Semana On

Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 464

Poder

Datafolha: Lula segue à frente de Bolsonaro e, no 2º turno, tem 56% contra 31%

Taxa de reprovação de Bolsonaro sobe 21 pontos em nove meses: 53%

Postado em 17 de Setembro de 2021 - G1, Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On

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Pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira (17) pelo site do jornal "Folha de S.Paulo" revela os índices de intenção de voto para a eleição presidencial de 2022. Lula manteve a liderança em relação a Bolsonaro. No segundo turno, o ex-presidente tem 56% contra 31%. Lula também ganha nas simulações de disputa com os outros candidatos no segundo turno. Já Bolsonaro perde nos cenários pesquisados.

A pesquisa ouviu 3.667 pessoas entre os dias 13 e 15 de setembro em 190 cidades brasileiras. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Pesquisa estimulada de intenções de voto no 1º turno

CENÁRIO A

  • Lula (PT): 44% (46% na pesquisa anterior)
  • Jair Bolsonaro (sem partido): 26% (25% na pesquisa anterior)
  • Ciro Gomes (PDT): 9% (8% na pesquisa anterior)
  • João Doria (PSDB): 4% (5% na pesquisa anterior)
  • Luiz Henrique Mandetta (DEM): 3% (4% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 11% (10% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 2% (2% na pesquisa anterior)

CENÁRIO B

  • Lula (PT): 42 (46% na pesquisa anterior)
  • Jair Bolsonaro (sem partido): 25% (25% na pesquisa anterior)
  • Ciro Gomes (PDT): 12% (9% na pesquisa anterior)
  • Eduardo Leite (PSDB): 4% (3% na pesquisa anterior)
  • Luiz Henrique Mandetta (DEM): 2% (5% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 11% (10% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 2% (2% na pesquisa anterior)

CENÁRIO C

  • Lula (PT): 44%
  • Jair Bolsonaro (sem partido): 26%
  • Ciro Gomes (PDT): 11%
  • João Doria (PSDB): 6%
  • Em branco/nulo/nenhum: 11%
  • Não sabe: 1%

CENÁRIO D

  • Lula (PT): 42%
  • Jair Bolsonaro (sem partido): 24%
  • Ciro Gomes (PDT): 10%
  • João Doria (PSDB): 5%
  • José Luiz Datena (PSL): 4%
  • Simone Tebet (MDB): 2%
  • Aldo Rebelo (sem partido): 1%
  • Rodrigo Pacheco (DEM): 1%
  • Alessandro Vieira (Cidadania): 0%
  • Em branco/nulo/nenhum: 10%
  • Não sabe: 2%

Os cenários C e D não foram incluídos na pesquisa anterior. Esta é a terceira pesquisa Datafolha para as eleições de 2022 desde que Lula recuperou os poderes políticos.

Pesquisa espontânea de intenções de voto no 1º turno

  • Lula (PT): 27% (26% na pesquisa anterior)
  • Jair Bolsonaro (sem partido): 20% (19% na pesquisa anterior)
  • Ciro Gomes (PDT): 2% (2% na pesquisa anterior)
  • Outros: 3% (2% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 10% (7% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 38% (42% na pesquisa anterior)

Veja, abaixo, simulações de 2º turno:

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Lula e Bolsonaro

  • Lula (PT): 56% (58% na pesquisa anterior)
  • Bolsonaro (sem partido): 31% (31% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 13% (10% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 1% (1% na pesquisa anterior)

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Lula e Doria

  • Lula (PT): 55% (56% na pesquisa anterior)
  • Doria (PSDB): 22% (23% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 22% (20% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 1% (1% na pesquisa anterior)

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Bolsonaro e Ciro

  • Ciro (PDT): 52% (50% pesquisa anterior)
  • Bolsonaro (sem partido): 33% (34% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 15% (15% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 1% (1% na pesquisa anterior)

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Bolsonaro e Doria

  • Doria (PSDB): 46% (46% na pesquisa anterior)
  • Bolsonaro (sem partido): 34% (35% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 19% (18% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 1% (1% na pesquisa anterior)

Intenção de voto no 2º turno em uma disputa entre Ciro e Lula

  • Lula (PT): 51%
  • Ciro (PDT): 29%
  • Em branco/nulo/nenhum: 19%
  • Não sabe: 1%

A pesquisa também apontou os índices de rejeição. Veja abaixo:

Índice de rejeição

  • Jair Bolsonaro: 59% (59% na pesquisa anterior)
  • Lula: 38% (37% na pesquisa anterior)
  • João Doria: 37% (37% na pesquisa anterior)
  • Ciro Gomes: 30% (31% na pesquisa anterior)
  • José Luiz Datena: 19% (não incluído na pesquisa anterior)
  • Eduardo Leite: 18% (21% na pesquisa anterior)
  • Luiz Henrique Mandetta: 18% (23% na pesquisa anterior)
  • Rodrigo Pacheco: 17% (não incluído na pesquisa anterior)
  • Aldo Rebelo: 15% (não incluído na pesquisa anterior)
  • Alessandro Vieira: 14% (não incluído na pesquisa anterior)
  • Simone Tebet: 14% (não incluído na pesquisa anterior)
  • Rejeita todos/não votaria em nenhum: 2% (2% na pesquisa anterior)
  • Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum: 1% (2% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 1% (2% na pesquisa anterior)

Nesse ponto, o entrevistado pode responder mais de um candidato, por isso a soma entre todos os índices não resulta em 100%. A pergunta do instituto é: "Em quais desses possíveis candidatos (o cartão é mostrado) você não votaria de jeito nenhum no primeiro turno da eleição para presidente da República em 2022? E qual mais?"

Bolsonaro tem altos índices de rejeição entre estudantes (73%) e evangélicos (44%). Lula é mais rejeitado entre os preferem o PSDB (74%) e entre homossexuais/bissexuais (16%). Doria é tem altos índices de rejeição entre os que ganham mais de 10 salários mínimos (45%) e entre as donas de casa (26%). Ciro Gomes é mais rejeitado entre os que preferem outro partido que não seja PT, PSDB, MDB e PSOL (36%) e entre moradores do Sul (22%)

Entre aqueles que votaram em Bolsonaro em 2018, 26% dizem rejeitar seu nome para a disputa presidencial de 2022, e 68% não votariam de jeito nenhum em Lula.

Evangélicos

O derretimento da popularidade de Bolsonaro acontece em nichos eleitorais cruciais para sua vitória em 2018, como os evangélicos, que dividem boa parte da agenda do atual presidente com os militares.

Segundo o levantamento, a hegemonia de Bolsonaro nos templos pentecostais e neopentencostais chegou ao fim.

Nesse recorte, que soma 26% da população, Lula tem 34% contra 38% do atual presidente, situação de empare técnico no limite da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos.

A pesquisa mostra ainda que a popularidade de Bolsonaro entre evangélicos teve uma erosão de 11 pontos porcentuais desde janeiro, caindo de 40% para 29%.

Atualmente, Bolsonaro é reprovado por 41% dos eleitores que se declaram evangélicos.

Um dos principais fatores da queda recente da popularidade de Bolsonaro entre os evangélicos é o apoio do presidente ao Projeto de Lei para legalizar cassinos e jogos de azar no Brasil.

Apoiadores contumazes do governo, Silas Malafaia e o deputado Marco Feliciano (Republicanos-SP) já sinalizaram que podem abandonar Bolsonaro, caso o projeto seja aprovado e sancionado.

Derretendo

Saiu mais uma pesquisa do Datafolha. A má notícia para Bolsonaro é que seu índice de reprovação escalou 21 pontos percentuais em nove meses. Bateu em 53%. É o pior desempenho desde a posse. Em dezembro, a taxa de impopularidade do presidente era de 32%.

A péssima notícia para Bolsonaro é que não se enxerga no horizonte nenhuma alavanca capaz de reerguer a sua imagem. Ao contrário, a deterioração da economia insinua que o desapreço do brasileiro pelo inquilino do Planalto seguirá em viés de alta, pois não há popularidade sem prosperidade.

A carestia passou a fornecer ao brasileiro farta inspiração para xingar o governo e o presidente. Os motivos aparecem rotineiramente na bomba de combustível, na conta de luz, na mercearia, na fila do desemprego... Bolsonaro transfere suas culpas para os governadores. Demora a perceber que no regime presidencialista a crise tem a cara do presidente.

Quando o presidente adiciona aos dramas cotidianos surtos de histeria como os de 7 de Setembro, aí mesmo é que a crise tende a virar uma tatuagem facial. Esta foi a primeira pesquisa depois do chilique antidemocrático do Dia da Independência, seguido da carta-rendição em que Bolsonaro terceirizou a Michel Temer um simulacro de moderação.

Considerando-se o grau de insanidade, Bolsonaro precisa erguer as mãos para o céu. Sua reprovação, que era de 51% em julho, subiu apenas dois pontos percentuais. Oscilou dentro da margem de erro. Mas manteve a curva ascendente iniciada em dezembro.

Os dados colecionados pelo Datafolha transformam em anedota a tese segundo a qual a multidão que foi ao asfalto a convite de Bolsonaro sinaliza o "apoio do povo". O presidente é avaliado como bom ou ótimo por 22% do eleitorado. Esse índice era de 37% em dezembro. Um tombo de 15 pontos percentuais.

O Datafolha elaborou uma escala de segmentação dos apoiadores de Bolsonaro. Leva em conta variáveis como voto declarado, grau de confiança e avaliação. Tudo considerado, o núcleo mais fiel de apoiadores do capitão é estimado em 11% dos brasileiros. Esse é o tamanho da bolha que saiu de casa para aplaudir Bolsonaro na Esplanada dos Ministérios e na Avenida Paulista no fatídico 7 de Setembro.

A perda de prestígio de Bolsonaro junto ao resto dos brasileiros (89%) tende a aumentar na proporção direta do crescimento da ração de radicalismo que o presidente se vê obrigado a fornecer aos seus devotos. Na estratégia eleitoral do capitão, qualquer tentativa de moderação tem os dias contados. O comedimento deixou de fazer sentido político para Bolsonaro.

Final não será feliz para o presidente

O Datafolha revela que o eleitorado brasileiro reage com um bocejo à movimentação dos candidatos à sucessão de 2022. O cenário é de estabilidade, com oscilações dentro da margem de erro. Lula se mantém na dianteira. As opções de terceira via comem poeira no acostamento. O que realmente chama a atenção é o derretimento do prestígio de Bolsonaro. O projeto da reeleição definha.

Costuma-se dizer que a pesquisa de opinião é o retrato de um momento. Isso é verdade. Mas as pesquisas feitas pelo Datafolha nos últimos nove meses, quando observadas em conjunto, compõem um filme sobre o desempenho de Bolsonaro na Presidência. O enredo sugere que o final não será feliz. O processo de derretimento do capitão é lento, mas exibe uma sólida e renitente constância.

A foto informa que a taxa de impopularidade do presidente bateu em 53%. Trata-se de um recorde. O filme revela que o índice de reprovação de Bolsonaro subiu 21 pontos percentuais desde dezembro. A taxa de aprovação, que era de 37% no final do ano, despencou para 22%. Um tombo de 15 pontos percentuais.

Bolsonaro ainda dispõe de pouco mais de um ano e três meses de mandato. Se fechasse a usina de crises que funciona em tempo integral no Planalto, teria dificuldades para restaurar sua imagem. Mantendo a fábrica de crises aberta, o presidente transforma seu plano de reeleição num projeto virtualmente falido.

Até o eleitorado evangélico, que Bolsonaro supunha ser fiel à sua pregação, já iniciou o êxodo. Há nove meses, a aprovação de Bolsonaro entre os evangélicos era de 40%. Hoje, é de 29%. Queda de 11 pontos percentuais.

Acontece com Bolsonaro um fenômeno muito comum entre os políticos. O sujeito acha que é uma coisa. Mas sua reputação indica que já virou outra coisa. O capitão tornou-se um presidente hemorrágico. E não sabe como fazer um torniquete.


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