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Domingo 17.out.2021

Ano X - Nº 463

Coluna

Setembro Amarelo, Vermelho, Multicor

Mulheres indígenas: um ‘coquetel molotov’ de esperança no futuro

Postado em 16 de Setembro de 2021 - Ricardo Moebus

Cimi Cimi

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Milhares de Mulheres Indígenas representantes de quase duzentos povos originários do Brasil, reuniram-se em Brasília na histórica II Marcha das Mulheres Indígenas, mostrando mais uma vez sua força ancestral, sua determinação, sua potência vital de re-existir na diferença.

Coincidentemente!? a marcha atravessou Brasília na dia 10 de setembro, dia estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Foi em função desta data mundial que estabeleceu-se pelo Ministério da saúde a campanha anual Setembro Amarelo, de prevenção do suicídio.

No último dia 10 a Articulação Nacional de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade – ANMIGA, lançou seu manifesto para o Brasil e o mundo, um verdadeiro “coquetel molotov” de esperança no futuro, antecipando a primavera que virá, semeando e engravidando a terra de laços de solidariedade.

Seu manifesto: “Reflorestarmentes – de sonhos, afetos, soma, solidariedade, ancestralidade, coletividade, história” é o maior e mais verdadeiro evento para o Setembro Amarelo de todos os tempos.

Elas denunciam nossa sociedade ao mesmo tempo etnocida e suicida, dizendo ali:

“Fazemos isso diante da sobreposição sem precedentes de emergências que vivemos nos tempos de hoje. Em todos os países do planeta, os impactos da crise climática e ambiental associados aos efeitos da maior pandemia da história geram montantes assombrosos de mortos e novas hordas de excluídos e flagelados.”

E trazem uma proposta única e verdadeira de prevenção do suicídio coletivo que vivemos:

“Precisamos construir juntos um trajeto de vida e reconstrução, que se baseie no encontro entre os povos, no cuidado com nossa Terra, na interação positiva de saberes. É isso que propomos com o Reflorestarmentes. É possível vivermos e convivermos de outra forma, com outras epistemes, a partir de cosmologias ancestrais. Cuidar da Mãe Terra é, no fundo, cuidar de nossos próprios corpos e espíritos. Corpo é terra, floresta é mente. Queremos reflorestar as mentes para que elas se somem para prover os cuidados tão necessários com nosso corpo-terra.”

E concluem da forma mais generosa possível:

“Vamos juntas construir o bem-viver e viver bem para todos!
 Vamos juntas reflorestar mentes para curar nossa terra!”

Recebam nossas saudações por sua coragem e determinação todas estas mulheres indígenas que nos abraçam com seus corações valentes, que realizaram o primeiro evento no mundo de um Setembro Amarelo, de Prevenção do Suicídio, que possa realmente nos ajudar a superar nossas práticas societárias e civilizatórias de produção necropolítica, de etnocídio, de genocídio e suicídio coletivo.


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