Semana On

Quarta-Feira 18.mai.2022

Ano X - Nº 487

Campo Grande

Com nova estrutura, Odontologia da Prefeitura tem busca ativa por pacientes e atendimento a crianças nas escolas

Assistência odontológica de gestantes desenvolvida na Capital recebe reconhecimento da OPAS

Postado em 20 de Julho de 2021 - Redação Semana On

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A Prefeitura de Campo Grande está investindo no setor de odontologia e ampliando o atendimento à população. Cadeiras odontológicas, com 20 a 30 anos de uso, estão sendo substituídas, assim como novas canetas de rotação, dando mais segurança de limpeza, de autoclave e de esterilização desses acessórios. Um investimento que faz diferença para o servidor e o paciente.

“A cadeira sobe mais rápido, a luz tem um foco melhor, hoje são em led. São detalhes que fazem total diferença no dia a dia. Otimiza e melhora a qualidade do serviço para o usuário. Tudo é pensado no sentido de dar mais qualidade ao atendimento”, explica a coordenadora da Rede de Atenção Odontologia, Bruna Peró.

Com estrutura suficiente para um atendimento de qualidade, as equipes da Prefeitura de Campo Grande fazem busca ativa por pacientes. Agentes Comunitários de Saúde (ACS) vão às casas dos usuários e fazem os agendamentos, de acordo com a vulnerabilidade do paciente. O foco é dar prioridade aos pacientes que realmente estão em condições mais vulneráveis dentro da cavidade oral: os casos clínicos mais complexos.

“Nós damos prioridade aos pacientes urgentes e conforme vão sendo finalizados os tratamentos, inserimos outros, de acordo com a necessidade de cada um. Isso é tão fundamental a Atenção Primária. Uma boa prevenção pode evitar uma perda de dente, por exemplo, que pode causar vários outros problemas. Ou ainda uma urgência que pode se tornar um canal, porque são procedimentos mais invasivos, dolorosos. O foco tem que ser sempre a prevenção, fazer o atendimento o mais cedo possível, antes que a doença de alastre”, enfatiza a dentista Karina Aiko Miyashiro Haranaka.

Usuário da Rede Municipal de Saúde, Eliane Romero, mãe dois filhos, conta que faz o tratamento da família toda na Unidade de Saúde perto da casa dela. A filha mais velha, Elisandra buscou os serviços odontológicos nesta semana.

“Eu fui ao posto e me explicaram que, no momento, estão dando prioridade aos atendimentos urgentes na livre demanda. Disseram que era para eu ir à recepção e lá agendaram a consulta, depois não precisa mais agendar, o tratamento segue até ser finalizado”, explica.

As crianças também recebem atenção especial da rede de odontologia. Dois odontomóveis trabalham nas Escolas Municipais Infantis (EMEI), onde as crianças são atendidas para tratamento completo, após autorização dos pais.

Os odontomóveis vão de EMEI em EMEI e ao finalizarem todos os pacientes que precisam de atendimento nas escolinhas seguem para outra. Tem também a unidade móvel que vai às escolas fazer as atividades de prevenção, promoção de saúde, escovação dos pacientes e também aplicação de flúor e atividades educativas.

Se necessário, a Prefeitura de Campo Grande tem convênio para atender pacientes com necessidades especiais que necessitam de atendimento hospitalar. Nestes casos, o Hospital Universitário e o São Julião têm vagas para referenciar os pacientes que não conseguem ser atendidos nos centros de especialidades.

Para os casos mais complexos, Campo Grande tem cinco Centros de Especialidades Odontológicos (CEO), que são referências para as especialidades das unidades básicas de saúde. Nos CEOs há atendimento das especialidades: periodontia, endodontia, cirurgia bucomaxilofacial, estomatologia, pacientes com necessidades especiais, radiologia e odontopediatria. Além da prótese que é feita em um laboratório próprio no Centro de Especialidade Médicas, onde fica o CEO 3.

Durante a pandemia os atendimentos de urgência e emergência não pararam, e no momento, são seis portas abertas nas Unidades de Pronto Atendimento, além das 144 equipes de saúde bucal que atuam em 55 unidades de saúde da família, três clínicas da família e 14 unidades básicas de saúde.

Opas

Com a proposta de dar continuidade e oportunizar a assistência odontológica mais ampla e adequada às gestantes durante o período de pandemia da Covid-19, experiência desenvolvida em Campo Grande recebeu menção honrosa da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil (OPAS), sendo reconhecida nacionalmente e passando a figurar no seleto “rol” de boas práticas desenvolvidas pelos profissionais da Atenção Primária à Saúde.

A experiência denominada: “Pré-Natal Odontológico: Continuidade de cuidado durante a pandemia de Covid-19”, executada na USF Moreninha e idealizada pela odontóloga residente em Saúde da Família, Thalissa Arrais da Silva dos Santos, ficou entre as 261 experiências finalistas selecionadas entre as mais de 1,7  mil inscritas na iniciativa “APS Forte no SUS – no combate à Covid-19”, promovida pela OPAS e o Ministério da Saúde. As experiências selecionadas foram conhecidas na última semana em cerimônia online.

O acompanhamento pré-natal odontológico já era desenvolvido, porém com algumas limitações. Devido à reforma no prédio da unidade e realocação da equipe de saúde bucal para outro local, as gestantes atendidas durante a semana na unidade eram previamente agendadas nos dois locais, e em virtude da distância, o número de absenteísmo era frequente, impossibilitando o tratamento odontológico.

A iniciativa surgiu, segundo ela, com objetivo de fortalecer o pré-natal odontológico como conduta habitual dentro da unidade de saúde da família.

“No início da pandemia com a suspensão dos atendimentos odontológicos eletivos a equipe de saúde bucal retornou para a unidade, ainda provisória, e passou a captar as gestantes nos corredores, aguardando elas saírem da consulta médica ou de enfermagem após abertura e acompanhamento pré-natal. A princípio essa captação foi feita pela dentista, ASB, residente e recepção”, diz.

Dada às circunstâncias, todos na unidade estavam atendendo em maior quantidade esse grupo, pois todas tiveram suas consultas de acompanhamento mantidas. Durante sessão clínica multidisciplinar sobre pré-natal, foram alinhadas as condutas frente ao atendimento das gestantes, principalmente em relação à necessidade de acompanhamento pré-natal odontológico e esse incentivado por todos da equipe. Ficou definido que após a abertura do pré-natal ou consulta de acompanhamento, seja pela equipe médica ou de enfermagem, as gestantes serão encaminhadas para a odontologia sem necessidade de agendamento prévio.

Até o momento, por meio desse acompanhamento multidisciplinar e continuado a quantidade de faltas reduziu significativamente, cerca de 80%, e espera-se atingir todas as gestantes das áreas adscritas.

A integralidade é um princípio do Sistema Único de Saúde (SUS) que garante ações contínuas, individuais ou coletivas, com prioridade para atividades preventivas sem prejuízo dos serviços assistenciais. Se praticado, proporciona atenção a todas as necessidades do usuário de forma multidisciplinar. Através da clínica ampliada e conduta multiprofissional na USF, cada abertura de pré-natal inclui instantaneamente as consultas odontológicas como metodologia de tratamento e continuação do cuidado. A experiência teve como coautores as profissionais Fátima Isidora Almirón Ozuna Bortolo e Proscilla Jurais Godoy.

APS Forte no SUS

Lançada em maio do ano passado, a iniciativa APS Forte no SUS – no combate à COVID-19, promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil (OPAS/OMS) no Brasil e pelo Ministério da Saúde, visa dar visibilidade às boas práticas desenvolvidas pelos profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) de todo país.

Todas as experiências selecionadas e as fases da iniciativa podem ser conferidas no portal : https://apsredes.org/aps-forte-sus-no-combate-a-pandemia/


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