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Domingo 19.set.2021

Ano X - Nº 461

Coluna

É muito difícil sermos maiores do que realmente somos

Bolsonaro volta a seu tamanho natural: um YouTuber tosco, espalhador de fakenews. Em breve, voltará a dar entrevistas a Luciana Giménez na Rede TV

Postado em 29 de Julho de 2021 - Rafael Paredes

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O então deputado federal Jair Bolsonaro nunca foi um parlamentar de destaque. Nunca presidiu uma comissão, liderou um partido, um bloco, nunca relatou uma proposição relevante, nem teve destaque numa frente parlamentar. Isso mesmo sendo deputado federal por 28 anos.

Quando candidato à Presidência da República, seu plano de governo já demonstrava seu tamanho em termos de liderança, políticas públicas, conhecimento dos reais problemas do Brasil, da complexidade do povo brasileiro, dos gargalos econômicos do país, dos severos déficits na educação e das demandas da saúde pública. O eleitor não leu esse importante documento. No caso de Bolsonaro, uma brochura mal escrita por uma molecada preconceituosa da quinta-série “B”.

Não é de se estranhar que não se conheça os programas do Governo Federal para todas essas áreas. Não se conhece porque eles não existem. Não tem um “Luz para Todos”, um “Prouni”, um “Minha Casa Minha Vida”, um “Mais Médicos”, um “Bolsa Família”, um “Vale Gás”, um “Ciência Sem Fronteiro”, um “Fies”, um “IDEB”, nada.

Mesmo assim, Jair Messias Bolsonaro, por um acidente da democracia, se torna em 2019 a maior autoridade do País. De lá para cá, o presidente persegue a decadência, que é na verdade o caminho para o seu real tamanho. Em Julho, Bolsonaro deu importantes passos para o seu redimensionamento.

Ao entregar o principal ministério do Governo Federal, a Casa Civil, ao senador Ciro Nogueira (PROGRESSISTAS-PI), o presidente passa a ser uma figura decorativa no seu próprio governo e a se dedicar àquilo que efetivamente tem capacidade de fazer: vídeos toscos para redes sociais. A Casa Civil é o ministério que coordena as outras Pastas, está acima dos outros ministérios. Agora, o político profissional, Ciro Nogueira é quase um primeiro ministro.

O senador piauense é um dos líderes do Centrão, um conglomerado de agremiações que oferta apoio aos governos em troca de verbas e cargos. É sintático: quanto mais fraco está o governo, mais o Centrão está próximo do núcleo do Poder. No estado em que as coisas estão, está na mão desses partidos se Bolsonaro termina ou não o mandato.

Livre para ser quem ele é, Bolsonaro deu um show na live de quinta passada (29), em que prometera apresentar provas de fraudes na utilização de urnas eletrônicas. Apresentou muita fakenews, teorias da conspiração, se aliou as denúncias de um astrólogo, que faz acupuntura em árvores e fechou com chave de ouro: “Não tenho como provar as fraldes. Só tenho indícios”.

Bolsonaro volta a seu tamanho natural: um YouTuber tosco, espalhador de fakenews. Em breve, voltará a dar entrevistas a Luciana Giménez na Rede TV.


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