Semana On

Segunda-Feira 27.set.2021

Ano X - Nº 461

Mato Grosso do Sul

MS adere a campanha global para zerar emissões de gases de efeito estufa até 2050

Race to Zero será um dos principais temas da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que acontece em novembro em Glasgow, na Escócia

Postado em 05 de Agosto de 2021 - Redação Semana On

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

No último dia 4 o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul publicou o Decreto nº 15.741 que formaliza a adesão oficial à campanha Race to Zero e ao Under2 Coalition, agendas globais que têm como meta zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. A Race to Zero será um dos principais temas da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26), que acontece em novembro em Glasgow, na Escócia. O decreto é assinado pelo governador Reinaldo Azambuja e o secretário Jaime Verruck, da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar).

A campanha Race to Zero reúne governos nacionais e subnacionais, empresas e instituições que se comprometem a promover uma recuperação global sustentável, resiliente e com zero emissão líquida de carbono até 2050, organizada pelo Secretariado de Mudanças Climáticas das Nações Unidas em preparação para a COP26. Até o momento, a campanha reúne 454 cidades, 1397 empresas e 569 universidades.

Conforme o decreto, no prazo de 12 meses, a Semagro deverá implementar a adesão de Mato Grosso do Sul às campanhas globais da agenda climática por meio da aprovação: do Plano de Ação Climática 2050, que deverá contemplar metas intermediárias de redução de emissões de gases de efeito estufa, definidos pelo Protocolo de Quioto para os anos de 2030 e 2040, e a neutralização de emissões líquidas até 2050 e do Plano Estadual MS Carbono Neutro, que visa a estabelecer o modelo de desenvolvimento baseado em uma economia de baixo carbono, na conservação e na valorização de ativos ambientais e na redução de passivos ambientais, com metas até 2030.

“Aderimos ao Race to Zero e ao Under2 Coalition por meio do Plano Estadual MS Carbono Neutro, cuja meta é extremamente audaciosa, que é zerar a emissão de carbono até 2030. Hoje, com a adesão, Mato Grosso do Sul muda o seu patamar de como ele é visto nacional e internacionalmente no momento que ele entra numa campanha internacional extremamente reconhecida e que mostra, na verdade, um posicionamento estratégico em relação à neutralização de carbono”, comentou o secretário Jaime Verruck, após participar da reunião “Fechando o Ciclo de Ambição com a Corrida ao Zero no Brasil”, realizada na manhã desta quarta-feira (4) e na qual Mato Grosso do Sul foi anunciado como um dos seis estados brasileiros que já aderiram ao Race to Zero.

A reunião foi organizada pelo Centro Brasil no Clima (CBC) juntamente com a Embaixada do Reino Unido e contou com a participação do Embaixador do Reino Unido no Brasil, Peter Wilson; do presidente designado da COP26, Alok Sharma; de Gonzalo Muñoz, Campeão de Alto Nível para Ação Climática da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima; CEOs e representantes de mais de 100 empresas brasileiras, como Movida, BRF, Azul, AMBEV, Banco do Brasil, Malwee, Klabin, JBS, Natura, além e gestores e autoridades municipais e estaduais.

De acordo com facilitadora da reunião, Natalie Unterstell, presidente da Talanoa, “think tank” dedicado à política climática brasileira, a adesão dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão e a recente entrada de Mato Grosso do Sul ao Race to Zero é fundamental. “Esses estados representam cerca de 48% das emissões de gases de feito estufa e 50% do PIB Nacional”, comentou durante a reunião.

“Foi um evento extremamente importante que reuniu autoridades e empresários brasileiros e estrangeiros. A grande preocupação na COP 26, que irá ocorrer ainda esse ano, é a questão de ações efetivas e as ações mundiais para a neutralização de carbono passam por políticas públicas e por medidas do setor privado. Nessa reunião, tivemos a participação de empresas que atuam no Mato Grosso do Sul, como a BRF, JBS e Suzano. É importante que a gente tenha um acordo operacional com essas empresas para que elas possam contribuir”, afirmou o titular da Semagro.

Programas e ações do governo fomentam sustentabilidade

O secretário lembrou que o Governo do Estado implementou uma política pública de sustentabilidade em seus programas e ações. “Mato Grosso do Sul já deu passos fundamentais no combate ao desmatamento ilegal, com ferramentas como o CAR. Outro ponto fundamental é a questão da mudança do uso do solo, fazendo com que as áreas que são incorporadas no processo produtivo se deem em agricultura de baixo carbono. Também temos nos destacado no uso de tecnologias sustentáveis, como a integração lavoura pecuária, que permite que a gente faça a mitigação de emissões, tendo como alguns exemplos a carne carbono neutro e a carne orgânica e sustentável do Pantanal”, afirmou.

O titular da Semagro destacou ainda a matriz energética limpa de Mato Grosso do Sul. “A produção de energia do Estado tem como matrizes a água, a biomassa e agora, expandindo significativamente, a energia solar. Outro ponto importante é o etanol, energia limpa que pode substituir as emissões decorrentes do óleo diesel e de combustível fóssil. Por fim, temos o nosso Plano Estadual de Conservação de Solo e Água, por meio do qual já recuperamos áreas em Bonito, Novo Horizonte do Sul e neste ano devemos iniciar ações na região do ConiSul”, finalizou Jaime Verruck.

Aquecimento global e COP 26

De acordo com relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), estima-se que as atividades humanas tenham causado cerca de 1°C de aquecimento global acima dos níveis pré-industriais, com uma variação de 0,8°C a 1,2°C. É provável que o aquecimento global atinja 1,5°C entre 2030 e 2052, caso continue a aumentar no ritmo atual.

A 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26) é a principal cúpula da ONU para debater as questões climáticas. Neste ano de 2021, as metas são de acelerar a ação em direção aos compromissos do Acordo de Paris: frear o aquecimento global e impulsionar a transição a um desenvolvimento neutro em carbono.


Voltar


Comente sobre essa publicação...