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Sexta-Feira 20.mai.2022

Ano X - Nº 487

Saúde

Entenda como será a aplicação da 3ª dose da vacina de Covid-19 no Brasil

Homens são os principais transmissores do coronavírus, diz estudo brasileiro

Postado em 27 de Agosto de 2021 - Galileu, Elton Alisson (Agência Fapesp) – Edição Semana On

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O Ministério da Saúde anunciou, no último dia 25, que idosos com mais de 70 anos e indivíduos imunossuprimidos poderão receber a terceira dose da vacina contra a Covid-19 a partir da segunda quinzena de setembro. “O reforço será realizado, preferencialmente, com uma dose da Pfizer/BioNTech. Na falta desse imunizante, a alternativa deverá ser feita com as vacinas de vetor viral, Janssen ou AstraZeneca”, declara a pasta em comunicado oficial.

A dose extra é válida para todos que integram o público-alvo da medida e independe do imunizante tomado previamente. A orientação é de que idosos acima de 70 anos procurem a terceira dose pelo menos seis meses depois da aplicação da segunda. Para imunossuprimidos, o tempo mínimo para a dose de reforço é de 28 dias após a administração da segunda dose ou da dose única.

De acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), a categoria de imunocomprometidos engloba: indivíduos transplantados de órgão sólido ou de medula óssea; pessoas vivendo com HIV; doenças inflamatórias imunomediadas em atividade e em uso de dose de prednisona ou equivalente > 10 mg/dia; demais indivíduos em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias; pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses; neoplasias hematológicas.

A estratégia será colocada em prática a partir do dia 15 de setembro, data na qual o governo estima que todos os adultos no Brasil já estarão imunizados ao menos com uma dose, informa a rádio CBN. A decisão foi estabelecida após reunião entre o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e a Câmara Técnica Assessora de Imunização Covid-19 (CETAI).

Além disso, o governo federal anunciou mais uma nova instrução: a diminuição do intervalo entre as doses da Pfizer e da AstraZeneca de 12 para 8 semanas. A Câmara Técnica vinha estudando a possibilidade e acredita que agora, com 77% do público-alvo vacinado com pelo menos uma dose, sua implementação é viável. Até o momento, mais de 123,9 milhões de brasileiros adultos já iniciaram o ciclo vacinal.

Conforme previsão do Ministério da Saúde, a medida também deve passar a valer a partir da segunda quinzena de setembro. A pasta afirmou que está elaborando uma Nota Técnica para orientar os gestores locais do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto às diretrizes atualizadas da campanha de imunização contra o Sars-CoV-2.

Estratégia

A estratégia da terceira dose irá priorizar os cidadãos com mais de 90 anos, seguindo os mesmos critérios da primeira dose, e posteriormente será ampliada para as demais faixas etárias, informa a Folha de S. Paulo. A inclusão de outros grupos, como o de imunossuprimidos, está sendo examinada e, segundo Gorinchteyn, o cronograma de aplicação da dose extra deverá ser divulgado nos próximos dias.

Embora o Ministério da Saúde e o estado de São Paulo tenham anunciado medidas similares, ainda não há qualquer orientação oficial da Organização Pan-Americana da Saúde (OPA) para que os países adotem a terceira dose, como explica o vice-diretor-geral Jarbas Barbosa, em entrevista à CBN. A instituição defende que os governos aguardem a conclusão de pesquisas, mas reconhece que cada um tem autonomia para definir seus próprios planos.

“Recomendações como essa só devem ser feitas quando existem dados científicos muito consistentes. As evidências ainda estão sendo produzidas. À medida que elas são analisadas, a recomendação pode mudar”, analisa Barbosa. “Pode ser que daqui umas semanas isso mude. Mas, neste momento, a prioridade é para uso das vacinas para alcançar um alto grau de imunidade da população com as duas doses. É isso que vai evitar que novas variantes surjam”, conclui.

Homens são os principais transmissores do coronavírus, diz estudo brasileiro

Além da maior suscetibilidade a apresentar quadros graves de Covid-19 e a morrer em decorrência da doença, os homens são mais primeiramente infectados e, consequentemente, podem ser os principais transmissores do Sars-CoV-2. É o que sugere um estudo feito por pesquisadores do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (Cegh-CEL) – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) financiados pela Fapesp –, com base em um levantamento epidemiológico que envolveu 1.744 casais brasileiros.

Os resultados do trabalho foram divulgados na plataforma medRxiv, em artigo ainda sem revisão por pares.

“Essa constatação corrobora e está em consonância com descobertas feitas em estudos recentes que realizamos, que já indicavam que homens podem transmitir mais o novo coronavírus”, diz à Agência Fapesp Mayana Zatz, professora do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e coordenadora do Cegh-CEL.

Um estudo publicado no início de agosto por pesquisadores do Centro na revista Diagnostics, com base em um exame de detecção do Sars-CoV-2 pela saliva desenvolvido no Cegh-CEL, apontou que os homens apresentam uma carga do vírus no fluido cerca de dez vezes maior do que mulheres, particularmente até os 48 anos de idade. Essa diferença de carga viral não foi detectada em testes com amostras nasofaríngeas, apontaram os autores do estudo, coordenado pela professora Maria Rita Passos-Bueno.

“Como o vírus é transmitido principalmente por gotículas de saliva, deduzimos que isso explicaria por que os homens transmitem mais vírus do que as mulheres”, diz Zatz.

Além dessa observação, a pesquisadora começou a ouvir relatos de casais – muitos deles ambos médicos – em que a mulher foi infectada pelo novo Sars-CoV-2 e apresentou sintomas leves ou moderados, enquanto o homem permaneceu assintomático. Alguns meses depois, o cônjuge também foi infectado após o contato com pacientes do sexo masculino, o que reforçou a teoria de que homens transmitem mais o novo coronavírus.

A fim de avaliar a hipótese, os pesquisadores do Cegh-CEL começaram a coletar, entre julho de 2020 e julho de 2021, dados por meio de e-mails e questionários de mais de 2 mil casais, com média de 45 anos de idade até então não vacinados contra a Covid-19, em que pelo menos um dos cônjuges foi infectado, diagnosticado e apresentou sintomas da doença.

Para eliminar a influência de vieses comportamentais, como o fato de os homens serem mais relutantes do que as mulheres em usar máscaras protetoras e respeitar o distanciamento social, como comprovado por meio de estudos durante a pandemia, foi analisada a transmissão do vírus em mais de mil casais que moraram juntos durante o período da infecção sem adotar medidas de proteção.

Os casais foram distribuídos em grupos concordantes – em que ambos os parceiros foram infectados – ou discordantes – em que um dos cônjuges permaneceu assintomático, apesar do contato próximo com o infectado.

A combinação dos dados coletados mostrou que os homens foram os primeiros ou únicos infectados na maioria dos casos, tanto entre os casais concordantes como nos discordantes “Vimos que os homens foram infectados primeiro muito mais do que as mulheres, tanto no caso dos casais concordantes como nos discordantes. No total, 946 homens foram infectados primeiro em comparação com 660 mulheres”, afirma Zatz.

A investigação recebeu financiamento da Fapesp por meio de outros dois projetos.

Resistência natural

Os pesquisadores também analisaram o material genético de casais em que apenas um dos cônjuges foi infectado pelo Sars-CoV-2, embora ambos tenham sido expostos, com o objetivo de entender por que algumas pessoas são naturalmente resistentes à infecção.

Resultados preliminares do estudo, também publicado na plataforma medRxiv, indicaram que variantes genômicas mais frequentes nos parceiros suscetíveis levariam à produção de moléculas que inibem a ativação das células de defesa conhecidas como exterminadoras naturais ou NK.

Os resultados completos do estudo, feito em colaboração com o professor Erick Castelli, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Botucatu, serão publicados em breve na revista Frontiers in Immunology.


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