Semana On

Domingo 22.mai.2022

Ano X - Nº 488

Coluna

Sobre pesquisas e realidades

Entre eleitores de verdade, a diferença não é tão grande assim

Postado em 20 de Outubro de 2021 - Rafael Paredes

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A pesquisa eleitoral Genial Quaest divulgada no último dia 18 traz uma repetição de números com os quais estamos nos acostumando nos levantamentos dos diversos institutos: alta reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro (53%), liderança do ex-presidente Lula para as eleições presidenciais de 2022 (45%) e alta rejeição eleitoral a Bolsonaro (65%).

Porém, uma estratificação dessa pesquisa chama a atenção: quando são separados apenas aqueles que votaram nas eleições de 2018.  Neste público, o petista, que em alguns cenários chegava a marcar 46% nas intenções de voto para o primeiro turno das eleições de 2022, não passa de 44%. Já o atual presidente, que tem média estimulada dos diversos cenários no levantamento universal de 26%, quando computados apenas aqueles que votaram na eleição presidencial passada, não fica com menos de 30% das intenções de voto, chegando a 33% em alguns cenários.

Nas eleições de 2018, mais de 3,6 milhões de brasileiros tiveram seus títulos cancelados porque não fizeram seus cadastros biométricos. Além desses cidadãos que foram impedidos de votar nas eleições presidenciais daquele ano, quase 30 milhões de eleitores aptos a votar não foram às urnas no dia 07 de outubro de 2018. Mais de 20% do total de eleitores. O maior percentual desde 1998.

É possível inferir que a maioria dos eleitores impedidos de votar nas eleições passadas não foi registrar sua biometria por falta de informação ou de condições. Esses seriam de qual classe social? Eles seriam eleitores de quem? Essas perguntas é você que vai responder. E os outros 30 milhões de eleitores que não se sentiram motivados a votar? Eles não foram votar por quê? A diferença entre a pesquisa do universo geral de eleitores e dos efetivamente votantes em 2018 pode trazer respostas e também apontar para preocupações para o ano que vem.

Estudos sobre a influência das redes sociais nas eleições americanas de 2016 mostraram que o candidato vencedor, o ex-presidente Donald Trump, investiu pesadamente para propagar mensagens para incentivar a abstenção do voto dos eleitores negros, por exemplo. Esses são em sua maioria democratas. Apenas 52% dos eleitores americanos foram votar naquele ano, o menor nível desde 2000. Eleitores de estados majoritariamente democratas receberam mensagens em suas redes sociais defendendo a ideia de que nenhum dos candidatos daquela eleição valeria o voto. Essa estratégia obviamente prejudicou e muito a candidata democrata derrotada Hillary Clinton.

O estrategista político daquela campanha de Donald Trump era Steve Bannon, arquiteto de uma frente mundial de líderes populistas de direita, que tem entre seus participantes o presidente Brasileiro Jair Bolsonaro.


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