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Sexta-Feira 03.dez.2021

Ano X - Nº 470

Saúde

Fiocruz vê crescimento na proporção de idosos entre mortos por covid e alerta para transmissão alta

45% das mortes infantis por Covid-19 no país são de crianças de até 2 anos

Postado em 20 de Agosto de 2021 - Roberta Jansen (O Estado de S.Paulo), Galileu – Edição Semana On

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De cada dez mortos pela covid-19 no Brasil atualmente, quase sete são idosos, segundo novo boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, divulgado na noite desta quinta-feira, 19. O avanço da vacinação entre as pessoas mais jovens e o fato de o vírus continuar circulando intensamente no País explicam o fato de o segmento mais vulnerável da população voltar a representar a maior parte dos óbitos pela infecção, mesmo com duas doses de vacina. O texto também confirma que pela 8ª semana consecutiva foi observada redução do número de casos, internações e óbitos no País. O Rio, contudo, vai em direção inversa à tendência.

A proporção de idosos entre o total de internações pela covid já esteve em 27,1% na semana entre 6 e 12 de junho. Agora, nas semanas 31 e 32, de 1º a 14 de agosto, o porcentual é de 43,6%. No caso dos óbitos, comparando com a mesma semana 23, o salto foi de 44,6% para 69,2%, mostrando claramente a reversão da tendência anterior, que era de rejuvenescimento da pandemia. "Com relação aos óbitos, a mudança é mais dramática: há novamente uma concentração de óbitos nas idades mais longevas, com completa reversão da transição da idade ocorrida nos meses anteriores", informa o novo boletim.

Isso não quer dizer que os imunizantes não funcionem, como frisam sempre os especialistas. Pelo contrário, a vacinação reduz significativamente o número de casos graves e óbitos. Nenhuma vacina, porém, é 100% eficaz. Diante da alta circulação do vírus, é esperado que o número de casos e mortes aumente proporcionalmente na faixa etária mais vulnerável. Além disso, é natural que a imunidade caia após alguns meses da vacinação. Por isso, cientistas pedem mais atenção às medidas de prevenção.

O aumento de infecções e óbitos entre idosos já vacinados - como foi o caso do ator Tarcísio Meira, que morreu aos 85 anos na semana passada - levou o Ministério da Saúde a avaliar a aplicação de uma 3ª dose em grupos mais vulneráveis, como idosos. Nesta quarta-feira, 18, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou que o governo federal considere essa estratégia para quem tomou a Coronavac. 

Em geral, em todo o País, os casos e óbitos pela covid vêm caindo de forma sustentada nas últimas oito semanas. A taxa de mortalidade geral do Brasil diminuiu 0,9% ao dia. A taxa de incidência de casos de covid foi reduzida em 1,5% diariamente. A exceção, no entanto, é o Rio, onde avança a variante Delta, que é mais transmissível. No Estado, a ocupação dos leitos hospitalares destinados à infecção está em 70%. E já chega a 92% na capital. "A sensação artificial de que a pandemia acabou é a responsável por um relaxamento das medidas de prevenção", alertam os pesquisadores.

45% das mortes infantis por Covid-19 no país são de crianças de até 2 anos

Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgada no último dia 14 revelou que 45% das mortes infantis por Covid-19 ocorreram com crianças de até 2 anos de idade. O estudo se baseou nos dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade Infantil (SIM) do Ministério da Saúde e considerou os óbitos de 1.207 menores de idade causados pelo novo coronavírus em 2020.

O análise também revelou que quase um terço dos óbitos de jovens com até 18 anos ocorreram entre os menores de 1 ano. “Estratificamos os dados obtidos no SIM para mensurar o impacto da Covid-19 entre menores de 18 anos", afirma Cristiano Boccolini, coordenador da pesquisa, em comunicado. "Esperamos que essas conclusões orientem políticas públicas para o enfrentamento da pandemia."

Os dados revelaram que 9% das mortes ocorreram com recém-nascidos (bebês com até 28 dias de vida). Já os bebês com idade entre 28 dias e 1 ano representaram 28% desses óbitos. 

Os especialistas ressaltam que, embora a forma assintomática da Covid-19 seja mais comum entre crianças e adolescentes e que eles tenham melhor prognóstico quando contaminados, isso não significa que os pequenos estejam imunes. Na verdade, não raras vezes os jovens desenvolvem quadros graves da doença causada pelo Sars-CoV-2, o que pode levar a morte.

Boccolini alerta que, em países como os Estados Unidos, o avanço da variante Delta aumentou o número de casos de Covid-19, o que expõe cada vez mais crianças ao vírus. "Em muitos lugares os leitos infantis estão sobrecarregados e isso pode acontecer no Brasil também. O aumento da cobertura vacinal de adultos tem que avançar mais rapidamente e gestantes e lactantes devem ser prioridade", diz o estudioso.

Para prevenir a circulação do coronavírus e a infecção de crianças, Buccolini ressalta a importância do uso de máscaras e do distanciamento social mesmo após a vacinação. “Outra recomendação importante é que mães com Covid-19 continuem amamentando seus bebês, se ambos tiverem condições físicas para isso. Os benefícios do aleitamento materno superam em muito o risco de contaminação", pontua o cientistas. "Cuidados sanitários, como higiene das mãos e uso de máscaras tipo PFF2 e N-95, devem ser reforçados nesses casos."


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