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Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Coluna

A mídia deveria cumprir as regras das redes sociais?

Raphael Tsavkko Garcia fala disso, de indentitarismo e outros debates

Postado em 20 de Outubro de 2021 - Raphael Tsavkko Garcia

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Debate importante na UE: A mídia deveria cumprir as regras das redes sociais? Em outras palavras, o conteúdo postado pela mídia deveria ser moderado pelas redes sociais?

A resposta fácil é "não", mas aí a gente lembra: Breitbart, Brasil 171, DCM, Terça Livre e afins. Eles estariam livres para postar desinformação livre e impunemente?

É óbvio que é ridículo quando um NY Times, uma Folha de São Paulo e afins tem conteúdo deletado por descumprir as regras imbecis da mídia (contra nudez, por exemplo), mas o que você faz quando sites criminosos pagando de mídia passam a querer leniência?

Imaginem se o YouTube fica impedido de moderar conteúdo falso ou mesmo criminoso contendo desinformação como o que a RT espalhou sobre a pandemia?

É uma sinuca. No fim caberia às redes sociais decidir quais são os meios de boa reputação e os que não são? Seria poder demais nas mãos das big tech.

No que toca no discurso de ódio eu acho que todos devem ser tratados igualmente - de repente membros de sites reputáveis poderiam compor um concelho (ou conselho?) junto às redes, mas voltamos ao tema espinhoso de decidir quais seriam esses meios. É fato que existem instituições sérias que representam profissionais de mídia, jornalistas e mesmo empresas de mídia, mas é um dema delicado.

Claro, também podemos debater a própria noção de "discurso de ódio" das redes sociais - hoje em dia usar certas palavras, mesmo em contexto positivo, rende banimento. Mesmo conversa entre amigos em grupos fechados rende suspensão e sem qualquer direito a recurso.

Já nudez? Não deveria existir veto para empresas de mídia (pra mim isso nem deveira existir veto algum, mas ok).

É um debate longo, talvez interminável, e que precisa ser feito. Eu pessoalmente acho que o Estado (ou Estados) deveria ter algo a dizer sobre as regras de redes sociais e abusos que são cometidos - banimentos, censura, deleção de postagens com base em reras estapafúrdias e sem qualquer accountability -, mas entramos em outra seara, a da necessidade de oversight sobre as big tech e de participação de especialistas na discussão sobre regras.

Esse debate é ainda mais urgente.

DEBATE IMPORTANTE TAMBÉM

Excelente vídeo do Pedro Doria para o Meio. Não que o o Ciro esteja falando algo novo - afinal eu e muitos já dizíamos que o PT era o grande responsável por eleger Bolsonaro desde o primeiro momento (https://is.gd/JGEVMj) e alertávamos antes que o PT iria eleger o fascista -, mas é importante ver esse debate ganhando força. O Eduardo Jorge bateu muito nessa tecla, aliás. Ciro é oportunista? Oras, ele é político. A resposta sempre é "sim". Mas o debate segue sendo importantíssimo e é bom que alguém o tenha trazido para os holofotes.

IDENTITÁRIOS E NARLOCH

Dois textos interessantes e relativamente complementares sobre a polêmica do Narloch e identitários na Folha. Tenho grande concordância com ambos.

O primeiro do Marcelo Sarsur (AQUI) e o segundo do Lucas Mariano Baqueiro (AQUI).

Ambos os textos acabam debatendo a questão do "doisladismo" na imprensa. Lembro que eu escrevi exatamente sobre esse tema pra IJNet Português (AQUI).

Destaco nas imagens dois trechos fundamentais dos textos do Sarsur e do Baqueiro.

Precisamos ampliar o debate nesses e sobre esses temas.

O dilema da imprensa, hoje, é o de ser capaz de debater temas pertinentes e relevantes (como o racismo) sem ceder espaço e dar ibope pra extremistas sob a desculpa de permitir que todos os lados sejam contemplados.

Às vezes, aliás, os extremistas estão em todos os lados.

Narloch é racista? Não tenho dúvidas e eu já deixei isso claro em diversos momentos. Narloch é subterrâno. E é vergonhoso que uma figura dessas tenha espaço em mídias de destaque.

Mas não ajuda que do outro lado o contraponto seja tão despreparado e, no fim, apenas lhe dê mais força - e muitas vezes coloque argumentos igualmente lamentáveis com a intençao de impedir qualquer debate, colocando todas as discordâncias no mesmo nível dos argumentos (sic) do Narloch.

E aqui me lembro da polêmica fake há alguns anos das Baianas do acarajé "vítimas de racismo" que não passou de uma tentativa de radicais identitários de ganhar espaço, cargos e poder, mostrando que eles podem ser tão nocivos quanto o que dizem combater.

BOM TEXTO

 


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