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Quarta-Feira 10.ago.2022

Ano X - Nº 499

Comportamento

Da produção mundial de alimentos, 14% acabam na lata do lixo

No mundo, 811 milhões de pessoas passam fome e outras 132 milhões sofrem com as ameaças de segurança alimentar por causa da pandemia

Postado em 26 de Outubro de 2021 - Edelberto Behs

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Num mundo onde 811 milhões de pessoas passam fome e outras 132 milhões sofrem com as ameaças de segurança alimentar por causa da pandemia, 931 milhões de toneladas de comida acabam, por ano, na lata do lixo, segundo cálculos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), ou seja, 14% da produção alimentar mundial, avaliada em 400 bilhões de dólares (cerca de 2,2 trilhões de reais).

O desperdício não se restringe ao alimento em si, mas tudo o que implica na produção da cadeia alimentar, incluindo água, uso da terra, energia, trabalho humano e capital, que também acabam sendo desperdiçados. Em média, o desperdício anual é de 74 quilos de alimentos em lares, por pessoa, por ano, o que representa mais do que o peso médio de um adulto. 

Para combater tal desperdício, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) está lançando Grupos de Trabalho Regionais de Resíduos de Alimentos na África, Ásia-Pacífico, América Latina, Caribe e Ásia Ocidental, que têm por objetivo desenvolver ações de prevenção nacional de desperdício de alimentos. A Meta 12.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável prevê a redução do desperdício de alimentos pela metade em todo o mundo até 2030. 

documento Why the global fight to tackle food waste has only just begun (Por que a luta global para combater o desperdício de alimentos apenas começou), aponta que os sistemas alimentares globais impactam na saúde humana e planetária. Eles são responsáveis por 70% da água extraída da natureza, respondem por até um terço das emissões de gases de efeito estufa. A agricultura foi identificada como uma ameaça para 24 mil das 28 mil espécies em risco de extinção.

A especialista em sistemas alimentares do PNUMA, Clementine O’Connor, frisou que 8% a 10% de todas as emissões de gases de efeito estufa advém da perda e do desperdício de alimentos, e que esse cuidado deve começar em casa, incorporando medidas que evitem desperdícios.

Ela mencionou iniciativas possíveis para diminuir o desperdício, como a medida apontada pela ONG australiana OzHarvest, que recomenda agendar uma vez por semana refeição usando ingredientes que sobraram das demais. Ou a introdução de um espaço na geladeira onde são colocados aqueles produtos perecíveis que precisam de consumo rápido.


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