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Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Poder

Lula lidera intenções de voto e Bolsonaro perderia para todos no 2º turno, diz Ipespe

Popularidade do presidente recua nas redes sociais

Postado em 05 de Novembro de 2021 - Brasil de Fato, Carolina Fortes (Fórum), Ricardo Kotscho (UOL) – Edição Semana On

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Pesquisa da XP-Ipespe divulgada no último dia 3 indica que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganharia em todos os cenários em um eventual segundo turno nas eleições de 2022. Ele varia entre 41% e 42% das intenções de voto. Jair Bolsonaro, por sua vez, tem de 25% a 28% nos cenários pesquisados e perderia para todos os candidatos indicados pelo Ipespe, também num eventual segundo turno. Os dados foram publicados pelo jornal Valor Econômico.

Em um cenário espontâneo, ou seja, sem mostrar opções, Lula tem 31% dos votos, Bolsonaro 24% e Ciro Gomes (PDT), 3%. Sergio Moro, João Doria (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Eduardo Leite (PSDB) e Datena, somados, chegam a 4% das intenções de voto. Outros 30% não sabem ou não responderam e 8% afirmam que votariam em branco ou nulo. Já quando apresentadas as opções, em um primeiro panorama, Lula tem 42%, seguido do atual presidente, com 28%, e Ciro, com 11%. Os outros três candidatos somados não chegam a 9%.

No segundo cenário, sem João Doria e incluindo Eduardo Leite (PSDB), Simone Tebet (MDB), Sergio Moro, Datena e Alessandro Vieira (Cidadania), Lula aparece com 41% e Bolsonaro, 25%. Ciro vem em seguida, com 9%, à frente de Moro, com 8%. Os demais não passam de 3%.

Segundo turno

Na simulação do Ipespe de um possível segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o petista sai na frente, com 50% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro tem 32%. Na mesma pesquisa feita em março de 2021, Lula tinha 40% das intenções de voto e Bolsonaro, 41%.

Já em um cenário entre Lula e Sergio Moro, os percentuais são 52% contra 34%. Em um segundo turno entre Lula e Ciro, o petista venceria com 49% contra 29%. Nos outros dois cenários, contra os tucanos Doria e Leite, Lula também ganharia: 51% contra 23% e 50% contra 22%, respectivamente.

Desaprovação a Bolsonaro

Também foram questionados eventuais segundos turnos somente com Bolsonaro. Nesses casos, ele perderia a disputa para todos. Contra Ciro Gomes, o pedetista tem 44% das intenções de voto, enquanto o atual presidente apenas 34%. Já João Doria aparece com 40%, contra 35% de Bolsonaro. Por fim, Eduardo Leite teria 37% dos votos, contra 34% do atual presidente.

A avaliação negativa do governo de Jair Bolsonaro atingiu o segundo maior percentual desde 2019. Dos entrevistados, 54% afirmam que a gestão é “ruim ou péssima”. Para 20% é “regular” e para outros 24% é “ótima ou boa”.

Com o valor dos combustíveis nas alturas e uma inflação galopante, 67% dos entrevistados afirmam que a economia está no caminho errado, uma alta de 3% em relação ao mês anterior.

A aprovação do presidente também recuou nas redes, mostrou levantamento feito pela agência de inteligência em dados MAP (com base em um universo de 1,4 milhão de posts no Twitter e no Facebook), passando de 32% para 30,7% – a análise não considera influenciadores digitais, políticos e robôs. 

Uma chapa Lula-Alckmin? Sim, é possível

A jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha, aventou a possibilidade de uma aliança entre Lula e Alckmin. "Uma costura delicada entre lideranças do PT e do PSB tenta viabilizar uma chapa que una Lula como candidato a presidente da República e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice", disse.

A fonte não poderia ser mais confiável porque Mônica Bergamo é uma das poucas jornalistas que circula em todas as latitudes da política e é respeitada em todas elas.

Se essa aliança vai dar certo, ainda não dá para saber, mas o simples fato de esta possibilidade estar sendo discutida é uma boa notícia para o país civilizado que sobreviveu à criminalização da política promovida pela Operação Lava Jato.

Pelo menos, o país não votaria no escuro num salvador da pátria, como aconteceu em 2018: Lula já foi presidente da República por dois mandatos e deixou o governo com quase 90% de aprovação, enquanto Geraldo Alckmin governou São Paulo umas três ou quatro vezes.

Virtudes e defeitos dos dois são de amplo conhecimento público, assim como a biografia política de cada um. Ninguém poderá dizer mais tarde que foi enganado.

"Para viabilizar a ideia, algumas dificuldades precisam ser contornadas. Em primeiro lugar, tanto Lula quanto Alckmin ainda precisam ser convencidos plenamente de que a chapa pode funcionar _ não apenas para ganhar as eleições, mas especialmente para governar", escreve a colunista.

E este é o ponto central que poderia mover Lula e Alckmin a se unirem em 2022, pensando no que seria melhor para o país.

Acima do cacife eleitoral de cada um, está a capacidade de ambos de dialogar com as diferentes forças políticas e entidades da sociedade civil, em busca de convergências. O grande desafio não é como ganhar a eleição, mas como governar depois, sem ter que distribuir emendas secretas para ter maioria no Congresso.

Num ambiente político tão conflagrado e beligerante como vivemos ultimamente, com um país em ruínas, que clama por equilíbrio, paz e união, para promover a reconstrução nacional, precisamos de homens públicos que se coloquem acima das picuinhas e dos projetos pessoais, experimentados na lida da vida pública e voltados para promover o bem-estar social. Ambos já estão velhos para alimentar vaidades.

Não é a primeira vez que se tenta algo do gênero.

Às vésperas do Natal de 1993, o petista Lula e os tucanos Tasso Jereissati e Ciro Gomes, que depois migraria para vários outros partidos, chegaram a esboçar uma aliança PT-PSDB para as eleições do ano seguinte.

Foi na Cantina do Mário, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, próximo ao escritório de Lula, lembro-me muito bem. A conversa rolou animada em torno de uma chapa Lula-Tasso, mas antes que eles se reunissem de novo, outro tucano, Fernando Henrique Cardoso, já costurava uma aliança com o PFL do cacique baiano Antonio Carlos Magalhães, sob as bênçãos de Roberto Marinho, e a ideia morreu no nascedouro.

Os 16 anos dos governos FHC e Lula, que se sucederam, foram os melhores e mais tranquilos do período pós redemocratização.

Outra lembrança que tenho é o de uma viagem de Lula à China, em seu primeiro mandato, quando foi acompanhado por uma fornida comitiva de empresários e políticos de diferentes partidos.

Entre eles, estava Geraldo Alckmin, então governador de São Paulo, que viajou com a esposa e a filha, chamando a atenção dos jornalistas que não conheciam o bom convívio do petista com o tucano.

Agora, de saída do PSDB, Alckmin poderia ir para o PSB, partido com o qual Lula já pensava em se aliar para 2022, o que seria um passo importante para levar adiante a negociação em torno da chapa, revelada por Mônica Bergamo.

Segundo a colunista, "os petistas que defendem a possibilidade afirmam que, apesar das diferenças com os tucanos na área econômica, Alckmin é o último remanescente do PSDB histórico, de Mário Covas e de Franco Montoro: apegado a valores democráticos e com olhar generoso em relação aos problemas sociais do Brasil".

Aconteça o que acontecer, este é a meu ver o fato novo mais importante da atual campanha eleitoral: a disposição de Lula de caminhar em direção ao centro e a de Alckmin de se aliar a um antigo adversário, com quem já disputou a presidência.

Com tantas novidades velhas, o Brasil anda muito carente de uma nova esperança de futuro para sair desse buraco em que se meteu na onda conservadora da antipolítica de 2018.

Muita gente me ligou hoje para perguntar o que acho dessa ideia. Acho excelente, e dou a maior força. Conheço bem os dois lados e sei do que estou falando.

Por último, para não variar, me lembrei da campanha das Diretas Já, que uniu o país contra a ditadura já nos estertores, quando os personagens citados nesta coluna estavam no mesmo palanque.

Os adversários ainda são os mesmos... A democracia brasileira agradece.


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