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Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 463

Poder

Lula exalta a dona do Magazine Luiza, que ele gostaria de ter como vice

Lewandowski suspende duas últimas ações contra ex-presidente na Lava Jato

Postado em 17 de Setembro de 2021 - Ricardo Noblat (Metrópoles), RBA, Márcia de Chiara e Talita Nascimento (O Estado de S.Paulo) – Edição Semana On

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Lula (PT) ainda não perdeu a esperança de conquistar o passe da empresária Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, para vice em sua chapa à sucessão de Jair Bolsonaro na eleição do ano que vem.

Ela foi eleita pela revista americana Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. É a única brasileira na lista de 2021. Em 2020, a seleção da revista trazia dois brasileiros: Bolsonaro e o influenciador digital Felipe Neto.

O texto sobre a empresária publicado pela Time foi assinado por Lula. “Em um mundo corporativo ainda dominado por homens, Luiza Trajano conseguiu transformar o Magazine Luiza em um gigante do varejo”, escreveu o ex-presidente.

Há pouco mais de um mês, em live com um grupo de políticos de todos os matizes, Luiza Helena, quando perguntada, disse que jamais aceitará concorrer a eleições, nem como candidata a presidente, muito menos a vice.

O vice de Lula em 2002 e em 2006 foi José Alencar Gomes da Silva, dono da Companhia de Tecidos Norte de Minas, empresa do ramo têxtil, empresário tão bem-sucedido à época como Luiza Helena é agora. Lula quer repetir a história tal como ela aconteceu.

Não conversou

Luiza Helena Trajano afirmou nesta sexta-feira, 17, não ter interesse na carreira político-eleitoral. "Não conversei com o Lula nem com nenhum outro político."

Luiza garantiu só ter ficado sabendo do texto de Lula às 7h da quarta-feira, 15, quando o anúncio foi feito. "Achei que ele foi super isento, foi bem escrito. Sou aquilo que ele escreveu", disse. 

A empresária afirmou que não conversou com Lula nem antes nem depois de o texto da Time vir a público. Questionada se falaria com o ex-presidente depois do prêmio, ela disse querer aproveitar esse caso para unir o País.

“Não conversei com o Lula, nem tive tempo. Não tenho conversado com nenhum político desde que estou no Unidos pela Vacina (grupo que reúne empresários e executivos para auxiliar na distribuição de imunizantes pelo País)”, disse.

Luiza também disse ser a favor de um programa de renda mínima para a população brasileira. Mas afirmou discordar de que isso seja feito via aumento de impostos, referindo-se à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciado pelo governo Jair Bolsonaro na quinta-feira, 16.

“Vou ser curta e grossa. Qualquer aumento de imposto num momento de recessão é ruim. Temos de fazer mais com menos, e não mais com mais. Não dá mais. Como vai ser feito, é um exercício. Fazer mais com mais é fácil. Não se tira o País da pobreza sem passar pela renda mínima, (o vereador e ex-senador Eduardo) Suplicy já fala isso em vários livros”, afirmou.

Lula na Lava Jato

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu no último dia 14 o andamento de duas ações contra o ex-presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato. Os casos apuram supostas doações da Odebrecht ao Instituto Lula, além da compra de um terreno ao instituto e um apartamento em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Essas ações foram transferidas para a Justiça Federal do Distrito Federal após o STF declarar a incompetência da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, comandada pelo então juiz Sérgio Moro, para julgar os processos referentes ao petista.

A decisão é provisória, e atende a pedido da defesa do ex-presidente. Além de barrar novas diligências, impede que sejam usadas investigações que já haviam sido praticadas anteriormente.

Lewandowski argumentou que, quando Moro foi declarado parcial, também ficou implícita a incompetência dos demais integrantes da Lava Jato em Curitiba para investigar e acusar Lula. Por isso, o ministro optou pela suspensão das ações, alegando “perigo de iminente dano processual irreparável”.

“Salta à vista que, quando o Supremo Tribunal Federal declarou a incompetência do ex-juiz Sérgio Moro para o julgamento de Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu também, implicitamente, a incompetência dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato responsáveis pelas investigações e, ao final, pela apresentação da denúncia”, declarou o ministro, na decisão.

Longa lista de vitórias

Ainda que provisória, a decisão de Lewandowski se soma a uma longa lista de vitórias da defesa de Lula nos últimos tempos. No último dia 13, o ex-presidente havia comemorado a 19ª decisão judicial em seu favor, após decisão da juíza federal Maria Carolina Akel Ayoub, da 9ª Vara Federal de São Paulo, que rejeitou acusação de suposto tráfico internacional de influência. A ação era baseada em delação do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro.

Contudo, na terça-feira (14), foi divulgada uma uma carta de próprio punho escrita pelo empresário na qual ele recua das acusações contra Lula. No documento, Pinheiro disse não saber “se houve intercessão do Ex. Presidente Lula junto à Presidente (ex) Dilma e/ou Ex. Ministro Paulo Bernardo”. Também negou que sua construtora tivesse obtido vantagens indevidas supostamente intermediadas pelo ex-presidente.

Resta uma

Caso o STF endosse a recente decisão de Lewandowski, todas as ações da Lava Jato contra Lula estarão definitivamente encerradas. A única pendência judicial restante contra o ex-presidente é uma ação relativa à compra dos 36 caças Gripen, da empresa sueca SAAB. Nessa ação, iniciada ainda em 2016, o líder petista é acusado por suposto tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em maio, a defesa do ex-presidente chegou a pedir a sua absolvição sumária. O pedido, no entanto, foi negado pelo juiz Wallisney de Souza Oliveira, da 10.ª Vara Federal de Brasília.

Contudo, Lula nem sequer foi ouvido nesse processo. Seu depoimento deveria ocorrer também em maio, mas acabou sendo suspenso pelo juiz substituto Frederico Botelho. A decisão ocorreu após pedido de suspeição dos procuradores Frederico de Carvalho Paiva e Herbert Reis Mesquita, responsáveis pela Operação Zelotes. A defesa os acusa de atuarem em conjunto com a Lava Jato contra o ex-presidente.


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