Semana On

Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Campo Grande

Capital terá primeiro hospital exclusivo para animais silvestres da América Latina

Sete meses depois onça solta no Pantanal está caçando e anda 8 km por noite

Postado em 27 de Agosto de 2021 - Redação Semana On

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O primeiro hospital 100% especializado na fauna silvestre da América Latina está sendo construído em Campo Grande – Mato Grosso do Sul. Com a construção a todo o vapor no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres – CRAS, o Hospital Veterinário de Animais Silvestres vai mudar a realidade do atendimento dos cerca de 2,5 mil animais que passam todos os anos por lá.

Com 34 anos de atividade, o local foi um dos primeiros Centros de Reabilitação de Animais Silvestres do Brasil, conforme explica a médica veterinária, Aline Duarte, coordenadora do CRAS. “O nosso objetivo é a reabilitação do animal vítima de atropelamento, tráfico e apreensão e também de entrega voluntária. O CRAS recepciona os animais de todo o Estado e, uma vez que o animal chega, recebe o atendimento veterinário, passa por uma quarentena, para depois começar o trabalho de reabilitação”, disse.

Responsável por encaminhar os animais de diversas regiões do Estado para o CRAS na capital, a Polícia Militar Ambiental (PMA) recebe apoio de voluntários no atendimento primário. “Temos um atendimento primário e temos diversos veterinários do Estado que fazem voluntariamente para a gente, como Nova Andradina, que o pessoal fez até cirurgia em uma anta para estabilizar e depois a gente trazer”, disse o tenente-coronel da Polícia Militar Ambiental (PMA), Ednilson Paulino Queiroz.

A espécie que mais chega ao CRAS para reabilitação são as aves. Segundo a PMA, a maioria são papagaios e, em agosto, o número de animais oriundos do trafico aumenta já que inicia o período reprodutivo. “Normalmente nosso problema é com o papagaio num período de retirada que começa a partir de agosto que é o período reprodutivo, até o mês de dezembro também são encaminhados para o centro de reabilitação pois os papagaios são todos filhotes’, acrescentou.

O médico veterinário e responsável técnico do CRAS, Lucas Cazati, conta que o centro recebe apoio de diversas instituições através de cooperações técnicas. Um exemplo é a parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). “Além da troca incessante de conhecimento entre as instituições, contamos com o apoio técnico da universidade com o centro de radiologia e imagenologia, dando todo suporte aos animais vítimas de traumas automobilísticos e outros fatores. Além disso, a universidade colabora com o apoio laboratorial com realização de exames pré-cirúrgicos e de rotina. Hoje, a instituição nos auxilia com exames de alto grau de complexidade como o de microbiologia e DNA”, disse.

O hospital

Aproximadamente dez profissionais trabalham atualmente no CRAS, entre médicos, biólogos, técnicos e tratadores, número que deve aumentar quando o Hospital Veterinário de Animais Silvestres estiver pronto. Em obras, o complexo terá 1.153,33 m² de área construída e concentrará todos os atendimentos, como triagem, exames, atendimento clínico, cirurgias e reabilitação. Orçado em R$ 3,8 milhões, o hospital ainda terá espaços administrativos, salas de cirurgia, ambientes para quarentena e laboratórios para exames.

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária, Rodrigo Bordin Piva, destaca a importância da unidade hospitalar. “A construção da Clinica do CRAS vem de encontro às necessidades da fauna sul-mato-grossense. Vimos nas queimadas de 2020 a importância do atendimento médico-veterinário aos animais que sofreram com a ação do fogo no Pantanal e no Cerrado em MS. Depois do resgate das onças na Serra do Amolar, os animais receberam atendimento no CRAS. Portanto, com o hospital mais animais poderão ser reabilitados para retornarem ao seu habitat natural ou ainda terão chances de sobreviver aos desatares ou aos maus-tratos do homem”, afirmou.

Sete meses depois onça solta no Pantanal está caçando

Sete meses depois de ser solta na Serra do Amolar, na região do Pantanal, a onça de aproximadamente dois anos de idade segue sendo monitorada via GPS por uma coleira com bateria e chip. Ela está em boas condições, caçando, nadando e andando em média 8 km por noite.

As informações foram repassadas pelo médico veterinário do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), Lucas Cazati, que foi o responsável pelo tratamento do animal, após ele ser resgatado no ano passado com queimaduras nas patas e um projétil no tórax.

 “Ela está bem graças a Deus. Verifiquei esta semana como está o seu monitoramento no Pantanal. Ela está ótima, caçando e nadando”, descreveu Cavati. Ele confirmou que a onça macho continua na região da Serra do Amolar, local onde foi encontrada ferida e depois solta novamente à natureza.

Lucas destacou que é uma “grande satisfação” saber que a onça se adaptou novamente ao seu habitat, que está sadia, viva e provavelmente se reproduzindo. “É uma sensação de dever cumprido em saber que toda nossa dedicação no seu tratamento teve resultado efetivo”, descreveu.

Cazati ainda ponderou que até o momento a região onde a onça está circulando não está convivendo com focos de incêndio. O animal foi encontrado ferido em novembro do ano passado e solto novamente à natureza em 21 de janeiro deste ano.

 

Monitoramento

Depois de voltar ao seu habitat, a onça passou a ser monitorada por uma coleira que contém uma bateria e um chip que a cada hora emite um sinal, capturado pelo satélite e retransmitido ao software de monitoramento, que é feito por GPS e sinal VHF.

O monitoramento é feito pelo Instituto Homem Pantaneiro. As informações colhidas do GPS mostram o que o animal fez no dia anterior e o sinal (VHF) emite a sua localização e distância em tempo real. Ao todo serão 24 informações diárias do animal.

Todos estes dados e material vão servir para pesquisa sobre sua geolocalização e atividades ao longo do dia, em relação a alimentação, onde ela dorme e seu perímetro de movimentação na região do Pantanal.

Nos primeiros dias após seu retorno à natureza, a onça já tinha feito sua primeira alimentação, ao comer uma capivara, se deslocou de forma ativa pela região e atravessou o rio a nado, mostrando que estava preparada para voltar ao habitat.


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