Semana On

Quinta-Feira 19.mai.2022

Ano X - Nº 487

Poder

Para 70% dos brasileiros, há corrupção no governo Bolsonaro, diz Datafolha

Divulgados em fatias, os dados da mais recente pesquisa do Datafolha revelam um presidente em processo de implosão

Postado em 16 de Julho de 2021 - G1, Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On

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Levantamento feito pelo Instituto Datafolha e divulgado no último dia 11 pelo site do jornal "Folha de S. Paulo", aponta que, para 70% dos brasileiros, há corrupção no governo Jair Bolsonaro.

Corrupção no governo Bolsonaro:

- Sim, existe corrupção no governo Bolsonaro: 70%

- Não existe: 23%

- Não sabe: 7%

A pesquisa ouviu 2.074 pessoas com mais de 16 anos nos dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

De acordo com os dados levantados pela pesquisa, a maioria dos entrevistados também acha que há corrupção nos contratos do Ministério da Saúde.

Corrupção nos contratos do Ministério da Saúde:

- Sim, houve corrupção por parte do governo na compra de vacinas: 63%

- Não houve corrupção: 25%

- Não sabe: 12%

Bolsonaro sabia da corrupção no ministério:

- Bolsonaro sabia das suspeitas de corrupção: 64%

- Não sabia: 25%

- Não sabe: 11%

Entre os que acreditam que o presidente tinha conhecimento sobre a existência de corrupção na pasta, 72% possuem entre 16 a 24 anos, 71% são nordestinos. Com relação àqueles que acham que o presidente não sabia, 36% ganham entre 5 e 10 salários mínimos e 44% são empresários.

Ainda, segundo a pesquisa, os entrevistados que mais acreditam que há corrupção na gestão do presidente Jair Bolsonaro são: mulheres (74%), jovens (78%), moradores do Nordeste (78%) e pessoas que reprovam o governo (92%).

Entre os empresários ouvidos, 50% acreditam que há malfeitos no governo e 48% discordam.

Com relação ao grupo que acredita que não há corrupção no governo Bolsonaro, 29% têm mais de 60 anos, 31% são moradores das regiões Norte ou Centro-Oeste e 28% são homens.

A pesquisa também abordou a percepção do eleitorado sobre novos casos de corrupção.

Percepção da corrupção no governo:

- Vai aumentar: 56%

- Vai ficar como está: 26%

- Vai diminuir: 13%

Conhecimento sobre investigações

A pesquisa questionou ainda sobre investigações específicas envolvendo o governo. Neste caso, 70% disseram estar informados, 22% bem informados, 34% mais ou menos informados e 9% mal informados.

Entre as investigações que envolvem o governo federal, está a que foi aberta pela Procuradoria da República no Distrito Federal para apurar a compra da vacina Covaxin, produzida na Índia. O imunizante é o mais caro negociado pelo governo federal até agora, e o contrato acabou suspenso.

O contrato foi firmado entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, empresa responsável pela ponte entre o governo federal e o laboratório que produz a vacina na Índia. O caso também está sendo investigado pela CPI da Covid.

Em depoimento à Comissão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, disseram ter relatado ao presidente Jair Bolsonaro as suspeitas envolvendo a compra da vacina.

A CPI da Covid também investiga uma suposta negociação paralela de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, onde o então diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, teria pedido propina de US$ 1 por dose do imunizante.

Entre os entrevistados que declararam estar informados sobre investigações que envolvem o governo, 74% avaliam que o presidente tinha conhecimento de tudo. Entre os defensores do impeachment, esta taxa chega a 89%.

Já no grupo que diz confiar em Bolsonaro, segundo o Datafolha, 71% acreditam que ele não sabia dos problemas.

Jair Bolsonaro virou um presidente hemorrágico

Divulgados em fatias, os dados da mais recente pesquisa do Datafolha revelam que Bolsonaro converteu-se num presidente hemorrágico. Principal beneficiário do antipetismo na sucessão de 2018, o capitão fornece material para o surgimento do antibolsonarismo, que já se insinua como principal força política da disputa presidencial de 2022.

A maioria dos brasileiros (70%) acha que há corrupção no governo em geral e no Ministério da Saúde em particular (63%). Disseminou-se a percepção de que o presidente sabia das malfeitorias (64%). Significa dizer que Bolsonaro, chefe de uma organização familiar com a imagem rachadinha, faz papel de ridículo quando declara que não há corrupção no governo. Perdeu sua principal bandeira.

Falta um ano e meio para o término da atual administração. Em tese, Bolsonaro teria tempo para se recuperar. Mas seria necessário fechar a usina de crises que funciona em tempo integral no Planalto. Algo que não vai acontecer, pois Bolsonaro continua enxergando no espelho a imagem do melhor presidente que Bolsonaro já viu.

O presidente acha que é uma coisa. Mas sua reputação indica que já virou outra coisa. Até a retórica do "meu Exército", das "minhas Forças Armadas", tão entoada por Bolsonaro, é recebida com um pé atrás por 62% dos brasileiros que reprovam a presença de militares em atos políticos, como fez impunemente o general Eduardo Pazuello. A presença de militares em cargos civis da administração pública é criticada por 58% dos entrevistados.

De acordo com o Datafolha, 63% dos brasileiros avaliam que Bolsonaro é incapaz de liderar o país. Pela primeira vez, a maioria dos entrevistados (54%) defende a abertura de processo de impeachment na Câmara.

Bolsonaro gabaritou nos quesitos listados pelo Datafolha para medir o apreço dos brasileiros pelo seu presidente. A maioria considera o capitão incompetente (58%), desonesto (52%), pouco inteligente (57%), falso (55%), indeciso (57%), autoritário (66%) e despreparado para o exercício do cargo de presidente (62%).

Há algo de muito inusitado no sangramento de Bolsonaro. As feridas que tornam o governo anêmico foram 100% abertas pelo próprio presidente. A realidade estragou o papel que Bolsonaro mais gosta de desempenhar: o de colocar a culpa nos outros.

Escolhido em 2018 como solução para 57 milhões de brasileiros, o capitão chega às portas do ano eleitoral de 2022 como um problema para a democracia brasileira. No seu penúltimo desatino, ele se dedica a difundir a tese segundo a qual não haverá eleições no ano que vem sem o voto impresso. A única coisa que Bolsonaro conseguirá imprimir é um capítulo desastroso da história brasileira.


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