Semana On

Sexta-Feira 17.set.2021

Ano X - Nº 460

Mato Grosso do Sul

Construções de novas hidrelétricas podem colocar bacia e Pantanal em ameaça, alerta WWF

Governador recebe mapeamento da Bacia do Rio Paraguai e discute ações para recuperar o Rio Taquari

Postado em 09 de Setembro de 2021 - José Câmara (G1 MS), Semana On – Edição Semana On

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Com 57 hidrelétricas em operação na Bacia do Alto Rio Paraguai e o planejamento de cosntrução de mais 80, a World Wide Fund for Nature (WWF) alerta para uma possível ameaça para a bacia e, consequentemente, para o Pantanal.

"As usinas projetadas para a região trazem um potencial pequeno de geração de energia elétrica e grandes impactos ambientais. Não precisamos perder os fluxos de água e o seu capital associado se há um potencial de substituir todos estes projetos por fontes alternativas", ressalta Cássio Bernardino, coordenador de projetos do WWF-Brasil.

Além do risco posto pelas hidrelétricas ao Pantanal, a maior área úmida tropical do mundo, a perda de água no bioma assusta os pesquisadores.

Conforme o MapBiomas, Pantanal é o bioma que mais perdeu água no país, com uma retração de 74% na parte brasileira da superfície coberta por água.

Para os especialistas, as futuras instalações colocariam em perigo a biodiversidade encontrada no Pantanal. “A crise da natureza já é mais aguda em nossos rios, lagos e pântanos de água doce. Se toda essa energia hidrelétrica de alto impacto fosse construída, não teríamos chance de dobrar a curva da biodiversidade de água doce”, disse Stuart Orr, líder de água doce do WWF.

Os ambientalistas da WWF explicaram que o fluxo natural de água na Bacia do Rio Paraguai e em outros rios é fundamental para a segurança alimentar e a subsistência de várias pessoas, ao mesmo tempo que sustenta uma extraordinária diversidade de espécies dentro e fora da água.

Alternativas

Frente às discussões das hidrelétricas, alternativas são apresentadas. "Precisamos expandir drasticamente a energia renovável para enfrentar as mudanças climáticas e entregar um mundo líquido zero até 2050, mas não podemos fazer isso às custas dos rios, comunidades e natureza. Os países devem aproveitar a oportunidade criada pela revolução renovável e escolher as melhores maneiras de fornecer energia a seu povo do que a energia hidrelétrica de alto impacto", destaca Orr.

Orr frisa que a melhor alternativa para a geração de energia são as de fontes renováveis. "A boa notícia é que podemos evitar isso. Agora podemos enfrentar as mudanças climáticas sem perder mais da nossa biodiversidade de água doce. Ao desenvolver as energias renováveis ​​certas nos lugares certos, podemos criar um futuro mais brilhante para as pessoas, o clima, os rios e a natureza".

Rios icônicos em alerta

Publicado antes do Congresso Mundial de Hidreletricidade deste mês, o alerta da WWF detalha a ameaça representada por barragens hidrelétricas planejadas para 10 rios icônicos em todo o mundo.

Os outros rios ameaçados são:

Ásia:

Sepik (PNG);

Mekong Blues (Laos);

Mianmar (Irrawaddy).

África:

Mara (Quênia);

Delta (Angola).

Europa:

Isel (Áustria);

Vístula (Polônia);

Vjosa (Albânia).

Mapeamento da Bacia do Rio Paraguai e recuperação do Rio Taquari

Com foco na preservação do meio ambiente, o governador Reinaldo Azambuja recebeu no último dia 8 o mapeamento hidrográfico da Bacia do Rio Paraguai, que foi feito pelo Instituto Taquari Vivo, em parceria com o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). Ainda aproveitou a reunião para discutir ações de recuperação do Rio Taquari.

A reunião ocorreu no gabinete do governador, tendo a participação da diretoria do Instituto Taquari Vivo por meio de videoconferência. “Foi muito importante esta reunião, eles fizeram todo o mapeamento hídrico da Bacia do Rio Paraguai. O mais importante é a construção de políticas públicas para resolvermos problemas ambientais”, descreveu o governador.

Ainda destacou que as parcerias neste setor buscam atender questões ambientais como assoreamento dos rios, preservação da mata ciliar e a colaboração para o programa Estado Carbono Neutro. “Nosso objetivo é diminuir o impacto ambiental, e construir a política de neutralizar a emissão dos gases do efeito estufa até 2030”.

Mapeamento

O mapeamento da Bacia do Rio Paraguai vai permitir identificar os “pontos críticos” de toda bacia em relação a áreas degradas e de erosão, assim como contribuir para uma análise mais rápida do Cadastro Ambiental Rural (CAR) das propriedades que estão nesta região.

“O mapeamento (hidrográfico) da Bacia do Rio Paraguai vai nos permitir fazer uma análise em tempo menor do que previsto do CAR destas propriedades, além de ser um instrumento importante para gestão de política pública do Estado”, explicou o titular da Semagro, Jaime Verruck.

O diretor-executivo do Instituto Taquari Vivo, Renato Rescoe, disse que o mapeamento durou seis meses e que vai melhorar a precisão da rede hídrica do Estado. “O governo vai conseguir enxergar melhor onde estão os pontos críticos, para priorizar ações de intervenção, em relação a erosão e áreas degradadas”.

Roscoe destacou que todo trabalho foi monitorado pelo Imasul, que validou cada etapa deste levantamento. “Antes o mapa disponível era da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, mas a precisão era muito pequena, por isso resolver produzir este material”.

Bacia do Rio Taquari

O governador aproveitou a reunião para discutir ações para recuperação da Bacia do Rio Taquari, começando pelos pontos mais críticos. “Ao começar os trabalhos nos pontos mais graves, vamos sair da teoria e ir para prática, em ações de mitigações, replantio de mata ciliar e controle de erosão”, descreveu.

O secretário Jaime Verruck ressaltou que as ações para restauração da bacia (Rio Taquari) serão priorizadas pela Semagro e Imasul. “O governador definiu ao final da reunião que nossa equipe vai focar neste trabalho no Taquari, para isto vamos desenvolver um plano e já temos buscando recursos internacionais para ampliar os investimentos”.

Com três projetos em desenvolvimento na região, o Instituto Taquari Vivo vai seguir o diálogo com o governo do Estado para desenvolver atividades e projetos em conjunto, que visem a recuperação da região.

Participaram da reunião o governador Reinaldo Azambuja, o secretário Jaime Verruck (Semagro), o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o diretor-executivo do Instituto Taquari Vivo, Renato Roscoe, além dos integrantes diretoria da entidade, que participaram por videoconferência.


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