (49%).

New York Times alerta para golpe

O mais influente diário dos EUA, o The New York Times, publicou uma matéria na quinta-feira (11) mostrando que o presidente Jair Bolsonaro está adotando toda a cartilha de Donald Trump, o ex-ocupante da Casa Branca, para tentar “melar” a eleição de 2022. Em meio ao derretimento de sua popularidade, o líder extremista brasileiro segue os passos de seu ídolo norte-americano visando ao comprometimento do pleito, para assim se sobressair, aponta a reportagem.

O texto começa relatando uma conferência onde são reproduzidas falas de Trump e menções à China, sobre suposta interferência na disputa eleitoral, mas o autor da matéria, Jack Nicas, explica que aquilo não está ocorrendo numa reunião política dos ultraconservadores estadunidenses, mas sim no Brasil, durante um ato em apoio a Bolsonaro.

Nicas mostra como as manobras do ex-mandatário de extrema direita dos EUA estão sendo aplicadas no Brasil e diz que essa pode ser a tônica da influência do Tio Sam no gigante do sul do continente.

“Logo após sair dos ataques aos resultados da eleição presidencial dos EUA, em 2020, o ex-presidente Donald Trump e seus aliados estão exportando sua estratégia para a maior democracia da América Latina, trabalhando para apoiar a candidatura de Bolsonaro à reeleição no próximo ano – e ajudando a semear dúvida no processo eleitoral, caso ele seja derrotado”, diz um trecho.

A publicação fala ainda do uso reiterado de um procedimento habitual do homem derrotado por Joe Biden no fim do ano passado, que é mencionar o tempo todo “os comunistas”, fazendo desse espantalho ideológico o culpado por todos os fracassos de sua administração.

Nicas aponta que a importância do Brasil para ideólogos extremistas de direita norte-americanos dá-se por conta da dimensão do país e de sua hegemonia na América do Sul, uma vez que somos a sexta maior nação do mundo, com 212 milhões de habitantes e uma massa de eleitores cada vez mais caminhando para as hostes ultrarreacionárias do conservadorismo.

O NYT frisa também que, diante do isolamento internacional total, do derretimento de sua imagem junto aos eleitores no cenário interno e nitidamente em desvantagem nas pesquisas para a próxima corrida eleitoral, a ajuda dos radicais dos EUA cai como uma luva para Jair Bolsonaro, que está em situação difícil em todas as esferas políticas.

Alguns elementos e exemplos dessa interferência dos ultrarreacionários no processo político brasileiro são destacados na reportagem de Nicas.

Steve Bannon, o ex-estrategista-chefe de Trump, disse que o presidente Bolsonaro só perderá se “as máquinas” roubarem a eleição. O deputado Mark Green, um republicano do Tennessee que promoveu leis de combate à fraude eleitoral, se reuniu com legisladores no Brasil para discutir “políticas de integridade de voto”, explica o repórter, citando igualmente o estreitamento de relações entre Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, com figuras da cúpula trumpista.

O filho 03 do mandatário da direta radical brasileira, aliás, é citado em outros momentos da matéria por ser um fiel defensor da estapafúrdia ideia de que “as máquinas”, ou seja, as urnas eletrônicas, serão o ponto-chave para uma fraude nas próximas eleições, prejudicando seu pai, algo que jamais ficou sequer provado com qualquer indício.

No fim, o NYT relembra que Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 na mesma onda reacionária avassaladora que varreu os EUA e outros países mundo afora, ainda que o cenário atual seja totalmente distinto daquele de três anos atrás.


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