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Quarta-Feira 25.mai.2022

Ano X - Nº 488

Poder

Lula abre 12 pontos sobre Bolsonaro e venceria qualquer um no 2º turno

Para 63% dos brasileiros, suspeitas de corrupção no governo Bolsonaro são verdadeiras, diz XP/Ipespe

Postado em 09 de Julho de 2021 - Redação Semana On

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Pesquisa Exame/Ideia divulgada no último dia 8 indica que o ex-presidente Lula abriu 12 pontos de liderança sobre o presidente Jair Bolsonaro nas intenções de voto para um eventual 2º turno das eleições de 2022. O petista aparece com 46%, ante 34% do atual ocupante do Palácio do Planalto. Na rodada anterior, em 25 de junho, a vantagem de Lula era de 44% a 39%.

Lula venceria qualquer adversário no 2º turno: Ciro Gomes (41% a 33%), João Doria (49% a 24%), Eduardo Leite (47% a 19%), Sergio Moro (54% a 31%), Tasso Jereissati (46% a 24%) e Luiz Henrique Mandetta (48% a 20%).

As simulações de 2º turno com Bolsonaro mostram que o presidente perderia para Lula. Com vantagem dentro da margem de erro, Bolsonaro aparece à frente de Ciro Gomes, João Doria, Sergio Moro e Luiz Henrique Mandetta. Sua liderança supera a margem de erro nos cenários contra Tasso Jereissatti e Eduardo Leite.

A pesquisa Exame/Ideia ouviu 1.200 pessoas por telefone entre os dias 5 e 8 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

XP/Ipespe

Outra pesquisa – esta do XP/Ipespe - também divulgada no dia 8, indica que o ex-presidente Lula lidera todos os cenários considerados para as eleições presidenciais de 2022. No cenário 1, o petista aparece com 38% das intenções de voto, ante 26% de Bolsonaro, 10% de Ciro Gomes e 9% de Sergio Moro.

No 2º cenário, com mais postulantes, Lula tem 35%, seguido por Bolsonaro, com 27%; Ciro, com 11%; Luiz Henrique Mandetta, com 5%; José Luiz Datena e Eduardo Leite, com 4%; e Guilherme Boulos, com 2%.

Lula também lidera a projeção de 2º turno contra Bolsonaro: o petista tem 49% das intenções de voto, contra 35% do atual presidente. Ciro Gomes também derrotaria Bolsonaro, por 43% a 33%.

Em uma disputa contra Ciro, Lula levaria a melhor, por 45% a 30%. Também venceria Mandetta (48% a 25%), Eduardo Leite (49% a 21%) e Sergio Moro (48% a 35%).

Bolsonaro só lidera um cenário de 2º turno: contra João Doria. Neste caso, o presidente tem 37% das intenções de voto, contra 34% do governador de São Paulo.

O XP/Ipespe realizou 1.000 entrevistas de abrangência nacional entre 5 e 7 de julho. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Para 63% dos brasileiros, suspeitas de corrupção no governo Bolsonaro são verdadeiras

A pesquisa XP/Ipespe também indicou o aumento da desaprovação ao governo de Jair Bolsonaro e ao modo como o presidente administra o País também é ruim para a gestão federal em outro ponto crucial: a percepção sobre corrupção.

81% dos entrevistados tomaram conhecimento da acusação de que houve corrupção no acordo por 20 milhões de doses da vacina Covaxin. Apenas 17% não tomaram conhecimento.

Entre os que sabem das acusações, 69% atribuem as suspeitas de corrupção na compra de vacinas a membros do governo Bolsonaro, 15% ao próprio presidente e 28% aos dois. 5% disseram não atribuir a nenhum dos dois.

Para 63%, as suspeitas de corrupção são provavelmente verdadeiras, enquanto 26% as classificam como provavelmente falsas.

Além disso, 59% dos entrevistados afirmaram que investigações podem afetar a opinião sobre o governo: 41% disseram que podem afetar muito e 18% declararam que podem afetar um pouco. Para 36%, as investigações não afetarão a avaliação a respeito da gestão Bolsonaro.

Corrosão de Bolsonaro ganha ares de fenômeno irreversível, indica Datafolha

Não é que a imagem esboçada pela pesquisa do Datafolha tenha revelado que a maioria dos brasileiros passou a enxergar Bolsonaro como um político igual a todos os outros. A coisa é bem pior do que isso. O Bolsonaro que aparece na mais recente sondagem do instituto é completamente diferente de si mesmo —ou do mito fabricado por ele para ludibriar o eleitorado em 2018.

A má notícia para Bolsonaro é que parte dos brasileiros que o avaliavam como um presidente regular passaram a classificá-lo como ruim ou péssimo. Sua taxa de reprovação bateu em notáveis 51%, a pior marca desde a posse. A péssima notícia para o presidente é que sua figura já não transmite à maioria dos brasileiros nada que se pareça com uma simbologia positiva.

A maioria dos entrevistados do Datafolha considera Bolsonaro incompetente (58%), desonesto (52%), pouco inteligente (57%), falso (55%), indeciso (57%), autoritário (66%) e despreparado para o exercício do cargo de presidente (62%). É uma sequência de perder o fôlego. E os votos.

Um governante que estivesse empenhado em melhorar a própria imagem teria dificuldades para estancar um desgaste tão disseminado. Um presidente como Bolsonaro, que fez opção preferencial pelo erro, dá à corrosão detectada pelo Datafolha a aparência de um fenômeno irreversível. Político que arranca a máscara do rosto de criança em plena pandemia deixa-se infectar pelo vírus da insanidade.

Depois de perder a pose e o asfalto, Bolsonaro perdeu o pouco que lhe restava de discurso. Dedica-se a fornecer matéria-prima para uma CPI que já migrou do negacionismo anticientífico para a corrupção no Ministério da Saúde. Arthur Lira e Augusto Aras podem salvar o mandato do capitão. Mas cada vez que o antiprocurador-geral e o réu que preside a Câmara precisam acionar o sistema de blindagem enferrujam um pouco mais a imagem do protegido.

Autoconvertido em ministro da reeleição, Paulo Guedes diz a Bolsonaro que a economia e o novo Bolsa Família o salvarão. Em condições normais, faria sentido. Num cenário em que se misturam mais de 530 mil mortos por Covid, desemprego nas nuvens, inflação em alta... Num cenário assim a prosperidade precisaria ser muito pujante para desfazer o mal-estar.

Os caciques do centrão, donos de aguçado instinto de sobrevivência, começam a ensaiar uma divisão. Os otimistas avaliam que o projeto de reeleição de Bolsonaro foi para as cucuias. Os pessimistas começam a suspeitar que o capitão não chegará ao segundo turno.

A ficha de Bolsonaro demora a cair. Mantém ativa a fábrica de crises do Planalto. Comporta-se como o sujeito que salta do décimo andar e, ao passar pelo sétimo pavimento, suspira: "Até aqui, tudo bem."


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