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Sexta-Feira 22.out.2021

Ano X - Nº 463

Viver bem

Estudo analisa como a pandemia de COVID-19 afeta o nosso sono

Do aumento dos sintomas de insônia à piora na qualidade do sono, pesquisa elenca as quatro mudanças mais frequentes na nossa forma de dormir

Postado em 24 de Agosto de 2021 - Redação Semana On

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Com a pandemia de COVID-19, praticamente todos os nossos hábitos foram afetados e o hábito de dormir, não escaparia dessa. Mas, exatamente como o nosso sono foi afetado? É o que busca responder o estudo publicado pela americana Arizona State University, no Sleep Health Journal. A pesquisa levantou de forma online dados de pessoas de 79 países diferentes.

“No geral, os distúrbios do sono aumentaram, com 56,5% de nossa amostra relatando níveis clínicos de sintomas de insônia durante a pandemia”, explicou Megan Petrov, uma das autoras do estudo. Em comunicado para a imprensa, a professora alerta que, embora não sejam surpreendentes, esses números são motivo para preocupação e devem ser olhados com atenção.

Buscando detalhar como os vários desafios apresentados pela pandemia afetaram o sono das pessoas, os pesquisadores reuniram os padrões de sono relatados pelos entrevistados em torno de quatro perfis principais: sono atrasado, sono perdido e fragmentado, sono oportunista, e sono desregulado e angustiado.

Dentre eles, o sono atrasado é o que afetou a maior parte da amostra e corresponde a uma pequena mudança no tempo do sono ou no tempo gasto na cama. Neste caso, as pessoas tendem a ir dormir mais tarde e convivem com um aumento de pesadelos e cochilos.

A segunda alteração do padrão de sono mais comum, experimentada por 20% dos pesquisados, foi a do “sono perdido e fragmentado". Neste caso, Petrov explica que os indivíduos vão para a cama mais tarde e passam menos tempo tentando dormir, experimentando um sono restrito e de qualidade inferior. Também foi identificado que é menos provável que os que experimentam esse padrão compensem o sono com cochilos. As mulheres se mostram mais propensas a experimentar esse padrão do que os homens.

Cerca de um em cada dez indivíduos pesquisados passaram a ter um padrão de sono chamado pelos pesquisadores de “oportunista”. São indivíduos que, segundo a pesquisa, tinham oportunidades de sono significativamente restritas antes da pandemia e que, durante a pandemia, passaram muito mais tempo na cama, com uma duração do sono maior do que a de todos os outros perfis. Petrov explica que, infelizmente, apesar do sono melhor, esses indivíduos também relataram a maior mudança em suas rotinas diárias, o que foi associado a uma menor probabilidade de estar empregado e maior estresse e discórdia familiar.

O padrão de sono desregulado e angustiado foi relatado por apenas 5% da amostra pesquisa. No entanto, vale destacar que são os indivíduos que tiveram a pior deterioração do sono, acompanhada de pesadelos e cochilos intensos, além da maior gravidade dos sintomas de insônia.

Após as análises, os pesquisadores apontam que esses quatro perfis nos dizem que as respostas agudas a uma pandemia dependem fortemente do histórico de sono anterior à ele e também de outros fatores domésticos. Pontos que podem informar os médicos e profissionais de saúde para melhor identificar os grupos de risco e potencialmente personalizar intervenções comportamentais de saúde do sono.

“O sono é uma parte essencial da vida, assim como o ar, a água e a comida. Sua saúde e funcionamento são comprometidos quando a qualidade do ar que você respira, a água que bebe e os alimentos que ingere são ruins. Este também é o caso se o seu sono for de má qualidade e insuficiente em quantidade”, conclui Petrov.


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